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A História da Formiguinha

Sexta-feira, 24.06.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.901 – 14 de Agosto de 1987

A Lá Minute  

A História da formiguinha

 

Olhar o mar dá o sentido de vastidão do horizonte sem fim, faz meditar na vida.

Ver e ouvir correr a água de um rio, é bom, conforta, embala, dá sentido à reflexão.

Ver e ouvir a água
despenhar-se em cascatas é belo, mas assusta, arrepia, impressiona como nascer
e morrer.

Escutar continuamente o pingo da torneira mal vedada, desgasta – é irritante – perturba,

alucina.

 

Pensava estas coisas,
como fundo de outras que se me impõem dia a dia.

O sentido da distância, de passado e do futuro, é como um mar onde é largo o horizonte.

Para o mar, vai o rio sem o saber. Vai, apenas, porque nasceu para ser rio, e é rio sem querer.

Atropela-se, gorgorejante e esgueira-se ligeiro na garganta apertada entre os montes.


Espraia-se largo e manso nos vales convidativos que se abrem no caminho.

Quase se para, então, e se finge logo pachorrento.

Deixa-se espelhar à superfície – que a aceitação consola e descansa – mas, lá no fundo,

 a corrente mantém-se viva – que quer ser rio – é isso mesmo de procurar o mar à força,
para o ser.

Nada lhe tolhe o caminho. Atreve-se em
 saltos. Despenha-se de alturas com fúria suicida, para precipícios insuspeitos.

Deixa que lhe chamem cascata, açude – mas não pára – segue. Segue porque foi rio

que nasceu do ventre da terra e a sua vida, se bem que inscrita num leito de percurso

sobre rochas, montanhas ou vales leitosos, só pode e sabe contar a história do rio
que sonha o mar.

Trava-o a barragem, o dique, a mão do homem que o escraviza a destinos novos por ele

inventados para o domar e dele se servir.

Só o homem lhe tira a alegre paz de correr.

O homem, que, às vezes deixa sossobrar em si próprio o sentido da vida e de largo, de

horizonte sem fim, que colhe do rio…

 E é o pingue, pingue, irritante e persistente da torneira que goteja, lembrando que pouco

a pouco se pode poluir o rio que corre, e o mar que o espera – que faz do dique, que estanca o

sonho da vida do homem, que é capaz de travar o rio que segue para o mar que o aguarda…

E foi então que pensei na formiguinha frágil que interroga o mundo com pasmo:

 

“ … Oh, sol! – tu que és tão forte que
derretes

a
neve e a neve tão forte que gelou

a
minha patinha”

 

E assim, numa
lenga-lenga de dor, pergunta a pergunta, resposta a resposta, a história de
espanto da formiguinha acaba como todas as histórias desta vida:

 


Mais forte é Deus que tudo cria!”

 

 

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:59

Parabens Luciano

Terça-feira, 21.06.11

 

Não sei se ainda recebe o Linhas de Elvas para estar a par
das inovações que por cá acontecem.

Elvas está no Guiness com um bacalhau dourado de dimensões faraónicas.

Foi um sucesso!

http://youtu.be/9ziX61afLMY

Inesperadamente a nossa cidade pode voltar ao Guinness porque
não consta que se festeje o Carnaval nos Santos Populares, como no sábado- 18
de Junho – por cá aconteceu.

Não acredita? Aqui está o testemunho fotografico.

 Aqui fica este bom  motivo para se rir no dia dos seus anos.

Com muitas saudades, um grande abraço de  Parabéns  

da sua velha amiga

Maria José

...

 

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publicado por Maria José Rijo às 02:34

Histórias com mezinhas e receitas - 14

Quinta-feira, 16.06.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.127 - 16 de Junho de 2011

Histórias com mezinhas e receitas - 14

O xarém

 

Uma das comidas mais conhecidas do Algarve é o xarém.

Afinal, xarém, é apenas a designação árabe dessa comida vulgar mas muito apetitosa que são as papas de milho.

 

Minha Mãe era algarvia o que me proporcionou desde criança um conhecimento, posso dizer, íntimo, com alguns usos e costumes dessa região, porque observados ou, vividos em família.

