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Entre mim e as palavras correm rios

Domingo, 29.05.11

.

Sei que o meu choro - é um choro escusado
por isso o meu choro é invisível,
silencioso
calado
Nem o conto em palavras,
porque elas nunca estão do meu lado
entre mim e as palavras, correm rios
que criam margens
que me separam de mim
me dividem
e me deixam assim a querer juntar-me
sem saber em que lado
Sei que o rio me leva até à foz!
mas aí
p'ra quê a voz?

.

 

Maria José Rijo

24 de Maio de 2011

 

 

 



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publicado por Maria José Rijo às 11:12

Um Jornal de há 4 séculos...

Sexta-feira, 27.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.839 – 30 de Maio de 1986

A La Minute

UM JORNAL de Há 4 séculos

 

Quem nos diria que há quatro séculos já havia um Jornal denominado “Gazeta dos Desportos”??

Parece impensável?

Vejamos então:

Será que se admite como possível que qualquer redactor de um jornal não distinga as cidades das vilas ou aldeias do seu próprio país?

Impensável?

Pois… quem já leu por duas vezes, em pouco tempo, escrito na Gazeta dos Desportos – Vila de Elvas – referindo uma cidade que tem, nessa qualidade, mais de quatro séculos de existência, só pode pensar que o dito é, consequentemente, anterior ao século XVI!

Ou não será assim?

 

Porque, - de duas – uma :

Ou há um mínimo de preparação – instrução primária – (onde já se aprende geografia politica que baste para saber quais as cidades do nosso país) – que se exige a quem escreve em jornais de futebol ou, o doutoramento na matéria vem já de tão longe no tempo, que antes de Elvas ser cidade, o que aconteceu a 20 de Abril de 1513, já este jornal se editava. Apostando nessa hipótese, julgo que o que nos chegou ás mãos foi qualquer transcrição ou fotocópia – (moeda mais recente) – de velho e precioso manuscrito! E, daí que o nosso pasmo seja tamanho quanto a nossa confusão.

Naqueles tempos, era usado pergaminho como hoje se usa o papel.

Só não sabemos, se, já então para tal se curtia a pele de burro.

Talvez! Porque duas vezes seguidas a mesma imperdoável calinada é qualquer coisa que excede o que é razoável aceitar por lapso!...

 

Maria José Rijo

 

 

ATENÇÃO:

Para conhecimento dos interessados, nesta citação parcial:

 

“… e vendo a grandeza da nossa notável e muito honrada Villa de Elvas, e como a sua povoação e nobreza vay louvores a D.S., cada ve em mayor crescimento, povoada de bons fidalgos, e cavaleiros, e outra gente de merecimento e q. estão sempre aparelhados pª. Nos servir com armas, homens e cavallos, e como por todas estas raões he coiza justa…….”

(( carta de el-rei D. Manuel, de 20 de Abril de 1513, elevando Elvas à categoria de cidade))

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publicado por Maria José Rijo às 10:08

Ninguém Sabe...

Quarta-feira, 25.05.11

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.005 – 25 de Agosto de 1989

A La Minute

Ninguém sabe…

 

Estive de férias. Andei uns dias por fora e, se me distraio, quase que perdia, o jeito de viver subordinada aos esquemas que quebraram os meus velhos hábitos de rotina.

Trago desta pequena aventura de “dolce far-niente” algumas lembranças para reter.

 

Uma, de alegria – ganhei, um presente - um exemplar de uma edição de 5000, que a Câmara de Cuba

mandou fazer – e de pronto se esgotou – da obra de Manuel de Castro – o poeta de quem já tenho falado e do qual todo o cubense se orgulha. Um amigo, acautelou, para me oferecer a pequena colectânea e, com esse gesto, deu-me ainda mais gosto do que ele próprio teria pensado.

