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Devaneio

Terça-feira, 29.06.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1810 – 8 de Novembro de 1985

Devaneio!

 

Aconteceu-me, por vezes, estar a ler ou a cumprir qualquer tarefa de acaso, e ter a telefonia ligada, muito baixinho, sem ter consciência sequer, do que estão emitindo.

Na maior parte das vezes os programas, assim, fazem aquele “ruído de fundo” – que nos dá a sensação de “casa viva”, no meu caso, por exemplo, me ajuda a trabalhar. De certo modo recria a atmosfera dos velhos tempos em que os sons de louças, talheres ou alguma modinha trauteada – chegavam vagamente até nós – vindos lá do fundo do quintal ou até da cozinha.

E, tal como nesse tempo acontecia com alguns cheirinhos particulares que se insinuavam pela casa toda e despertavam a nossa curiosidade, a ponto de largar e ir ver… – agora, por vezes – é uma palavra, uma canção, uma referencia - que se impõe e também nos faz parar e prestar atenção.

Foi assim outro dia, com um programa de Paulo Lavadinho sobre Elvas.

Ouvi! Ouvi! Atentamente porque o programa teve interesse e porque me cantou cá dentro, o gosto de escutar o Dr. Amílcar Morgado a falar sobre história local.

Já aqui há tempos, nos tínhamos regalado a aprender, escutando-o, nas transmissões de domingo, quando falou de arquitectura militar em que Elvas é tão rica.

Foi bem acertado o Paulo Lavadinho valer-se de tão boa companhia, para falar do nosso burgo.

Quando o programa terminou, apeteceu-me ligar para o Emissor a pedir:

-- Porque não intercalam pequenos apontamentos sobre a história local, entre os discos de canções?

….. E a quem, nos dias de feiras e mercados, enche as ruas de musica e anúncios diria:

-- Porque não aproveitam para, de quando em quando, dizer:

-- “Atenção! – Pare, escute e olhe e sinta que vive neste exacto momento, o privilégio de estar gozando do encanto duma cidade ímpar, que… (estas reticências seriam preenchidas com breves noções de

história de Elvas, escritas pelo Dr. Amílcar Morgado, com o saber e entusiasmo que se lhe reconhece).

Fico a pensar se: - tal como o cheiro das maçãs assadas ou da canela sobre o arroz doce ainda quente nos chama à beira do fogão, muita gente não iria com surpresa, descobrir coisas que tantas vezes terá olhado – sem ver!

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:42

Vida por vida

Sábado, 26.06.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1803 – 13 de Agosto de 1985

Vida por Vida!

 

De noite, de dia, a qualquer hora toca a sirene – e prontamente os bombeiros aparecem sem saber para o que são chamados – mas dispostos para a tudo acudir.

Neste tempo quente, estão, as sucessivas chamadas, por cá, e as notícias de outros fogos de norte a sul do Pais, ligam-se de tal maneira que, dir-se-ia que a frente do fogo tem toda a largura de um imenso Verão.

E se é verdade que todos nós que ouvimos silvar a sirene, com diabólica frequência - para além do sentimento de angustia que nos fica – continuamos nos nossos lugares do costume – é verdade, também, que os bombeiros, como por instinto, tudo largam  para acorrer ao dilacerante apelo.

A qualquer hora, deixam a comodidade relativa dos seus postos de trabalho – a sombra aconchegada das suas casas,o repouso das suas noites, e, prontos, disponíveis – prestáveis – abnegadamente aparecem onde são precisos.

Há cerca de 50 anos, num livrito de escola onde a minha geração aprendia a ler, havia um pequeno texto elogiando a actividade dos bombeiros, que começava assim:

“Vida por vida – é o seu lema”

Depois, ensinava as crianças a descobrir o sentido e o significado da palavra: - Abnegação.

Coisas que na adolescência se fixam para sempre!

Presentemente é mais fácil o acesso a livros e a jornais para toda a gente – (mais escolas, mais bibliotecas) e, a crescer, para vincular noticias e conhecimentos – aí estão a rádio e a televisão.

