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Caminhos

Segunda-feira, 22.03.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1771 – 1 de Fevereiro de 1985

CAMINHOS

 

Numa família qualquer, quando nasce uma criança – todos acorrem a debruçar-se sobre o berço e, como as fadas boas dos velhos contos lhe auguram as maiores venturas.

Assim, cada um, ao desejar para a criança que por amor lhe pertence o – “o melhor” – está quase sempre consciente ou inconsciente, desejando ver nela realizado o secreto ideal de felicidade – que lhe foi impossível a si próprio viver.

Também fisicamente a história se repete um pouco: - Cada um procura no recém-nascido qualquer pequeno indício ou vestígio de semelhança consigo ou outros familiares.

       

Não é raro que o menino ou a menina nos sejam descritos como tendo: - o pé da Mãe – a mão do Pai – a boca do avô – as orelhas da Avó e o sorriso, o nariz ou o cabelo de qualquer outro próximo parente.

Se bem pensarmos – teremos que dar conta que descrevemos um ser estranho (qual manta de retalhos!) feito de bocados velhos, já nossos conhecidos – em lugar da “criaturinha em botão” – que acaba de aparecer na dependência do nosso amor e protecção.

Cada pessoa é – como é!

Nasce uma vez e morre uma vez!

O percurso da vida que faz – por muito semelhante que se deseja a este, ou àquele modelo – terá sempre a marca do individuo que a percorrer…

Ninguém vive ou morre em lugar de ninguém!

Como cada árvore, cada um dará os frutos das potenciais sementes que trouxer em si.

E todos nós somos capazes de fazer milagres para oferecer um sorriso que seja a uma criança que nasceu doente; nós que inventamos a coragem e a força para recriar os gestos e paciência que são precisos em cada dia para ajudar a superar deficiências… - nós… temos certa dificuldade em aceitar que aqueles que nasceram escorreitos – escolheram destinos totalmente diferentes do que sonhamos para eles.

Se somos capazes de ser heróicos frente à adversidade porque não sabemos ser humildes frente à verdade?

Porque não seremos espontâneos a ajudar os nossos a ser felizes nos caminhos possíveis das próprias escolhas, se elas não colidirem com o Bem e a Justiça.

Porque estaremos sempre a enfiar-lhes as roupagens das nossas ambições?

 Por muito novas que estejam (em folha, até por as não termos usado) talvez apenas “mascarem” em lugar de “vestir” – quem por ser de agora – sonha amanhã! – E não ontem…

É isto, que me surpreende, também me fascina e dá que pensar…

 

Se a verdade – por espelho

Onde o meu olhar contemplo…

Educar – será – Amar,

Ensinar pelo exemplo…

 

Maria José Rijo

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:18





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