Recordo, muito pequena ainda, de ter estranhado, numa propriedade de uma das minhas tias, ver dar pratinhos de milho e outros cereais de esmola aos pobres que, naqueles tempos assediavam montes e povoados.

 

 

 

Lembro-me de perguntar porque davam às pessoas comida de galinhas e, de me explicarem que um pouco daqui, outro pouco dali, juntariam milho para moer para as papas, ou cereais para venda ou troca por outros produtos.

Afinal o milho equivalia, como base de alimentação, ao pão que, naco por naco, no Alentejo, permitia aos pobres juntar para as sopas da açorda.

Hoje, o xarém , tem cotação alta em restaurantes e casas típicas.

Hoje, o milho já se vende moído, pronto para o petisco que da mesa do pobre passou a iguaria digna de mesa requintada.

 

No Algarve, de há mais de meio século, em todas as casas havia para aparar a farinha, um “caparão” (cesta de empreita que as mulheres entrançavam com palma, que colhiam no campo, abriam, molhavam e manuseavam com sabedoria. No caso, uma espécie de esteira redonda com cerca de sessenta centímetros de diâmetro com bordos baixos) onde se colocavam as pequenas mós com as quais, em cada casa se moía dia a dia o milho necessário para as papas que eram a base da alimentação popular.

 

 

A forma da confecção era: - um pouco de banha de porco, água e quando morna, em chuva, a farinha, para não encaroçar, um pouco de sal, deixar ferver mexendo sempre, e acrescentar a água necessária, a pouco e pouco até cozer a farinha e adquirir a consistência necessária.

Assim se davam as papas às crianças com mel ou açúcar por cima, e assim se comiam com peixe frito, charrinho limado, com torresmos, ou sem acompanhamento conforme a bolsa do consumidor.

Entretanto, tal como a açorda no Alentejo, as papas subiram de estatuto e vulgarizaram-se também as formas mais requintadas de as confeccionar

“Xarém com baile de roda”

 

Faz-se um refogado de cebola com um dentinho de alho em azeite ou banha de porco. Junta-se-lhe água de cozer as conquilhas, ou as amêijoas e, ou, qualquer outro marisco – ou vários -  morna, não quente, então, mexendo sempre, junta-se a farinha em chuva e vai ao lume continuando sempre a mexer, para não criar grumos até a farinha estar cozida, retira-se então do lume, juntam-se os miolos das conquilhas, amêijoas ou o que for, e bastantes coentros picados, mistura-se bem e assim vai à mesa.

Em certas regiões do Algarve não tiram a casca às amêijoas e porque vão, ao comer colocando as cascas em redor da borda do prato, dizem: - xarém com baile de roda.

 

Nota: convém coar sempre a água da cozedura do marisco para evitar meter areia…

 

          Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:05

Quem conta um conto...

Terça-feira, 14.06.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.035 – 23 de Março de 1990

A La Minute

Quem conta um conto…

 

 

O grande meio de expansão das histórias tradicionais através dos tempos, foi a oralidade.

Raramente os contadores de histórias as saberiam escrever e, o facto de ter sido de boca em boca,

sem forma fixa, que elas passaram de geração em geração, se algumas vezes as
empobreceu outras, também, as poderá ter enriquecido. Não é em vão que se afirma que,
quem conta um conto, lhe acrescenta um ponto - o que equivale a dizer que assim as
histórias se irão reformulando indefinidamente.

Quase todas as lendas e
contos têm um fundo comum, fazendo até pensar que umas se enraízam nas outras e
que foi ao serem interpretadas e transmitidas através de varias épocas e
sensibilidade, que tomaram um pouco a feição dos povos e gerações que as

Saber ler, à luz de épocas passadas, teve “cotações” variadas.

Foi, até, também, considerado como um sinal de falta de nobreza.

Dos regulamentos militares, já neste século, ainda constava uma velha clausula

que obrigava  “dever o sargento saber ler, pois podia o oficial ser fidalgo e não saber ” .

Assim, a leitura, poderia ser mais um serviço que a plebe prestava à fidalguia.

Talvez até, que por circunstancias destas, o termo escriba, que em rigor pode

significar: - doutor de lei tenha sido usado, muitas vezes, com sentido pejorativo

 para designar escrevinhador de bagatelas.

Sempre houve tendência de alguns para fazer parecer menor a obra de outrem.