Penso, penso e creio que: - se em lugar de se propagandear tanto, o mal que certas organizações fazem – se valorizasse o bem que outras proporcionam – muita gente havia de extravasar o seu amor pela valentia, com atitudes nobres, em vez de se exibir em fanfarronices e provocações, na procura de emoções fortes.

Parece-me que aqueles (Já com idade que lhes permite conduzir automóveis e motorizadas) que pela calada da noite, fazem na via publica – (entre histerismos de gritinhos e gargalhadas excitantes de acompanhantes) – acrobacias de temeridade acéfala – poderiam e deveriam ser levados a ponderar o que é, na verdade, a coragem.

Coragem – por vezes – é conseguir ficar indiferente às beliscaduras de falso amor próprio, e não pactuar com atitudes que com frequência, originam os perigos – escusados – dos corajosos autênticos – os bombeiros – que abnegadamente arriscam a vida para acudir, até aos que por capricho, virilidades duvidosas, falta de maturidade, etc, etc… - com atitudes de falsa segurança, provocam verdadeiras catástrofes, das quais  por vezes, são as primeiras vitimas.

Era bom – era muito bom que , de uma vez por todas, se  entendesse que a coragem não é fanfarronice, nem temeridade, e se a coragem por vezes envolve riscos – implica sempre o uso da razão – quer dizer: da inteligência.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:50

Interludio de Verão

Quinta-feira, 24.06.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3077 - 24 de Junho de 2010

INTERLUDIO DE VERÃO

 

 

Ofereceram-me flores. Era essa a intenção. Mas, não eram propriamente flores. Concretamente era uma bela molhada de ramos de hera.

Toda a gente sabe como a hera é elegante a crescer, a abraçar outras plantas, embora não seja parasita, ou a trepar por muros, a encobrir embelezando ruínas de casebres ou de majestosos monumentos. É-lhe indiferente. Basta-lhe espalhar generosamente o seu encanto com seus caules castanho avermelhados e suas brilhantes, como que envernizadas, folhas verdes, quase triangulares, dispostas alternadamente ao longo das suas hastes. Depois, tem a vantagem de ter nas jarras uma longevidade que outras plantas não atingem. Aliás, a hera era tida como o símbolo da fidelidade e da longevidade. Dizia-se até que escondia os duendes e os espíritos nas florestas e associava-se, como a vinha ao deus Baco, já ensinava minha Santa Avó. Quando as Avós ainda tinham oportunidade de contar histórias, talvez porque houvesse, então, mais tempo para sonhar e mais espaço para envelhecer entre familiares.

Uma a uma fui compondo as jarras que, como quem veste um fato novo, voltavam aos seus lugares do costume todas compostas num dia que o calendário designava como sendo de Verão.

Mas…repentinamente…

Um cinzento quase negro, encobre no céu a cor azul-cobalto.

Os pássaros emudecem, deixam de voar alto.

Pulam de ramo em ramo, inquietos, em sobressalto.

Surge, não sei de onde o vento.

Primeiro sorrateiro. Depois em rajadas, rápido, frio.

Logo a seguir, em redemoinhos que elevam folhas e lixo em rodopios de medo. Estremece o arvoredo.

De longe vem invadir o ar um cheiro gostoso a humidade,

a terra molhada.

Do fundo da memória vem a supersticiosa recomendação popular:

Dizer que se gosta - dá azar

 (que do outro mundo as almas penadas dirão: Deus te farte muito dela!)

Desaparecem os cães das ruas da cidade.

Vultos de gente atravessam a correr as ruas. Entopem-se os cruzamentos com carros a buzinar inutilmente.

Troveja.

Num repente, impetuosamente – chove!

Chove copiosamente.

Nada mais se move.

Sôfrega a terra bebe.

Ocultas, germinam sementes.

Parece anoitecer.

De repente, o sol vence. Reaparece!

A tempestade esquece.

Um arco-íris, brilha no céu lavado de fresco.

Tantas cores que a luz esconde e só mostra de onde em onde!

