Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
V - Aniversario do Blog
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PAGINA DE DIÁRIO VI
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Este blog, que a minha querida Paulinha criou, completa hoje cinco anos.
Ora acontece que logo ao fazer-lhe a minha primeira visita, vi, com surpresa e agrado que, por acaso, isso acontecera na data, sempre presente da partida para outra dimensão de um poeta cuja obra conheci através de dois grandes amigos, seus e meus, também escritores de nome - Matilde Rosa Araújo( com o seu Palhacinho Verde entre as cem obras portuguesas do séculoXX) e, João Falcato autor de Fogo no Mar – reportagem da tragédia que viveu a bordo do paquete Melo - que serviu de tema à tese de doutoramento de Matilde e, que, espero, ainda venha a ser reconhecido como importante contributo na literatura neo-realista
Mas…cada opinião vale o que vale e a minha é apenas motivo desta conversa.
Ora, pretendia eu explicar que, dadas estas circunstâncias, me pareceu justo e oportuno celebrar a efeméride homenageando, o que nunca por demais será feito, a memória de: Sebastião da Gama.
Já agora, a talho de foice, conto que a última carta que recebi de Joana Luísa, sua viúva, traz no canto esquerdo do envelope, no remetente a seguir ao seu nome um parêntese que diz: - “com saudades do Alentejo” e, só depois a direcção, que já não é: Largo do Espírito Santo 2,2º

(Da nossa casa o Alentejo é verde
É atirar os olhos: são searas,
São olivais, são hortas…)

Foi de Estremoz, onde escreveu:” Encarcerar a Asa “-
(“E vá de não perceber que o fato preto do grilo já é outro, já não é o seu fato de trazer: o grilo agora está de preto, porque está de luto. De luto por si mesmo” - que Sebastião saiu para não voltar.
Este texto tem a data de 25/1/52 – a outra é 7/2/52
Um abraço grato - Maria José
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