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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

O Mondeguinho

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1811 – 15 Novembro de 1985

O Mondeguinho

        

Por certo nem só a mim acontece, estar ás vezes, desprevenidamente, frente ao televisor, pronta para entreter de forma ligeira um bocado de serão, e nele, surgirem imagens que nos atingem como assaltos à mão armada.

     

Foi assim, agora, com esta série que relembra como a televisão, ao contar com imagens – em directo, por vezes – alterou o impacto da narração falada ou escrita, e põe como participantes na vivencia de guerras, crimes, fomes e misérias, na terrível posição de poder julgar – tudo e todos – fora do “clima” em que as situações foram vividas e “resolvidas” de formas tão cruéis que – ainda a olha-las – da sua veracidade se duvida.

        

Tenho a certeza de que ninguém volta a ser como era, depois de saber possíveis, atrocidades tais. Como tenho a certeza de que ninguém esquecerá tais coisas, se as viu.

     

Parte-se sempre de onde se está. Tudo quanto se vê ou sente, se soma ao que já se viu ou sentiu.

          

Estou a pensar numa pequena lápide incrustada na rocha, à beira de um rio nascente na Serra da Estrela.

    

Recordo que a primeira vez que a li, tive uma comoção, como se tem ao ver alguém que se julga perdido ou morto, e de repente – como uma aparição – nos surge vivo e são.

          

 Uma daquelas alegrias inesperadas, que nos entontecem e põem a rir e chorar ao mesmo tempo – porque nos inundam de paz e nos renovam a fé na vida.

          

Lá no alto, na Serra da Estrela – à beira duma pequena fonte de onde jorra água muito fria e transparente – alguém gravou:

                   

“Mondeguinho – nascente do Rio Mondego”

Só isto!

Só isto e basta para pensar e sentir, que são os mesmos homens que matam e odeiam – que se enternecem à vista de um veiozinho de água, que brota da terra, e o minam desta maneira!

          

O Mondego, é sabido – é o nosso maior rio nascido em Portugal – mas lá na Estrela, ao vê-lo pequenino, foi olhado com a alma de joelhos, como se olha um presépio, e como se lhe pegasse ao colo, porque o via nascer – carinhosamente o Homem baptizou-o: - Mondeguinho!

         

Olho estes programas que a televisão nos mostra as vezes – numa angústia que me dá até sofrimento físico – mas sei que a água é pura na nascente, e só se suja no caminho – e acho licito conservar a minha esperança.

 

Maria José Rijo

 

Não sei…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.934 – 1 de Abril de 1988

Não sei…

 

Num dos recentes serviços de noticiários sobre as hediondas guerras em que por ódios e ambições se sacrificam os povos – viram-se imagens impossíveis de esquecer ou classificar – neste Mundo que não mais perderá das consciências as marcas de Auschwitz.

         

Começo a pensar que terão que ser inventadas palavras novas para dar nome às atrocidades requintadas que o homem usa contra o Homem, nesta era em que já nem sequer a ignorância de que a guerra e a violência não podem servir de desculpa como soluça razoável – seja para o que for – porque – prova-o a História, nunca o foram.

              

Ver estendidas nas ruas lado a lado com os corpos de homens e mulheres, meninos indefesos.

          

Ver, emoldurado numa touquinha, um rostozito de criança que tinha o corpinho ainda fechado no abraço de sua mãe, que a carregava ao colo, e que mortas ambas permaneciam ainda unidas frente à fria objectiva que no-las trouxe a casa na hora do almoço … é qualquer coisa de confrangedor e terrorífico como confronto com a violência do direito de viver.

       

Talvez que indagados um por um qualquer individuo se confesse incapaz de cometer violências, quanto mais de matar. No entanto as coisas são como se sabe que são.

São como não se deveria admitir que pudessem ser e são obra humana.

       

As velhas e cruéis imagens de guerra parece que já todos nos acomodamos.

