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Tudo perto e tudo longe

Terça-feira, 05.01.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.746 – 3 de Agosto de 1984

Tudo perto e tudo longe

       

Há pouco tempo, por acaso, ouvi pela Rádio, uma entrevista que fizeram a Zeca Afonso.

Ouvi e fiquei lembrando como ele usou a sua bela voz (não para se servir) mas para servir, cantando contra a opressão, a desigualdade social e a injustiça.

        

Recordei como ele, da sua voz, fez bandeira erguida contra o medo: fez toada de esperança: fez berço para acalentar sonhos de deserdados: fez agasalho para perseguidos.

- Quantos durante anos não tiveram por arrimo da sua coragem mais do que umas notinhas de música, um fragmento de canção, para sentir que não estavam sós!?

         

- A quantos, cantando, revigorou a própria razão de resistir!

- O dono dessa voz, o possuidor desse talento admirável, no momento em que o procuraram ajudar, mais uma vez se esqueceu de si e fala da doença e dificuldade de outros e refere as novas injustiças.

- Conta dos que não recebem os salários e trabalharam, nestes mesmos tempos em que ministros, e processionais comitivas, viajam pelo oriente e por outras terras onde chegaram no passado aqueles, que, no dizer de Camões:

por obras valorosas se foram da lei da morte libertando”. Agora, viajam… viajam… viajam tanto, que chego a pensar que António Nobre em lugar de escrever: “Anda ver o meu país de marinheiros”, deles, teria que dizer:

Anda ver o meu país de calaceiros!

        

Então eu, que andava a silenciar comentários de pasmo e desgosto, como os que ele fez, senti que cada um tem que se esforçar como pode, para repor a justiça onde ela falte.

Mesmo sem a bela voz de Zeca Afonso e sem outras formas de talento que muitos outros têm – mas – a meu jeito, como posso, ainda que só eu me oiça, tenho que gritar que acredito nas palavras da canção.

“Não há machado que corte a raiz do pensamento!”

- Senão vejamos: - Ouvem lá longe a Polónia?

- Ouvem?

- E quando a depressão atmosférica passa por África

- O ar, aqui, aquece!

Tudo longe e tudo perto – tudo sob o mesmo céu!

 

Se a pensar não há distâncias

Todo o longe fica perto

- Onde não se vai – se chega

Tudo cai no alvo certo.

 

Maria José Rijo

 

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No dia dos 6 anos da Conchinha

 

Olhos azuis...

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:33





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