A Vida é a Vida

Acontece

 

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:04

A Kika

Terça-feira, 22.06.10

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publicado por Maria José Rijo às 01:39

10 de Junho de 2010

Terça-feira, 22.06.10

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publicado por Maria José Rijo às 01:11

21 de Junho

Segunda-feira, 21.06.10

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 Meu querido Gilinho
Venho aqui hoje pedir-lhe um favor muito particular
Porque tive a visita de minha irmã e de uma sobrinha, cansei-me mais do que seria desejável,

este fim de semana.

Como sabe não é só o trabalho, as festas e as alegrias , também nos alteram muito o ritmo de vida.
Significa isto que a sua tia Zé, vem delegar no "seu" Gilinho um favor de coração:

 é capaz de dar um abraço,

 grande, aí nesse meu Querido Amigo, que é o seu Avô, e dizer-lhe que não achei nada

 mais doce e precioso

no mundo para o felicitar por mais um aniversário do que um abraço do neto.
Faz isso por mim, faz?
Com a maior ternura para todos sou

com saudade a tia Zé

.

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:39

Frases feitas

Quinta-feira, 17.06.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3076-  17 de Junho de 2010

Frases feitas

 

Por vezes, sem bem se saber porque sim ou porque não, encalhamos numa frase, numa palavra, numa expressão que teima em se nos atravessar no espírito sobrepondo-se a tudo, a propósito ou a despropósito, como se fora para nós, razão de vida ou de morte.

Se pararmos para pensar, quase não se acha sentido na obstinação, mas a verdade é que acontece.

E, quase sempre nos sai uma exclamação entediada: - olha que coisa!

E, sendo esta expressão usada a torto e a direito com tantos e tão diversos significados, nela nem reparamos, nem sequer, quando a estamos a utilizar.

Quando o empregado gracejou dizendo: qualquer coisa, não tenho! -

Recordei um bar, em Óbidos, onde, mediante o mesmo pedido, foi servida uma bebida licorosa, engarrafada, com o rótulo de: “Qualquer Coisa” .

Perante a reacção divertida do freguês que comentou a rir: - olha que coisa!

ocorreu-me inventariar um pouco a versatilidade de uso da palavra coisa.

Coisa – substantivo feminino que, segundo o dicionário, quer dizer: - Em sentido geral - tudo o que existe ou pode existir. Ente, objecto.

E, assim sendo, aqui estamos nós frente a algo, que, sendo nada, em exclusivo, - tudo, pode significar.

Sei muita coisa! – (misteriosa e provocatória a expressão! Ameaçadora, até!

Que coisa! – (tanto pode ser espanto, como surpresa ou, aborrecimento)

Olha a grande coisa! – (aqui já há desdém! Desprezo, pouca importância) Coisa engraçada! – (está bem explícito o agrado!)

Coisa sem graça! – (aqui, é evidente o desagrado, a crítica)

Coisa de ignorantes! – (vigora o mesmo sentimento mas com um tom mais injurioso)

Coisa de quem sabe! - Coisa de admirar! – (aplauso, admiração)

Coisa de espanto! Coisa triste! Coisa alegre! (Assim se faz a variante de comentários de emoções)

Coisa de arrepiar! – Coisas do arco-da-velha! (o medo e a estranheza ficam patentes)

Coisa de crianças! Coisa de pobres! Coisa de ricos! – (desde a futilidade, ao desdém, tudo cabe)

Coisas para rir! Coisas para chorar! (a abrangência de motivos fica expressa)

Coisas do mar – coisas da terra! (referência a origens, marinhas ou terrenas)

Coisas do diabo – coisas de Deus! (aqui já evoca o sobrenatural)

Coisas de arromba! – Coisas de eleição! – (o enfoque vai para a grandeza, a repercussão a distinção)

Coisa de mestre! (a qualidade, a perfeição)

Aqui há coisa! - Coisa ruim! – (o desagrado, a suspeição são evidentes)

A coisa correu bem – ou correu mal! (a evidência)

Alguma coisa há! – Aqui tem coisa! (Tem alguma coisa escondida, a

Desconfiança)

Coisa de preço! – Coisa cara!

Coisa de vulto! – Coisa feia! – Coisa mal feita! – Coisa bem feita!

Coisas e loisas! – Coisas pretas! - Coisas desprezíveis!