         

Começo a pensar que teremos também que admitir este dado novo para a nossa consciência de gente: - a guerra sem clima de guerra “clássico”, talvez cheirando a flores ou a frutos – cheirando a promessas de vida e dissimulando cinicamente a morte.

        

Quem sabe se tornando comuns e correntes as praticas dos campos de concentração nazis!

         

Decididamente são urgentes as palavras novas e diferentes para classificar as escalada do ódio nestes nossos tempos. As palavras antigas, como os factos antigos, foram ultrapassadas. Para se falar de sexo diz-se – amor – como se uma coisa significasse forçosamente a outra – talvez que para falar de Paz se não fale mais de Amor e sim de Morte.

Não sei.

 

Maria José Rijo

 

Dois dedos de conversa

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1986 – 23 de Junho de 1989

 Dois dedos de conversa

 

Cada qual tem os seus pequenos vícios, manias ou fraquezas, como se lhe queira chamar.

Cá por mim, não resisto a guardar lembranças de pessoas e lugares, ou recortes de jornais, que tratem de assuntos, que num qualquer momento, me interessaram.

         

Muitas vezes, esqueço-as durante anos e anos, e reencontro-os por acaso, ou a propósito de qualquer circunstância relembro-os e procuro-os deliberadamente.

Também me tem acontecido vasculhar pastas e pastas em busca do que me interessa e julgo ter conservado, e com surpresa, descobrir coisas absolutamente perdidas da minha memória.

    

Foi agora assim. Uma amiga enfermeira, mulher de alma grande, que algumas vezes já me convenceu com a emoção e o brilho do olhar húmido de ternura com que anuncia: - “nasceu lá uma mulher” – que grande mulher “!” – ou: -

            

passamos a noite de vela – mas nasceu lá um rapazão, que maravilha!” – essa Mulher, com maiúscula, que fala dos nascimentos a que assiste como se cada criança que ajuda a vir ao mundo fosse a primeira e a única e saísse inteira do seu coração, pediu-me, se eu os soubesse, pensamentos sobre a Maternidade.

            

Recordei-me então, que guardara um suplemento de um jornal todo virado para esse tema e fui procura-lo. Estava na rima, já amarelada, onde a minha lembrança o situava. É de Maio de 1970.

Reli-o com interesse e fiquei a pensar na qualidade de escritores, pensadores e filósofos, que escreveram conceitos sobre a infância e a maternidade. Uma frase,

              

porém, atribuída a Júlio Machado, chamou a minha atenção.

Quem seria Júlio Machado! – Quis saber. Trata-se de Júlio César Machado nascido em Lisboa em 1 de Outubro de 1835 e falecido em 12 de Janeiro de 1890.

                     

Refere a sua biografia que foi “talentoso homem de letras, escritor e jornalista”. Conta também ter sido ele o primeiro folhetinista português, pois que o seu primeiro romance “Estrela de Alava” foi publicado em folhetins no jornal “A Semana”, dirigido por Camilo Castelo Branco.

           

Pareceu-me curioso contar, para quem, como eu, o não soubesse quem iniciou, entre nós, as “novelas” doutros tempos – os folhetins – até porque queria terminar estes dois dedos de conversa com a transcrição da frase que me induziu o seu autor:

“O coração das crianças tem o seu movimento regulado como o de um relógio e pára quando a mão de uma Mãe se esquece de lhe dar corda”.

 

Maria José Rijo

 

Evidências

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.995 – 16 de Junho de 1989

 Evidências

      

Estou convencida de que não há, em todo o mundo, uma única pessoa, que tendo um mínimo acesso à informação, não tenha vibrado com angústia e assombro com o que se passa na China.

          

Parece impensável que alguém – um chefe – um governante – um garante do progresso e bem estar de um povo – alguém a que deve ser exigida, pelo menos, qualidades humana, possa, em nome seja do que for, mandar massacrar multidões ou seja lá quem for.

