Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Da azeitona ao azeite...
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.897 – 21 Dezembro - 2006
Conversas Soltas
Da azeitona ao azeite... ![]()

Fizeram as Senhoras funcionárias do Turismo uma exposição sobre este tema, e, saíram-se muito bem.
Fui visitá-la e fiquei a pensar na importância que tem trazer à ribalta para que nelas se pensem as coisas comezinhas do nosso dia a dia, que se fazem ou se usam tão rotineiramente, que as tratamos, como se fossem de somenos, e, não são.

Foi então que pensei que a sugestão que a exposição me deu, quase se poderia transformar numa mensagem de Natal.

Vejamos:
A mostra, na qual fizeram, e muito inteligentemente, colaborar as escolas, e os hotéis – que, o, quiseram – teve a particularidade de por a tónica na “cultura local”, como factor de identidade.
Elvas é uma das pátrias do azeite.

Foi, esse mesmo, André de Resende, que em 1530, pela primeira vez usou como sinónimo de portugueses a palavra Lusíadas, quem disse:
“ Elvas... olei bonitate, sino controversia, primas obtinet”
O que quer dizer: Elvas, sem controvérsia, tem a primazia no azeite.

E, aqui está como se poderia dizer, que do século XVI – chega até às senhoras funcionárias do Turismo, de hoje, a devida vénia pela sabedoria do tema escolhido.
Depois, pensei, que a ambição da exposição ainda poderia ter ido mais longe e ter começado pela história do cultivo da oliveira, sua antiguidade, de onde provem, como chegou à península, quem a trouxe e implantou entre nós...

Poderia!- Mas, pelas palavras do Senhor vereador, na inauguração, entendeu-se que a ideia, e a realização se confinou , apenas, ao esforço das referidas Senhoras (sem qualquer apoio) - e, isso , faz entender que o que nos pode por vezes parecer limitado, é afinal: - imenso!
Parabéns - sem restrições – portanto - às promotoras e realizadoras do evento.
Poderia, até, o marcador do mês, ter ligação com o tema, mas para isso era necessário que não fosse avulsa a sua emissão.

Quando a ideia – “do mês” - foi lançada, tinha como finalidade didáctica, divulgar, relacionando, história, literatura, música e um objecto de cada vez, por épocas.
O projecto era de começar pelo Manuelino, tão marcante em Elvas, com os padrões de medidas datados de 1499 e 1575 - preciosidades raríssimas que o - finado e nunca por demais chorado - Museu Thomaz Pires, continha!
Porém, eu comecei por dizer que o tema da referida exposição quase se poderia contar como uma história de Natal...

É que sendo a oliveira a mãe da azeitona, será nessa linha de pensamento a avó do azeite. Ora, eu que sempre ouvi, afirmar que a oliveira é uma árvore mítica, que representa a Imortalidade e a Paz, e assim a configura a pomba com seu raminho no bico, imaginei que essa trilogia,poderia simbolizar, uma figuração, bem à alentejana, para dar graças a Deus, pela fartura que “tal família”, como o Pão, levam à mesa do pobre e do rico, com a abençoada açorda.

E, se (como conta, quem sabe) “elas” são conhecidas desde o Paleolítico Superior! Olhemo-las no nosso horizonte - onde o cimento ainda não as substituiu - deixando que a sua presença no modesto verde cinza com que dissimulam seus méritos nos encha as almas dessa Paz que representam.

E, sintamos, como que escritas, na cor de oiro dessa preciosa panaceia que é o azeite - a brilhar como a luz nas candeias - as palavras de fraternidade e amor que do coração nos brotam quando ajoelhamos junto ao Presépio:

Feliz Ano Novo
Maria José Rijo

