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Com a verdade te engano...

Sábado, 30.04.11

 

Á lÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº1951 – 29 de Julho de 1988

COMA VERDADE TE ENGANO

 

Sempre me encantou o poder de concisão de alguns  (quase todos) rifões populares.

Daí que muitas vezes, frente a algumas situações de vida, eles me ocorrem, como etiqueta expressiva, para as classificar  e definir.

Foi assim, no sabado, com o Concerto de Musica de Câmara  que o Quarteto de Cordas da

Gulbenkian realizou na sala Públia Hortensia de Castro.

Infelizmente, estes acontecimentos são bem raros na nossa Cidade e a assistência 

a alguns deles é, por vezes,  tão escassa que insistir é sempre um risco para quem os promove.

No sabado passado, porém, a sala estava repleta o que foi motivo de agrado para os
excelentes artistas que nos visitam e de Parabéns para quem teve o  bom gosto de assistir.

Engraçado porém, (quase anedótico) pode considerar-se a imagem que, desta circunstancia,
poder intuir de Elvas o estrangeiro, que por casualidade, esteve entre a assistência.

Por certo que ao voltar à sua Patria levará consigo a lembrança de uma linda cidade
antiga, rente à fronteira, cercada de muralhas, onde à noite, na sala nobre  de uma preciosa Biblioteca escutou
boa musica entre uma assistência  atenta a que não faltavam  adolescentes.

Talvez conte, com agrado que a funcionária que o atendeu na Biblioteca lhe forneceu em inglês as informações solicitadas…

Talvez, até, que ao voltar à sua terra, cite como exemplo de actividade cultural, o serão que viveu entre nós…

Se assim for – do que viu – com a verdade se engana e enganará – porque - a ilusão do que poderia e deveria ser – se confundir,

por uma vez, com o que foi.

De qualquer modo, para além do mais é bom, que de vez em quando, o que se sonha, aconteça para manter viva a esperança.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:31

Agradecimento

Quarta-feira, 20.04.11

 

Queridos Amigos e Familiares

 

Não posso deixar de, para além de vos desejar uma Santa Páscoa, vir, também, agradecer os parabéns que de todos recebi, no dia dos oitenta e cinco.

Desejo muito ter ainda oportunidade de, especialmente para cada um de vós, como o vosso carinho me merece dirigir uma palavrinha em particular.

Acontece que entre dentista, cardiologista, e… finalmente oftalmologista tem corrido o meu tempo em procura das soluções para cada situação.

Resolvidos que estão os problemas e “assumida a digestão da consequente ressaca”, espero que o milagre da Ressurreição me toque e que do Alto me venha a ajuda para retomar o meu caminho costumeiro.

Com esse desígnio no coração - de agradecimento pela vida e pela amizade -  pus a Nossa Senhora as rosas que de vós recebi.

 Delas guardarei a lembrança e para todos deixo com ternura e gratidão um forte abraço

Vossa do coração

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:40

Histórias com receitas e mezinhas - 10

Quinta-feira, 14.04.11

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.118 - 14 de Abril de 2011

Histórias com receitas e mezinhas - 10

 “A sopa de feijão com funcho e bolo na panela”

 

 

 

Naquela época do ano em que chegamos à Terceira, entre as muitas plantas que bordejavam a estrada, que ligava o aeroporto e a cidade de Angra, predominavam as “bela donas”, em flor, que de um lado e de outro acompanhavam os vinte e quatro quilómetros do percurso, pode dizer-se – sem falhas.

Soube mais tarde que lhes chamavam “meninos da escola” por aparecerem com o começo das aulas.

Para além da beleza, o perfume intenso, impunha-se.

O motorista do táxi, simpático, logo, logo, pareceu-me até bonacheirão, percebeu imediatamente que éramos “do Continente” e foi falando, falando, “atirando a rede.”

Eu bebia a paisagem com os olhos, e, embora pouco atenta apercebia-me do monólogo.

“que os açorianos acima de tudo eram portugueses e, só açorianos depois, que o governo de Lisboa, parecia não saber isso, e mais isto, e mais aquilo, com seu tom jovial de mal disfarçado queixume ...

Comentei – para mudar de tema - a quantidade de melros que esvoaçavam quase rente ao chão por entre as plantas e, fui informada que dantes era, também, assim com os canarinhos, mas que um elemento da Força Aéria - do Continente – esclareceu, levara pardais para a ilha e que os pardais comeram os canarinhos a ponto de quase os extinguirem.

 

 

 

Os prados eram verdes repartidos em rectângulos como gigantescos panos de bilhar, o ar era fresco e doce, tinha chovido havia pouco e dois arco-iris riscavam o céu.

Tudo era perfeito, mas, curiosamente senti-me parte dos “ pardais invasores”pois que qualquer coisa na forma, embora delicada de falar, me alertou para esse “pecado original de ser do Continente”.

Verdade que ali era Portugal, acima de tudo; que éramos portugueses, mas não deixávamos de ser alentejanos caídos do céu bem longe do nosso canto, o que refinava e agudizava a nossa atenção a tudo quanto nos rodeava.

Afinal, a adaptação foi fácil, embora o sentimento captado “ab initio”, não se desvanecesse de todo.

Em alguns muros e paredes ainda permaneciam, os letreiros meio apagados de - fora com os continentais! – como vestígios do 25 de Abril.

E… assim começaram quase quatro anos de vida feliz, em que se criaram amigos que estes trinta anos passados permitiram conservar e estimar apesar do tempo e das distâncias.