         

Pasma-se que haja “Neros” ainda na nossa era.

 

Pasma-se! – Mas há –

e, se os há é porque todos nós o consentimos.

             

 

Afinal, o que somos? – Quem somos? – Como somos? – O que queremos? O que fazemos? – O que sabemos? – Se ainda se mata quando não se convence e se chama vitória à chacina.

Tanta organização mundial de isto, de aquilo, de aqueloutro, tanta sigla, tantos símbolos, tantas convenções, tantas leis, tantos tratados, tanta, tanta, tanta coisa para quê?

                                                  A Torre de Babel é um símbolo da sociedade internacional. O direito internacional é uma das estruturas que facilitam a interação e articulação entre os Estados.

 

Fazem-se programas de televisão onde entra meio mundo para vincular a defesa do ambiente e aparecem nos ecrãs a assumir essas cruzadas as mesmas pessoas que, de seguida, usam o seu poder para mandar abater multidões indefesas, violentando consciências pelo medo.

            

Quem acreditará frente a tão terríveis evidencias na seriedade e eficácia de tais movimentos.

Sendo cada país uma “casa” de família humana que prova e frue o planeta Terra não deveria ser possível que dispusessem de poder loucos, ditadores ou fanáticos que impunemente, como deuses, decretam vida e morte de semelhantes.

            

Ás vezes, muitas vezes, me interrogo se teria sido necessário, alguma vez, tanto esforço e correria para inventarem maneiras “originais” de dizer aquelas verdades simples que se aprenderam no catecismo.

        

“Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” – ou – “todos somos irmãos”, e entender que o Santo de Assis quando dizia: irmão sol, irmã água, irmão lobo, nos lembrava que deve ser também fraternal o nosso relacionamento com todas as criaturas de Deus.

        

Tem-se dado tantas voltas a estas evidências que não admira que se percam do entendimento instintivo e imediato, verdades tão lineares…

 

Maria José Rijo

 

Dois olhos à minha espera

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1822 – 31 de Janeiro de 1986

Dois olhos à minha espera

          

Era num largo – que uma igreja baptiza.

Um prédio alto, de aspecto um pouco decadente.

Uma lojeca no rés-do-chão, e por cima, duas janelas pequenas, vulgares, de vidraças sempre fechadas como dois olhos cansados. Porém, como se piscasse, pela intensidade da luz que lhe batia em cheio, numa delas estava sempre uma cortininha de renda arregaçada por mão envelhecida e magra, e no ângulo a descoberto, como pintados a carvão num rosto macilento e murcho, dois olhos escuros, fixos, olhando… olhando…

     

Os miúdos da rua, que brincavam ao sol e a chuva batendo os botões na parede, dançando piões, carolando berlindes, às vezes olhavam-na inventando caretas, gestos feios e nomes que doem, mesmo ditos sem maldade. Era a bruxa, espia…

      

Os passantes habituais fingiam não reparar, porque sempre se injuria o que não se entende, mas também eles contavam com os olhos frios, fixos e atentos ao largo.

E assim se somou tempo e tempo que somou anos bastantes, para ser costume e toda a gente já nem reparar … nem ver…

Um dia, porem, tudo mudou.

A cortina estava decidida e a porta da rua aberta.

           

Junto a ela a policia continha uma pequena multidão, que se acotovelava curiosa.

E a historia correu pelo largo… era uma senhora viúva, que do marido herdara um pequeno pecúlio que a doença consumiu, avidamente, avidamente. Era uma senhora com vergonha de pedir.

Era uma senhora velha, doente, sem dinheiro, e com preconceitos de classe que a “soldavam” ao que aprendera ser o seu lugar.

      

Era uma senhora que ficara por detrás da vidraça olhando… olhando… sem entender.

Era uma senhora que com dois palmos de baraço e o desespero duma geração perdida noutra que a ultrapassou e não a viu, se suspendeu do tecto chamando a si um fim que lhe tardava.