Mas, reparo agora nos “pontos” que já à juntei à historieta que nem sequer contei ainda…

-- Um piolho aborrecido
por sugar sempre o sangue do mesmo involuntário hospedeiro, antes de mudar para
outro recomendou à família:

“Se vos disserem que
morri entre unhas arranjai testemunhas.

Se vos disserem que
morri em água quente esperai-me sempre.

Se vos disseram que
morri no lume de algum lenho não me espereis,

que já cá não venho… ”  

 

Fosse esta história de agora impossível seria até ao sábio piolho

enumerar as marcas de produtos que ameaçam qualquer um da sua espécie.

De qualquer modo se esta historieta pode valer um sorriso, também merece alguma

atenção pela maneira jocosa que usa como denúncia dos hábitos de miséria que refere.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:54

Em dia de Aniversário - de Aristeu

Sexta-feira, 10.06.11

 

 Para matarem saudades -

 um pouco

do nosso Alentejo

....

 

 em dia de quinta -feira de Ascenção.

por esse motivo as Papoilas, o trigo,

a oliveira, os malmequeres

com toda a simbologia

do "Raminho da Espiga"

 

..

Que como sabem se oferece nesse dia desejando

alegria, pão, paz e dinheiro.

Votos que aqui ficam hoje com um abraço

grande de Parabéns

da Tia Zé e Paula

Beijinhos para as pequeninas

no seu primeiro aniversário.

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Lembranças da Guarda

Quarta-feira, 08.06.11

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.900 – 7 de Agosto de 1987

A La Minute

LEMBRANÇAS DA GUARDA

 

 

Com todo este calor é mais fácil, para mim, ficar aos sábados e domingos no sossego do meu canto, cuidando de coisas que descuro durante a semana, ou projectando trabalhos a fazer.

Como já não sou tão jovem que só sonhe futuro, muitas vezes me surpreendo a avaliar e comparar coisas passadas.

É esse um grato privilégio dos anos – amealhar experiência.

Hoje, a propósito de não sei o quê, lembrei-me da cidade da Guarda onde as tílias e as roseiras mais tarde do que na nossa região, e onde mesmo nos meses mais quentes de Verão, pelas manhãs e tardinhas, corre um arzinho que fala de serra e altitude.

Dai que tivesse evocado aquele dia de S. Pedro de 1986 quando pelas fontes, serra acima, vultos de mulheres saiam das sombras dos castanheiros frondosos, e ofereciam à cobiça de quem passava, colares fartos, entrançados como resteas de cebolas, mas feitos de cerejas maduras e carnudas, vermelhas e apetitosas como pecados.

Recordei depois as minhas longas manhãs de lazer (ainda não tinha casa) passadas a calcorrear, palmo a palmo, cada rua, cada recanto, fazendo a escolha dos “melhores lugares” para os anos que lá vivesse.

Um dos que mais me agradava, era um pequeno parque com uma velha casa senhorial, abandonada, com as paredes de granito recobertas de trepadeiras e musgos, que a humidade ambiente mantinha verdinhos e macios.

Do outro lado da rua havia um muro baixo.

Sentava-me lá e ficava tempo e tempo a “habitar” aquela casa com os fantasmas de amor que, como toda a gente, trago comigo.

“Via” minhas tias fazendo renda por detrás das vidraças.

“Via” fumo a sair das chaminés,

“Via” as minhas crianças a correr pelo parque por entre as árvores com o cão, na brincadeira…

 

Notei então que uma mulher de pobre aspecto, passava por ali à mesma hora todos os dias, e pousava por instantes a lata dos desperdícios que carregava, sobre o muro, para descansar.

Uma vez sentou-se a meu lado. Sorriu com modéstia e disse com simpática curiosidade:

-- V. Exª., não é de cá?

Confessei que não, mas que estava encantada com a terra dela.

-- Obrigado! – Respondeu e insistiu – De onde é V.Exª.?

Elucidei-a. Então, quase como a desculpar-se disse-me com amabilidade:

-- Nunca saí daqui, não conheço a terra de V.Exª., mas é, concerteza , também muito bonita !

E enquanto, comovida, eu lhe agradecia, ela com a lata à cabeça a brilhar como uma coroa, foi ao seu destino, e eu guardei-a comigo até agora!