Lendo e relendo “As Deixas” não para de crescer em mim a admiração por aquele homem, quase analfabeto, crente, quase místico, apaixonado pela natureza, tolerante com o seu semelhante e de inteligente lucidez critica, em relação ao meio que o cercava, que torna a obra quase “biográfica” da sociedade envolvente e que à força de meditar – como se pode depreender, até por alguns dos motes que glosou procurava entender e amar a vida para além do sofrimento e da pobreza que lhe foram fiéis até à morte.

                  http://cuba.no.sapo.pt/paginas/cuba-interesse/cuba-mata.htm 

                               

  “ É rica, tem nome fino

É pobre, tem nome grosso

É rica, teve um menino

É pobre, pariu um moço.

De intuitiva filosofia:

Sino coração de aldeia,

Coração sino da gente

Um a sentir quando bate,

Outro a bater quando sente.

 

 

 Ou de um lirismo de grande clássico:

 

Varejai, varejadores

Apanhai, apanhadeiras

Apanhai os bagos de ouro

Que caem das Oliveiras

Ou:

Já não posso ser contente

Tenho a esperança perdida

Ando perdido entre a gente

Não morro nem tenho vida

 

Ou, ainda, com ironia:

 

Ó moças, queiram-me todas,

Que o meu pai é muito rico,

A fortuna do meu pai

Leva-a um pássaro no bico.

 

 

Outra recordação é de pesadelo – a maré negra!

Ver o mar mais asqueroso que um esgoto sujo exalando um cheiro quase asfixiante a petróleo.

Ver as rochas onde as crianças brincavam e identificavam exemplares pequeninos da fauna marinha que na maré baixa ficavam retidos nas lagoazinhas, que se formam em todas as cavidades, a escorrer alcatrão!

Assistir ao êxodo de gaivotas e maçaricos como para anunciar que a vida ali morrera! – E, tudo isto numa zona que se poderia considerar – sem favor – de reserva ecológica – é coisa que jamais se esquece – e ninguém sabe se Deus poderá perdoar!

 

Maria José Rijo

 

                                                                             

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publicado por Maria José Rijo às 00:23

Valha-me o Sr. da Piedade

Domingo, 22.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.877 – 27 de Fevereiro de 1987

A La Minute

Valha-me o Senhor da Piedade

 

 

Estão a decorrer as celebrações dos 250 anos da fundação do Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Dito assim, parece apenas uma comemoração como tantas mais.

 

Parece! – Mas é diferente.

 

O Senhor Jesus da Piedade e Nossa Senhora da Conceição – são os protectores celestiais da grande família elvense. São esperança e conforto de cada um de nos.

Tudo se lhes pede e confia. Paz, Vida, Saúde, Amor.

E desde protecção para a carga do “honrado ofício” de contrabandista, até à imunidade dos porcos

contra a peste, tudo se comparticipa com a sua divina misericórdia.

Deles porém, tudo se aceita!

“Graças a Senhor Jesus da Piedade – aconteceu…”

“A Senhora da Conceição fez o milagre…”

Ou – “O Senhor não quis…” – “A Senhora não poude…” Temos que ter paciência!

O Senhor da Piedade e a Senhora da Conceição são Pai e Mãe – Esperança e Guias.

 

As suas Igrejas caiadas, sem pompas das pesadas e nobres catedrais convidam à intimidade familiar.

São bem a casa onde não nos constrangem os fatos de trabalho, o sacho debaixo do braço, o xaile velho, a bota enlameada, a roupa do dia a dia, o sapato cambado.

E se este amor confiante, este passar à porta e entrar, esta “obrigação” de ir lá fazer o sinal da cruz ou depois do passeio domingueiro na tarde de sol, se isto – não é sinal de fé – de fé espontânea, verdadeira e irresistível … então valha-me o Senhor Jesus da Piedade – que eu não sei o que é.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 13:52

Histórias com receitas e mezinhas - 12

Quinta-feira, 19.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº - 3.123 – 19 de Maio de 2011

Histórias com receitas e mezinhas - 12

“A papa substancial”

 

Meus Avós paternos, ao fim de alguns
anos de casados, convencidos de que não teriam descendência adoptaram uma menina ainda vagamente aparentada.

