Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
O Sistema
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1965 – 18 de Novembro de 1988
O Sistema

Quando me apercebo de que há na televisão - quer portuguesa, quer espanhola – mesas redondas, debates ou entrevistas, esforço-me por assistir. Umas ainda, pela soma das duas condições.
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Com o advento da televisão, estamos a ser quase reduzidos à condição de espectadores, acomodados, ao filme condutor, ao programa organizado.
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Nas mesas redondas, porém, se há um tema de base, a verdade é que ali á nossa vista ele sofre bons e maus tratos, e isso espevita o nosso próprio sentido critico, oferece sugestões, previstas ou não pelo que tem de espontâneo, vivo, e até, por vezes, de riscos, como todo o espectáculo que é dado, em directo, da fonte.

Assim, as mesas redondas são “agora” as oportunidades possíveis de assistir a conversas como as que fizeram, noutros tempos, o encanto das tertúlias literárias e outras. Além deste interesse, a meus olhos, exercem ainda a função didáctica.

Mostram – o saber estar entre os outros – ou, pelo menos, a maneira de estar possível, daqueles que estão entre os demais, sem saber estar.

Dão, ainda, ás vezes – muitas vezes – verdadeiras lições da forma correcta, como as ideias, podem ser expostas e discutidas sem perder de vista o respeito entre as partes que as debatem. Dão também, noutras oportunidades, o testemunho de como é possível transformar o que poderia ser uma manifestação de inteligência lúcida e saudável, em provocações pessoais que não servem nada ou alguém.
Daí como dizia alguém que muito admiro, em entrevista recente (refiro o Dr. Alçada Baptista) mesmo quem contesta o sistema, o reconheça como uma necessidade.

Sistema, aqui para mim – é a norma, e se há quem o siga, a respeite e seja “sistematicamente normal” – há quem lhe fuja, quem a quebre e se solte e possa ser: - inovador, criador, admirável ou, por contraste, o seu oposto.

Em qualquer caso, o que importa é que a norma seja – porque o é – o ponto de referencia, porque só assim cada qual saberá, se o quizer ou para tal tiver qualidade e valor – se está a subir ou a descer.
Maria José Rijo