Coisas importantes, coisa nenhuma!

Coisa em primeira-mão! – Em segunda mão! (são as formas correntes de fazer avaliação, de formular juízos!)

 

 

Não dizer coisa com coisa! Equivale a não dizer a bota com a perdigota!

E, aqui estão juntinhas muitas coisas, sobre coisas, que pouca coisa ou nada dizem, mas que, por vezes, na hora certa, na oportunidade adequada se podem tornar coisa boa ou coisa má consoante quem o diz ou quem o ouve.

É que, temos que confessar: - há cada coisa!

 

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:48

Parabéns

Quinta-feira, 10.06.10

 

Querido Aristeu
Queridos todos

É dia de anos, mas é um dia tão especial, tão cheio de esperança e de tão gostosa e terna

 ansiedade que nada mais nos ocorre, à tia e, à prima, do que vir encher a vossa casa de flores,

com abraços e beijos de muito carinho e alegria para de todo o coração vivermos convosco a

festa da chegada do "futuro", que pedimos a Deus, vos encha a Vida de felicidade
Parabéns !Parabens para todos - E, se nos permitem a intromissão,também nos sentimos incluidas.
Aguardamos o favor das vosss notícias.
beijinhos - tia Zé e Paula.

.

   

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publicado por Maria José Rijo às 00:19

Minha querida Democracia

Segunda-feira, 07.06.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1786 – 17 de Maio de 1985

Minha querida Democracia

 

Quando te conheci brilhavas bem intencionada, no rosto de toda a gente, num belo desfile de primeiro de Maio.

Tinhas nascido a 25 do mês anterior e, pelas esperanças que trouxeste todos te receberam de braços abertos e te festejavam.

Pouco tempo depois, já se falava de ti em arruaças, desmandos e roubalheiras!...

Sofreste todos os males de quem nasce bem e, sem preocupações e defesa, caíste nas vielas e em más companhias.

-- Coitadinha!

Falando em teu nome à boca cheia, andavam pelas cidades e campos, gentes meio despidas, mal lavadas, mal cheirosas, “panças” à mostra, chinelo no pé, sem sombra de compostura - o que só te comprometia.

Mesmo quando o M.F.A dizia que saia contigo, era de farda ás três pancadas, em “arranjos” tão desbragados que, se não causassem dó, fariam medo.

Também se gabavam de andar contigo aqueles alarves bebedolas que se exibiam – emborcados de mistura com vinho e cerveja, sobre mesas e cadeiras de estilo, preciosas, (verdadeiras peças de museu) roubadas em casas antigas e palácios – e passeadas pelas ruas dentro de galéras  puxadas por tractores vindos de “montes” espoliados.

Enfim!

- Entre greves, madracices e barafundas tens vindo a crescer comendo fiado e do que havia…

Porém – graças a Deus e à coragem de muitos que te respeitam – ainda não morreste.

No último momento, quando já não parece, por vezes, restar esperança para ti – lá aparece alguém que te reconhece, porque te sonha – te agarra pelos cabelos, te puxa da lama, te lava, penteia e te dá nova oportunidade para mostrares o que vales.

Podemos gostar ou não do Mário, mas olha que se ele não te deita a mão quando o Vasco se meteu contigo “naquelas farras” – tinhas dado o último suspiro nessa altura!...

Mas não é para te falar da “Crónica” que te atribuem (e que tu conheces bem melhor do que eu) que te escrevo.

Faço-o, para comentar contigo o teu comportamento na Assembleia da Republica quando recebemos cá o representante do “Imperialismo”.

Penso que te portaste bem, embora “aquela gente” (que ninguém lá obrigou a ir) tivesse desfilado frente à visita, com as mãos nos bolsos das calças, os casacos desabotoados, como quem sai do futebol – ao sair da Assembleia de todos nós!

Sabendo como sempre tens tido as “costas largas”, vi logo que também te caberia a responsabilidade da descortesia.

Será que lá onde as liberdades são “tão amplas” que são obrigatoriamente vermelhas, isto seria possível?

Penso que não.