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 12:09

Página de diário – 4

Sábado, 04.06.11

.

 

Muitas vezes dou comigo a falar para mim como se na verdade aquela outra para quem falo e, com quem até discuto, caminhasse a meu lado.

Sei, por saber de experiência de vida, que já não sou capaz de me empoleirar em bancos, mudar as lâmpadas dos candeeiros do tecto e muitas outras tarefas tão rotineiras e insignificantes que só identifico, agora, porque me estão interditas. São aquelas coisas que não se contam porque não têm história, não enobrecem, não distinguem, são tão, tão, vulgares, tão apagadas quanto necessárias, que passam sem que se vejam, e só a incapacidade de as executar, as faz identificar.

Só por emergência voltarei a conduzir. O trânsito nas ruas antigas é às vezes uma aventura e a consciência das limitações que, noutras áreas se me impõem leva-me a fazer escolhas por prudente antecipação.

Quando me é necessário “subir ao povoado” uso um táxi e, no  regresso, a descer, gozo o caminho pedra a pedra, árvore, por árvore, com passos miúdos, lembrando os meus tempos de namoro a caminho do jardim e as olaias de cuja ausência, o chão guarda as cicatrizes. Faltam tantas! Paro e fecho os olhos procurando reviver emoções a cuja lembrança me acolho como a um porto solitário mas, são o lastro da minha estrutura como gente. Rezo de saudade pela bela pimenteira que durante mais de cinquenta anos roçava as folhas pelas nossas cabeças quando ao passar naquele caminho…

Venho sempre na esteira da alegria que sentia ao meter a chave na porta chamando por quem me esperava.

 

 

 

Às vezes, nesse gozo íntimo de lembrar coisas felizes, choro. Então insulto-me: - tonta! Nunca mais hás-de ter juízo. Para quê lágrimas!

Chorar faz mal aos olhos…e, ninguém volta ao passado ainda que o carregue consigo.

Então, suspiro fundo, e deixo que a cor e os cheiros me invadam os sentidos. O trajecto é breve, a estrada com o seu imparável movimento traz-me para a realidade

Carrego no botão, o trânsito pára e eu ganho a “outra margem”num passo acelerado como se o tempo me perseguisse.

Sinto-me cansada.

Admoesto-me! – Quem te manda andar a mexer “nos guardados”! – Quem?!

Resolvo atravessar o jardim para serenar.

A floração das olaias está no auge.

Ergo os olhos agradecendo a bebedeira de beleza e cor que me oferecem.

Cada dia é um dia e há momentos gloriosos.

Se os que mandam tivessem tempo para escutar o próprio coração as cidades cresceriam sem ofender o passado como os troncos das árvores que engrossam sobre si próprios. Mas as árvores não conhecem dinheiro, não fazem negócios, nem lutam por poder...

Apenas apontam para o céu.

O meu passo é seguro, mas dentro de mim a minha alma cambaleia entre o amor e a dor de viver…

É bom ter o nosso canto.

                                      

MariaJosé Rijo

Fevereiro de 2011

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publicado por Maria José Rijo às 10:00

“O debulho” - 13

Quinta-feira, 02.06.11

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.125    2- Junho  2011

Histórias com mezinhas e receitas 13

“O debulho”

 

Não pudemos passar o Natal, no Continente, aonde tínhamos vindo por umas curtas férias.

Deixamos a família a acenar no aeroporto e, lá fomos, rumo à Terceira, com uma sombrazinha no coração por estarmos na véspera do primeiro Natal que iríamos passar longe da família.

Cada um de nós fechado nos seus pensamentos, apenas esboçava breves sorrisos quando nos olhávamos como se cumpríssemos um código de silêncio. 

Era dever, era dever.

Mas… há deveres prazeirosos e há deveres dolorosos e, aquele era desses.

A viagem de avião, não era longa. Já era rotineira. Esperava-nos a nossa casa no “Pico da urze”onde, aliás, até gostávamos de viver.

O sítio era bonito, era num alto, e, das traseiras tínhamos para regalo do olhar, os cercados, como se fora o nosso quintal, com a placidez dos prados verdes até perder de vista.

Completavam o cenário as vacas que mudavam de cerca em cada dia para que a pastagem se fosse renovando.