       

Era uma senhora que olhava a rua com dois olhos negros fixos e baços que esperavam, talvez, os meus – os nossos, que não fomos e às vezes ainda não somos capazes de chegar a tempo!

 

Maria José Rijo

 

Achega para uma nova toponímia

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1733 – 4 de Maio de 1984

Achega para uma nova toponímia

     

Muitas vezes me perguntei se seria necessário, para que as árvores vivessem, tratá-las de forma tão cruel como acontece todos os anos com as “nossas árvores de cada dia” as árvores que ornamentam, as ruas e avenidas da nossa cidade.

          

Um dia fiz esta pergunta a um agrónomo, que sabia estar a dirigir cursos sobre limpeza e poda de arvoredo. Fiquei assim a saber que não, NÃO é necessário tão “zeloso” exagero.

Logicamente a minha perplexidade renova-se em cada ano e a minha angustia, também, quando vejo cortarem até quase matar, árvores que deveriam querer-se frondosas para amenizar um clima como o nosso onde o Verão é sufocante.

       

Vi, outro dia, com enlevo, com que inteligência, foram limpos os plátanos que em Badajoz, na praça frente ao Simago, convidam, com a sua sobra murmurante, naturais e forasteiros, para saboroso descanso, enquanto as crianças espalham alegria com brincadeiras e correrias.

Vi! Vi e percebi como poderia e deveria ser por cá se tivéssemos igual critério de bom censo.

        

A não ser que queiramos ter que chamar à bela estradinha que vai da frente do Morgadinho até à Piedade e desta, até à avenida António Sardinha – “Estrada dos Vasculhos” ou “Avenida dos Espanadores” – isto não se entende!

            

Ou teremos que admitir que como “vanguardistas empenhados” nos programas criar uma “zona modelo” de calamidade onde se possa aprender como em pouco tempo – sem respeito por um bem que é de todos – se desfeiam a matam por amputação sem critério, vidas vegetais, que levaram anos e anos a crescer e a formar-se.

     

Como as aves do céu, as árvores vivem apenas do que o céu lhes dá, e oferecem o conforto da sua sombra e abrigo até a quem nada faz para o merecer.

Sabe bem meditar as vezes…

 

Nós não “somos” por parecer

Nem parecemos o que somos

“somos” só o que fizermos

Que só por actos ficamos

 

Maria José Rijo

 

Ora, não é que …

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.048 – 28 de Junho de 1990

Ora, não é que …

         god-bless-america

- Ora, não é que vinda da América – país, de onde emanou um conceito de liberdade e um estilo de vida que provocaram uma verdadeira rotura nos velhos costumes e preconceitos das sociedades, ditas conservadoras, convencionais e hipócritas, nos chega agora o alerta!!!

            

- Ora, não é que se recomenda, como único remédio eficaz contra o avanço da Sida – a monogamia, o casamento só após atingida a maioridade (para haver hipótese de uma escolha consciente para toda a vida), o culto da castidade, antes do casamento, para homens e mulheres e, tudo o mais que foi “insultado” como atraso de vida – no mais doce dos epítetos!!!

        

Assim que, muito embora não se possa confundir virgindade com dignidade, nem casamento com amor e fidelidade – porque – cada coisa é o que é, e não é do rótulo exterior que lhe vem a virtude ou a qualidade, por caminhos dolorosos, quase apocalípticos, a humanidade é obrigada a confrontar-se com as consequências da promiscuidade e permissividade que, com a designação de “modernismo”, “liberalização” e mais não sei o quê – tão levianamente institui como leis de avançada civilização!!!

Homens e mulheres näo têm opiniöes muito diferentes sobre sexo

- Ora, não é que se chegou agora à conclusão de que, pelo respeito de cada qual, pela sua condição de gente capaz de assumir corpo e alma como unidade indissociável, não devendo a alma ofende o corpo nem o corpo ofende a alma – só assim – se poderá conservar a esperança de viver e transmitir vida, como é do bíblico destino!!!

