Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
O preto no branco
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.924 – 22 Janeiro de 1988

-- Escreve? – Mas escreve sobre o quê?
-- Valerá a pena?
-- Quem escreve, escreverá para os outros, ou para si próprio?

-- Talvez que o acto de escrever seja a forma mais clara e irrefutável de compromisso.
-- Pintar, esculpir, são formas de expressão e comunicação com um tremendo peso de carga subjectiva, susceptíveis, por isso mesmo, de interpretações diversas. O mundo das sensações não é igualmente lido ou legível por cada pessoa.
O que me “diz” uma cor – é diferente do que dirá a outrem. Talvez até, o amarelo leve a uns a sensação de luz, que outros extraíam porventura do vermelho, do branco ou do laranja. Sabe-se lá os caminhos que percorrem as emoções para que se diga: - gosto, ou não gosto! Frente à mesma circunstância!

“Os gostos não são iguais” – garante-se a cada passo.
Da sensação e do sentimento falam de forma directa a palavra e a expressão fisionómica – porém – são sempre estas, susceptíveis de retoque conforme o agrado ou desagrado do mais ou menos interessado entendedor.
Escrever – assinar um escrito – é um acto de consciência tremendamente e vinculativo. A palavra escrita – é a palavra emancipada.

Vai só.
Corre os seus próprios caminhos mas leva implícito o compromisso de honra de quem a produziu – daí que a sabedoria exija para confiar: “ Põe o preto no branco”
Maria José Rijo