 

 

Trocaram-se experiências, conhecimentos, sofremos unidos o

sismo de 1980, fizemos refeições em comum com comidas típicas das nossas  regiões  de origem, e, em troca da receita da nossa sopa de carne com grão, vagem e batata ( das comidas de ganhão) que fez as delícias do paladar de todos , sem excepção, recolhi a receita do feijão com funcho e bolo na panela que é realmente – típica da Terceira – e deliciosa com seu quê de gosto a anis.

“ Sopa de feijão com funcho e bolo na panela”

Coze-se o feijão no caldo das carnes de porco – chouriço, chispe, magrão, orelha, (o que houver), e também as “batatas da terra, as batatas doces, e o funcho migado em abundância como se faz para caldo verde .

Quando este cozido estiver pronto retira-se-lhe uma boa porção de caldo que se côa e, com o qual se escalda uma mistura de farinha de milho e de trigo, na proporção de duas de milho para uma de trigo. Amassa-se com o caldo que se vai acrescentando à medida que for necessário até se puderem tender os “bolinhos”do tamanho e almôndegas, que se põem a cozer dentro do caldo das

carnes e do feijão.

Vai depois a sopa do feijão à mesa, acompanhada com as carnes partidas, numa travessa, rodeadas pelas batatas e pelos bolinhos deste maravilhoso manjar, genuinamente açoriano.

 

 

  Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 10:54

Em dia de anos

Quarta-feira, 06.04.11

Dia 6 de Abril, quarta-feira

 

um passeio pelas Olaias

 

 

 Juromenha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:45

A “celestial” sopinha da panela - 9

Sexta-feira, 01.04.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.116 de 31 de Março de 2011

Histórias com mezinhas e receitas -- 9

A “celestial” sopinha da panela

 

A luz que a cozinha recebia, provinha do pátio e entrava pela porta que se mantinha aberta o dia inteiro, quer chovesse, quer ventasse ou, lá fora, o calor do sol derretesse até as pedras da calçada!

Para o pátio abriam as portas da casa do forno e de todos os quartos da habitação. O pátio era o centro da casa do senhor Padre que vivia com sua Mana solteira que continuava a fazer e vender pão, como já haviam feito seus pais e seus avós.

Daí que pairasse sempre por ali a incensar o ar, um vago e convidativo cheirinho de pão quente.

    

 A cozinha era enorme e funda. Logo à direita da entrada era a parede lateral de uma enorme chaminé, que fazia uma espécie de pequeno corredor que desembocava no aposento propriamente dito.

Verão e Inverno o lume de chão estava sempre aceso e embora possa parecer improvável, nunca, quer o calor, quer o frio, eram excessivos. O clima ambiente mantinha-se temperado, acolhedor.

Sempre que lá se entrava tinha-se a sensação de o fazer numa enorme e arrumada despensa, até pela semi-obscuridade que nos envolvia.

Ao fundo da casa onde, centrada, estava uma enorme mesa comprida rodeada de cadeiras de fundo de bunho( bem à alentejana), uma cómoda antiga com uma imagem de Nossa Senhora, uma jarra cheia de flores e na parede um Cristo pregado na cruz.

Sobre a mesa de jantar, como decoração, bonitos canjirões antigos, de louça das Caldas, com água e vinho sempre à “descrição” dos da casa ou seus convidados.

 

A toalha de linho grosso, branca como de um altar, tinha em volta uma bonita renda de pontas tecida a duas agulhas. Era peça de enxoval. ( Foi-nos confidenciado)

Dentro da chaminé podia-se andar à vontade, porque era ampla e tinha o “pano da cimalha”bastante alto.

De um lado e de outro do lume arrumavam-se cadeirinhas baixas e “burros” para os mais friorentos.

Ao fundo, encostado “à boneca” um grosso madeiro a que se amparava para arder a lenha miúda que se guardava de reserva no  lado exterior da chaminé e, em redor, uma panóplia de trempes   sustentando utensílios de barro, panelas e cafeteiras. Havia também panelas de ferro e cafeteiras de latão de tamanhos diversos, conforme as necessidades da casa.

Os móveis eram modestos, sem pretensões a ser mais do que eram realmente: suporte para pratos e travessas ou quaisquer outras necessidades de serviço.

Foi neste ambiente que, depois da procissão, como de costume, foi servida a refeição.

Com cuidado a Mana levantou o testo da panela maior sem a retirar do lume, arredando-a apenas, e, com a colher de concha, foi enchendo a terrina que havia de ir à mesa com um caldo suculento e tão perfumado que - disseram os circunstantes –“parecia coisa celestial”.Num dos móveis do lado já estavam duas cestas cheias de tangerinas e laranjas e uma grande travessa de arroz doce para a sobremesa e, sobre a vasta mesa as cestinhas de pão já fatiado para cada qual usar para a sopa, a quantidade a seu gosto e, um prato, com fartos e recendentes ramos de hortelã para o remate perfumado da iguaria.

 

Veio a receita:

“Está sempre pronta a qualquer hora. Temos a panela ao lume com as carnes. É a galinha, (das nossas) o toucinho entremeado da barbela do porco, um ossinho da suã, bom chouriço, uma cebolinha pequena e depois, deixar ferver, ferver, mais nada.”

 Isto era dito enquanto dispunha as carnes numa grande travessa para ir à mesa, indiferente a um pequeno ratinho que passou a correr junto a seus pés e se esgueirou para detrás da lenha…

Com o mesmo tom de voz, alertou:

“Mano! Temos que fechar a gata em casa à noite, já andam aí os musganhitos outra vez!”

Realmente a receita só podia ser celestial porque este cenário, é coisa de outro mundo!...

 

    Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 10:15





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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