Parece chegada a hora de reavaliar o significado de expressões tais como: - namoro, casamento, compromisso, promessa, dignidade, felicidade, dever, brio, palavra, honra, … etc, etc, etc…

Bem o sentia aquela velha analfabeta – chamada Carolina – essa “Catedrática” da vida, quando às glicínias chamava: - “delicínias…”

É que, também, as palavras que se dizem, precisam de ser respeitadas no seu mais profundo significado, para valer a pena que sejam ditas.

                                   

Glicínia, para ela, não era nada – mas – “delicínia” envolvia a delícia do perfume, da cor lilás dos cachos de flores e, toda a beleza que encantava a sua alma de mulher, ao ponto de, subjugada, confessar: - “até p’ros pobres c’umã mim – viver é bonito!...”

… E, assim, falava verdade porque através da palavra inventada podia sentir o que dizia…

 

Maria José Rijo

 

Instantâneo de rua…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1953 --  12 Agosto de 1988

Instantâneo de rua…

      

Vi a mulher surgir, da viela, repentinamente, esbofetear o garoto e começar a arrasta-lo consigo puxando-o por um braço.

Aos tropeções, chorando e respondendo às injurias da mãe, iam-se afastando do local da cena, quando um observador gritou a mulher:

-- Deixe o miúdo brincar!

-- Você não tem vergonha de humilhar a criança batendo-lhe aqui à frente de toda a gente?

Pálida de raiva a mulher largou o garoto, pôs a mão na ilharga e encarou o homem dizendo:

-- Olhe lá!? – Donde o conhece?

-- Gosta mais dele do que eu?

-- Fui eu que o pari, sabia?

-- Não sabia que vocês, só os sabem fazer e as mulheres que os carreguem e se lixem para os criar.

--Deixe-o brincar! Se você o governar eu até o meto a doutor.

-- Deixe-o brincar! – Deixe-o brincar!...

     

Leio nos jornais, ouço na rádio, vejo na televisão a campanha contra o trabalho infantil.

Reconheço a necessidade de evitar que a cada criança seja negado o direito a fruir a sua própria infância.

          

Reconheço a urgência de cada criança ter acesso à vivência dos dez direitos que lhe são reconhecidos internacionalmente, porém…

Porém, recordo esta e outras cenas de rua em que transparece a miséria e o desespero das famílias e fico a pensar que não é a proibir que se encontra a solução – é a dar…

         

-- E a criar condições de trabalho e remuneração que permitam a cada Pai – a cada Mãe – não ter que conseguir na venda das débeis forças dos corpinhos ainda em formação dos seus filhos para provarem ao próprio sustento.

-- Se proibir apenas, fosse remédio, proibia-se a fome e a miséria e tudo estaria naturalmente sanado.

          

Quando uma mulher espanca um filho e o proíbe de brincar – já fez certamente a jornada de sofrimento inteira, que a levou a esse calvário onde a brutalidade é, no seu desespero, a única forma de manifestar preocupação pelo seu futuro e uma trágica maneira de ainda expressar Amor.

 

Maria José Rijo

 

Nem já Sonho…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.823 – 7 de Fevereiro de 1986

 Nem já Sonho…

                

Desde os meus velhos tempos de rapariguinha de Liceu que me habituei a dizer – ou a repetir – apenas os primeiros versos do poema de Manuel Bandeira:

                   

“ Vou-me embora pra Passargada

Lá sou amigo do Rei…”

 

Como quem dá o grito do Ipiranga, quando preciso libertar-me de qualquer pressão premente.

Só que, a minha Passargada, o meu reino do Ipiranga, não tinha nada que ver com o império de Ciro da velha Pérsia.

                       

Não! Nada disso!

