Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
A Senha
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1755 – 12 de Outubro de 1984
A Senha

Sou contra a violência. Sou contra a represália.
Sou contra toda e qualquer manifestação de vingança e ódio por mais encapotada que se nos apresente.
Envergonha-me o insulto e a arruaça.
Envergonha-me a bofetada e o murro “como argumento” para “convencer?” seja quem for… e, porque for…
Sou contra o álcool, a droga – tudo, quanto turve ou entorpeça o que o ser humano tem de mais nobre – a faculdade de pensar.

Julgo que quanto mais importante for a questão que se debate, maior terá que ser a delicadeza na sua abordagem, mais cuidada deverá ser a forma de a tratar.
Não ponho em discussão a firmeza que a aplicação da justiça exige.
Não!
Os pontos de discussão situam-se na procura dos meios mais certos para cobrar ou aplicar essa justiça.

Ora – é isso que, nós que somos Elvas – que não mendigamos, não insultamos, nem ameaçamos, porque Elvas é nobre de berço e berço de gente que no trabalho se tempera e enobrece, teremos que decidir.
Antes que inventem para a nossa cidade mais calamidades, temos que nos unir para tomar a posição correcta. Nós não somos subservientes nem arrogantes.
Temos a compostura e a honra que de sermos “portugueses de Elvas” nos advêm.

Elvas reconhece o que é de Elvas por justiça com serena lucidez.
Elvas exerce civicamente os seus deveres.
Elvas – defende Elvas – porque ao fazê-lo defende o nosso país.
Elvas, sente e sabe quanto vale, quanto merece e quanto lhe é devido – porque Elvas é Portugal – até ao limite de Portugal o ser.

Elvas nasceu fronteira.
Elvas é fronteira e fará fronteira entre o que pode, ou não, ceder para conservar o respeito por si própria e a integridade da Pátria de que é parte.
Nessa linha se define, delimita e segura da sua razão, se afirma e impõe à respeitosa admiração de todos como as suas muralhas, os seus fortes e o seu Aqueduto.

Portugal mais se define
Onde a fronteira se traça
Pode partir, mas não dobra
Quem defende Pátria a Raça.
Maria José Rijo