Logo nesse ano nasceu meu pai e dois anos após, minha tia Feliciana Isabel, sua única irmã.

Cresceram os três juntos - o Lico, a Tita, e a menina a quem chamavam “mana”.

[lico+e+Tita.jpg]

Meus Avós morreram novos, meu pai e
minha tia ficaram órfãos ainda crianças e, passando a viver com os tutores,
perderam-se de sua “mana”que, já mulherzinha, regressou à família de origem.

O tempo passou, não se esqueceram uns
dos outros e, logo que tiveram autonomia para tal, procuraram-se durante anos
até que aconteceu o reencontro que os tornou felizes, já sendo meu Pai, por
essa data casado e minha irmã e eu, em idade escolar.

Começaram então as visitas recíprocas.

A prima, assim lhe chamavamos, já de
certa idade, era alegre, brincalhona e, como fora professora e estava habituada
a crianças prestava-nos muita atenção o que nos encantava.

 

Tinha  filhos, já homens, fortes e espadaúdos, que faziam um perfeito

 contraste com minha irmã e comigo que pertencíamos à categoria
dos “trinca espinhas”.

[10anosescola.jpg]

 Achou-se ela então no dever de alvitrar remédio para tal
magreza recomendando a “poção mágica” com que criara a sua prole.

Assim uma vez que pernoitamos em sua
casa preparou-nos o “tal” pequeno almoço substancial.

Acontece que eu não suportava papas de

farinha mas, bem advertida por minha Mãe de que tal não deveria confessar
porque não gosto ou não quero, não eram expressões aceitáveis na boca, de
meninas educadas, comecei a engolir o pitéu com a alegria de quem bebesse um
purgante.

 

Porém, olhando pela janela descobri uma mosca na vidraça,

e  no momento em que a prima se ausentou por instantes,

 com a cumplicidade de minha irmã,
levantei-me da mesa, e com a cortininha da vidraça matei a mosca que
rapidamente deitei dentro do prato da papa já meio comida.

Quando a prima voltou, com um jeito contrito,
desculpei-me e suspirei aliviada julgando-me livre de comer mais.

Então, solícita, a prima mandou que me retirassem o prato e voltassem a servir.

 Nunca mais esqueci esta história que ainda agora me faz sorrir.

 

Aqui fica a receita do caldo substancial
que, reconheço , até é saboroso, nas proporções relativas à dose de quem o
servia a toda a família…

 

Farinha de trigo torrada------1.kg

Farinha de aveia --------------5oog

Farinha de fava ---------------5oog 

Farinha de batata ------------500g

Farinha de arroz --------------500g

Fosfato de cal ------------------ 50g

Cacau --------------------------500g

 

Pode fazer-se com água ou com leite e
adoçar com mel ou açúcar.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:43

Parabens Gus

Quarta-feira, 18.05.11

 

 Não é Pégaso o amado das Musas

se o fora

esta saudação seria o poema

que não aconteceu...

Mas é belo - como é bala a amizade

a ternura e o apreço que lhe trazemos

neste abraço especial de 18 de Maio.

.

Tia Zé e Paula

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:21

Um conto recontado

Segunda-feira, 16.05.11

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.051 – 13 de Julho de 1990

CONVERSAS SOLTAS  

Um conto recontado

 

Nesta premeditada reconquista do meu espaço de liberdade e reflexão, fruindo tranquila, os meus tempos de silêncio – vêm-me à memória pessoas, factos, histórias e tudo o mais que constrói e diferencia, o percurso de qualquer vida.

Há pouco tempo, na Manta-Rota, sentada num terraço olhando o mar, naquelas horas em que, se calhar, até os camaleões dormem a sesta nas pioneiras – porque no Algarve, no Verão, é um forno – e o resto é lenda – fui alertada por um barulhinho intermitente. Olhei e vi que provinha de duas flores de buganvília, já secas, que a brisa marinha arrastava sobre a tijoleira do chão.