Olhá-las, dava paz. Pachorrentas, tranquilas deitavam-se a ruminar com aqueles seus grandes olhos parados como se fixassem qualquer coisa que só elas viam.

Vinha o tratador pela manhã e pela tardinha, mudava-as de cerca, deixava-lhes a ração e partia.

Comiam, dormiam e pariam, soltas, no prado dia e noite. Por via de regra tudo corria bem, mas também vi nascer vitelos mortos e sob a carinhosa troça de meu marido acompanhei, rezando sem descanso a pedir ajuda aos santos protectores dos animais, alguns desses acontecimentos.

Quando foi do cismo em 1980 vi-as correr desvairadas para o cimo do cerro saltando as pedras que rolavam dos muros que se desmoronavam e, com elas, na correria, ratos e toda a bicharada que por ali vivera oculta até então.

Foi uma visão de fim de mundo.

Mas… o que eu me propunha contar é que à chegada, à nossa casa tínhamos uma terna surpresa à nossa espera.

A senhora que nos ajudava trabalhando para nós, a querida Daria, que após o cismo emigrou, tinha-nos deixado uma cesta cheia de camélias sobre a mesa, com prendinhas de “São Nicolau” e, na “frisa,” como ela também dizia, uma refeição de festa, completa, incluindo o bolo de Natal típico da Terceira.

Claro que me desfiz em lágrimas enquanto meu marido sorria chamando-me piegas, mas com os olhos brilhando húmidos, que eu bem vi...

Então, agora, nesta mostra de receitas, que guardo na minha lembrança como cartas de amor atadas por laços de fita, ao desdobrar, para partilhar, mais esta, para que nada lhe falte, pedi pela Internet, a essa Amiga que nunca esqueço, que, do Canadá, me desse a confirmação de como se prepara o “debulho”que fazia parte do abraço de amizade que nos aguardava nesse inesquecível regresso a Angra.

É com o “debulho” que se recheia o peru pelo Natal, embora também possa ser usado como iguaria, como um paté, desde que cozinhado em tabuleiro e depois utilizado como qualquer outro alimento, ou, até, como prato frio para piqueniques e merendas.

 

                                     Debulho

Cozem-se os miúdos das aves. Coração, moelas, “gargalos”, (pescoços) chouriço, e, se houver, algumas aparas de bife ou de outras carnes. Depois de cozidos com tempero de cebola e alho, desfiam-se as carnes .

Faz-se um refogado com cebola , alho uma folhinha de louro e azeite.

Quando pronto juntam-se as carnes picadas e uma porção de pão migado já demolhado e bem amolecido com caldo da cozedura dos miúdos. Refoga-se tudo muito bem.

Moe-se depois tudo junto e mexe-se misturando muito bem. Juntam-se dois ou três ovos para ligar, conforme a porção.

Então tempera-se com noz moscada e pimenta.

 Verifica-se o sal. Juntam-se os fígados moídos em cru

e, já fora do lume, azeitonas descascadas partidas aos bocados.

Pode ir então ao forno em tabuleiro untado para cozer os ovos e alourar por cima.

Come-se como recheio ou acompanhamento do peru assado, ou como qualquer paté.                             

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 17:57

Bilhete Postal - Ao Diogo - NATAL

Quarta-feira, 01.06.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.970 – 23 de Dezembro de 1988

A La Minute

BILHETE POSTAL – Ao DIOGO

 

 

Como Cartão de Boas Festas endereçado à cidade, o Coral “Públia Hortênsia de Castro” , cantou na inauguração da exposição de Presépios que a Câmara está a oferecer à cidade no edifício do Museu.

Como cartão de Boas-Festas endereçado ao Coral, deixo hoje, aqui, este Bilhete de Natal.

 

Sabendo, como sei, que este grupo de coralistas unidos pela amizade, abnegação, espírito de sacrifício e amor à sua cidade de Elvas – se assume como uma família que junta reza e encanta – ponho na direcção que é a de todos, apenas um nome “DIOGO”.

Assim, aquele nosso companheiro – (que embora convalescente ainda não pode “alinhar”) sentirá para consolo do seu coração que está presente no coração de todos os demais ao receber estas amigas palavras de Boas-Festas repassadas da grata admiração que a todos dedica a

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:22





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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