Tudo quanto eu pudesse aliar à ideia de liberdade e de felicidade na terra – tudo quanto tivesse a ver com evasão do dia a dia rotineiro, se passava lá para os mares das Caraíbas – lá para as Antilhas – lá nessa ilha que o cinema da época tornava idílica com as canções, lânguidas,

                          

entoadas por mulheres indígenas, lindas como a Dorothy Lamour, vestida de folhas de plantas e enfeitadas por colares de flores, tão coloridas, como se tivessem ao pescoço o próprio arco-iris. As praias tinham areais dourados e macios como tapetes finos e, para comer, bastava estender o braço porque logo se achava um fruto gostoso, sumarento e perfumado, para que a mão com negligente elegância o recolhesse.

              

Assim, o cinema, vinculava a imagem de que no Haiti a única obrigação era a de ser feliz e todos os desejos se resolviam de forma tão mágica como o “Abre-te Sésamo” de “Ali Bábá” nas “Mil e uma noites”.

              

E, assim, cresci inventando a minha reserva, sempre que dela precisava, e, quando li (de um poeta cujo nome esqueci) “Poesia dos mares do Sul” apenas: Eu nunca lá fui!”

Intimamente fiquei feliz porque eu, que nunca fora à minha Pasárgada, dava-lhe de cada vez que a reinventava, um toque novo de Paraíso imaginado.

Li agora nos jornais e ouvi nos noticiários: - “Guerra no Haiti”.

                

Fiquei defraudada.

Devia ser proibido haver guerra, dor e morte no mundo dos sonhos da gente.

Qualquer dia não fica um espacinho, sequer, por mínimo que seja, onde se possa situar a “nossa Passárgada” e será inútil o nosso grito do Ipiranga.

            

Se ao menos eu fosse Vinícios – abraçava-me ao violão – pitava um cigarrinho, tomava uns tragos de whisky e trauteava em canto bem choradinho:

Ai que saudade…

 

Maria José Rijo

 

Uma frase – Um achado

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1863 – 21 Novembro de 1986

 Uma frase – Um achado

    

Não fui ao jogo.

Não está nos meus hábitos ir ao futebol, porém, informar-me se “O Elvas” venceu ou não, depois de cada desafio já é uma preocupação que não descuro.

Daí que, quando numa destas últimas manhãs ouvi na rádio o Manuel Carvalho dizer que o nosso Clube “Venceu o árbitro e empatou com a Académica”, me tenha divertido e deliciado.

Uma frase simples, aparentemente só de bom humor, e aqui está como toda a gente ficou a saber o que se passou lá por Coimbra – onde “O Elvas”, para empatar com o seu natural

         

 

adversário daquela jornada, teve que vencer um opositor inesperado… dado que se tratava do homem… que podia e devia colaborar com ambas as equipas desde que exercesse, apenas, criteriosa e justa actuação, como dele, todos esperariam.

          

E assim que, por vezes… um só… desde que mal intencionado…destrói o equilíbrio duma equipa e prejudica toda a colectividade.

Mas, ao que se sabe… talvez porque o Mundo e a bola têm ambos a forma redonda… acontece o mesmo em todos os futebóis desta vida.

E, porque falo de futebol e aproveitei o intervalo para o meu próprio comentário… é tempo da segunda parte.

Não é a primeira vez que comento a graça, a frescura, a frontalidade que o Manuel Carvalho usa no que escreve e diz. A ele próprio, já algumas vezes o terei dito, mas esta frase, desta vez, foi na verdade um achado.

E que para mim, a reportagem é isso: o comentário curto – conciso, irónico ou jovial até, mas, objectivo, colorido e bem focado, como o instantâneo apanhado no momento certo – como a pincelada que fala do pintor antes que se lhe leia a assinatura… como a clareza de quem assume o que diz.

        

Penso que é esse o segredo que faz o mérito dum repórter.

 

Maria José Rijo

 

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