Ocorreu-me então, uma daquelas historinhas que vou recontar e que antigos contavam às crianças, quando a educação era feita em família e cada qual, guardava depois, vida fora, de suas origens, um cunho de formação particular e próprio – quase como uma marca de qualidade moral.

Eram intencionais, mnemónicas, romanceadas para gravar mensagens, que serviriam, como balizas de comportamentos futuros.

 

“Dois lenhadores encontraram-se certa vez, no mato, bem longe do povoado. Eram de há muito inimigos. Travaram-se de razões, a discussão azedou, e um deles matou o outro à facada.

Antes de sucumbir aos ferimentos, disse o moribundo:

- Tu pagarás! – que Deus tudo Vê!

- Quem me acusará, se ninguém está aqui para contar?

Só se forem estes carrasquinhos – disse escarninho o assassino, dando um pontapé nas humildes ervas, e deixando o infeliz a agonizar, regressou à sua vida como se nada tivesse acontecido.

O crime ficou impune e foi esquecido por não se ter descoberto o seu autor.

Anos depois, num dia de grande temporal, ficou o lenhador em casa por não poder trabalhar. A certa altura, da valeta da rua, já cheia pela enchurrada, entrou-lhe por debaixo da porta um bocado de carrasquinho que as chuvadas arrastaram desde o campo até ali.

Ao vê-lo o homem começou a rir, num riso mau, lembrando-se do crime que em tempos cometera.

Intrigada com o destempero das gargalhadas, a mulher, indagou-lhe a causa e ele, revelou a velha história como quem conta uma anedota divertida.

Nessa noite, a mulher, não conseguiu adormecer com a tristeza e, ao outro dia ao varrer a casa apanhou do chão o carrasquinho ficando a olha-lo e a chorar pensativamente.

Então decidiu-se e, com a insignificante erva na mão, foi contar o caso às autoridades.”

 

Afinal o mudo carrasquinho, com a ajuda do vento e da chuva viera, do passado, dar testemunho dum crime que  só o céu presenciara.

 

Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:22

Há qualquer coisa que falha

Sábado, 14.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.889 – 22 de Maio de 1987

CONVERSAS SOLTAS  

Há qualquer coisa que falha

Quando há pouco tempo fui, finalmente, cumprir uma visita de há muito prometida – a dona da casa tinha à minha espera – uma guloseima que, em crianças costumávamos saborear com muito apreço.

Aceitei, agradeci, e porque se tratava de fruto tropical, pouco vulgar - como um natural reflexo, perguntei – e para ti?

Então a minha amiga, comovidamente, disse:

- Ora aí está a pergunta que nem os meus netos, nem os amigos deles, hoje fazem!

E acrescentou alguns judiciosos comentários mais, sobre o assunto.

Falou-se depois de mil coisas várias mas, desde esse dia, que cá por dentro, aquele comentário me obriga a observar e a reflectir!

Tem razão a minha amiga!

A criança hoje é rainha das atenções, e porque há qualquer coisa que não bate certo – é quase sempre – um soberano absoluto, despótico, cruel e quase tirano.

Penso que a criança pode ser rainha por direito, pode e deve, mas como tal deverá conhecer deveres que essa soberania impõe e, acima de todas as obrigações que lhe cabem, deverá estar o respeito pelos “súbditos” que a cuidam, a tratam, a protegem, a alimentam, a instruem e a educam.

Se das crianças se respeitam - e muito bem – os direitos – às crianças deverá ser ensinado o conhecimento dos seus próprios deveres.

Num velho livro de escola doutros tempos, havia uma lição, contada em verso, sobre a história de um cacho de uvas que uma mãe dera a um filho, e começava assim:

 

“ a mãe dera ao filho

Um belo cacho de uvas,

Dourado pelo sol

E regado pelas chuvas…”

 

O filho, lembrando-se do pai, para ele o guardou, que por sua vez, a pensar na mulher também não o comeu.