Não te roubo mais tempo. Só quero que saibas que achei os verdes, tão verdes, que se lhes não acodem e os livram da gaiola – “o Imperialismo” – que como se sabe, só tem um pensamento – poderia pensar que a história da pomba era alusão “ao milho” que nos falta.

De qualquer modo, acredito na tua boa fé mesmo quando te vejo consentir que encubram com o teu nome atitudes que reprovamos.

Aproveita a experiência do que tens vivido e vai em frente.

Coragem!

Com a esperança e a cumplicidade de quem crê nos outros, porque também se sente gente, afectuosamente “pisco-te o olho”.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 15:04

As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

Quarta-feira, 02.06.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3074  - 2 de Junho de 2010

.

As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

 

Quando terminei a leitura deste belo livro – da autoria de Dalila Pereira da Costa – que me deixou a sensação de encanto de quem tivesse feito uma viagem de descoberta a um mundo tão maravilhoso que quase se afigura de fantasia - impôs-se-me uma certa necessidade de meditar nos caminhos que a humanidade, através dos tempos, tem percorrido na procura do Absoluto.

Na procura de uma explicação para os fenómenos da vida que nos cerca, na procura de pistas que nos conduzam a essa decifração e consequente entendimento. As várias formas de culto com que sempre se incensaram os “deuses”imaginados, as atitudes e os artifícios usados consistiam na estratégia usada para lhes conquistar tolerância, protecção, cumplicidade ou benesses.

Desde as épocas mais remotas, sempre a humanidade admitiu ou necessitou adorar as divindades a que atribuía o poder de reger ventos, tempestades, céus, marés e luas e, sempre a imaginação humana se rodeou de símbolos que criava, evocava, desenhava e gravava como marcas nos caminhos que percorria intentando a compreensão desses desígnios.

Sempre admitiu que caçadas frutuosas, investidas contra inimigos, êxitos ou reveses, conquistas e vitórias necessitavam da protecção desses seres que admitia serem donos de todos os destinos.

Sendo a água um bem imprescindível para a vida, as margens de muitos rios foram, desde as épocas mais remotas como que “estradas” percorridas por gerações e gerações que nelas imprimiram sucessivamente as marcas da sua passagem e vivências.

Nelas se encontram os vestígios representativas do percurso evolutivo do ser humano, dos seus mitos e anseios, das lutas pela sobrevivência que, assim foram “sacralizando” esses lugares, deixando neles os testemunhos da história  que convidam à sua defesa e conservação como culto da memória desse passado que por mais remoto que seja é como que um ADN identificador do percurso da humanidade.

E, porque uma coisas, chamam outras e, nenhum de nós, se pode abstrair por completo do meio em que vive, saltou-me ao espírito a evidência, de como, também, são “sacralizados” pela fé os caminhos que, na nossa terra, evocam, envolvem ou conduzem ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Eles são bem as margens de uma corrente de vida, de um rio de esperança, que as gerações e gerações de peregrinos e penitentes que por eles, não em procura de deuses pagãos ou ídolos como desde o Paleolítico até à Idade do Ferro, e de outras épocas posteriores as margens do Douro registaram, mas, desde 1837 da nossa era cristã as percorreram e percorrem para louvar a Deus.

Só o amor e o conhecimento sacralizam os lugares se o coração dos homens tiver dimensão para o entender e alma para agradecer o dom da Vida respeitando as memórias do passado que serão inevitavelmente os suportes do conhecimento do futuro - se o soubermos merecer.

Destruir ou vandalizar, de qualquer forma, o que a história reconhece como memória viva e herança para o futuro, é deixar vazio, sem alma, o caminho sacralizado que recebemos por herança.

“ O essencial é invisível aos olhos “ disse Sant – Exupéry

E, como o Princepezinho, jamais me cansarei de o repetir e procurar entender…

 

                  Maria José Rijo

 

 

P.S.

Prometi voltar quando pudesse. Calhou agora.

E, se Deus quiser, pode calhar de vez em quando.

Obrigada ao “Linhas”e, aos Amigos que me “ cobravam”o silêncio

                                 Maria José

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publicado por Maria José Rijo às 21:40


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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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