Desta forma, sem palavras, à sobremesa do jantar, felizes, entre os três repartiram os bagos dourados que cada um, de per si, achara impossível saborear, sem repartir com os restantes membros da família.

Bem vistas as coisas, esta é a politica do Amor, que mais do que qualquer outra – ou acima de todas – sempre há-de formar o Homem Bom.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:39

Histórias com receitas e mezinhas - 11

Quinta-feira, 05.05.11

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 3121 --  5 Maio de 2011

Histórias com receitas e mezinhas - 11

 “O ensopadinho à pastora"

 

 

 

 

Eram tempos de pobreza aqueles anos 30, 40.

 

Quando a idade já tolhia o movimento das pernas e as mãos deformadas pelo trabalho duro e pelas artroses já se negavam a obedecer cumprindo até as simples tarefas rotineiras, os pobres ficavam dependentes da caridade alheia, pedindo de porta em porta.

 

A mendicidade era a sua reforma.

 

O pão, o queijinho duro com seu travo de cardo, as “zétoninhas, um “cadinho de toicinho”, uns torresmos das comedorias, uma açordinha no Inverno, uma boa vinagrada no Verão, eis o sustento frugal dos pastores e assalariados que cuidavam da lavoura por esse Alentejo a dentro.

 

Se, porém pernoitavam nos montes lá os esperava para a ceia a “gravançada” aconchegante e quente condutada com a”bóia”que os patrões forneciam à discrição.

 

Este ritual só era quebrado no Natal, ou em festas de casamentos ou baptizados em que se sacrificavam alguns “bicos” da criação para a canja e cabidela, ou algum borrego que os patrões oferecessem para o ensopado do domingo de Páscoa.

 

Então a garotada que vivia de pão na mão, às vezes já bem duro de roer, untado com banha e açúcar nos dias mais fartos, sonhava longamente com o perfume que havia de emanar da panela a fervilhar no lume de chão.

 

E, era o motivo da conversa ao serão num gozo antecipado da anunciada abundância sempre ausente no dia a dia comum.

 

As crianças chegavam a brigar querendo que pai e mãe dissessem quem serviriam primeiro, quem comeria mais sopa, quantas presas de carne ganharia cada um.

 

Às vezes iam deitar-se a toque de sopapos dos pais para calar os acalorados despiques.

 

  Chegado o dia colhiam um belo ramo de hortelã, nem que fosse silvestre, à beira da ribeira, ou mansa no “crinchoso”onde também criavam salsa, erva cidreira e coentros as leiras de alhos e cebolas e outros temperos.

 

Sendo parcos os proventos, parca de temperos teria que ser a receita, porém engenhoso como poucos, como se fizesse o milagre dos pães o gostoso ensopado à pastora iria render para vários dias porque o caldo farto e o pão lá estariam de facto para a multiplicação…

 

 

Ensopado à pastora

 

Põe-se a carne partida em bocados ao lume numa panela com água temperada de sal.

 

Quando a água começa a ferver a carne começa a espumar. Com a colher de pau, ou com a escumadeira vai-se retirando essa espuma que se rejeita e deita fora.

 

Quando deixa de espumar, tempera-se o caldo com umas goladas de azeite, dentes de alho e umas folhinhas de louro. Deixa-se ferver até cozer. Então, acrescentam-se batatas cortadas às rodelas.

 

Quando estiverem também cozidas o petisco está pronto para ser deitado, a ferver, sobre as sopas de pão cortadas finas com seus fartos ramos de hortelã a incensa-las.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:10

Dia especial o de hoje...

Domingo, 01.05.11

 Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como
estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve
Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e
agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão
eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra
que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de
minha Mãe...

 

Sebastião da Gama 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:30





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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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