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SE ...

Terça-feira, 21.08.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.990 – 12 de Maio de 1989

A La Minute

SE…

 

Há muito tempo que me sinto tentada a falar de uma tradução do “if” de Kipling, feita por Félix Bermudes que conservo na minha papelada desde os anos 40.

Não sei se a tradução está feita à letra, ou se pelo contrário, ela se subordina ao espírito do poema, e lhe é mais fiel, por ser mais livre.

O que sei – do que tenho a certeza – é que nela encontro um inesgotável tema para reflexão onde muitas vezes surpreende, verbalizadas de forma perfeita, emoções que se chocam dentro de mim.

Hoje, ao ler a notícia do Manuel Carvalho, talvez porque ela está tecida em torno de uma

interrogação, senti como se a pergunta me fosse também endereçada – apeteceu-me dar-lhe um abraço amigo, porque o estimo e acredito na sua sinceridade, e responder-lhe com alguns excertos do “if”.

 

“Rumo certo”? interroga.

Sim! – Rumo certo – se: - como diz Kipling.

“Se pode conservar o teu senso e a calma

Num mundo de delirar, p’ra quem o louco és tu;

Se podes crer em ti, com toda a força d’alma,

Quando ninguém te crê; …”

 

“Se podes resistir à raiva ou à vergonha

De ver envenenar as frases que disseste

E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha

Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;”

 

“Se és homem p’ra arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado

E calando em ti mesmo a mágoa de perderes

Voltar a palmilhar todo o caminho andando;”

 

“se podes dizer bem de quem te calunia;”

“Se quem conta contigo encontra mais que a conta…”

 

Cito, sem ser ordem, o que sei de cor, porque como é óbvio é o que me diz e aquilo a que mais me atenho.

De qualquer modo estes “ses” condicionantes, são balizas ideais numa vida onde, como todos sabemos sempre, haverá condicionantes que podem limitar ou abrir horizontes.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:05

Parabens Avelino

Sábado, 18.08.12

.

 

.

Aqueles a quem queremos bem

estão sempre connosco

mesmo quando o silêncio aparenta

dizer o contrário !

.

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:06

Também não gostei !

Sexta-feira, 17.08.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.875 – 13 de Fevereiro de 1987

A La Minute

TAMBÉM NÃO GOSTEI!...

 

Estava muito ronceiramente a curtir a segunda gripalhada que este meu Pelouro Camarário me deu de presente este ano, quando chegaram os jornais cá do burgo.

A semana passada nem redigi a minha coluninha. Vim do Castelo que nem uma sopa, por ter ido dar apoio a uma equipa de televisão que se propõe divulgar interesses de Elvas, e porque, entre essa excurção e o meu regresso a casa, se meteu uma ida à Maternidade, e mais coisas e loisas que nos consomem de preocupações, quando a correr vim fazer o almoço, já tinha a roupa seca e esta “generosa” constipação. Digo generosa porque me obrigou a cumprir uma necessidade a que me ando a escusar em demasia… descansar!

Mas, dizia eu… li os jornais e a certa altura parei, pensando: - Ora, não é que meia dúzia de palavras. Trocadas informalmente com um interlocutor desconhecido, me aparecem ali à beira da fonte de Barbacena – em letra de forma!

Ninguém, me preveniu de tal intento, mas, valha a verdade – é rigorosamente exacto, ter eu dito o que lá se conta.

Não gostei do tom da notícia – mas, aceito-a com a mesma compostura que Barbacena teve de aceitar um postal que não a satisfaz.

Não peço desculpa – porque não é caso disso. Se o fosse pediria. Cultura também obriga a isto: - à capacidade de aceitar o reparo, de o ponderar, e de não o rejeitar com arrogância – ainda que não estando inteiramente de acordo com ele.

Não é minha norma responder ao que de mim se diz. Também não é meu costume desdenhar críticas e tomar por bom o que é agradável, e por mau o que não afaga o meu amor-próprio.

Como toda a gente, tenho uma linha de consciência a que me atenho, e com ela me entendo.

Porém, desta vez tenho vagar e conto o resto da história.

Faz um ano esteve entre nós outra equipa de televisão para fazer filmagens sobre Elvas. Porque permaneceram por cá alguns dias e se tratava de especialistas de promoção turística confidenciamos o desejo de fazer divulgação das belezas de todo o concelho.

Gratos pelo acolhimento recebido propuzeram-se, desde que a Câmara apoiasse a venda, realizar nos moldes usados para Coimbra e Figueira (creio) – uma serie de postais para promoção do concelho de Elvas – que à consignação deixariam para venda no Posto de Turismo – e que são de sua exclusiva elaboração e responsabilidade.

Assim que, fizeram o trabalho, na forma mais rentável, dentro da sua óptica de empresários.

Agora que surge o reparo até o acho bairristicamete razoável.

Há sempre diferentes formas para olhar as mesmas coisas com as mesmas boas intenções.

Ao que ouvi e li – Barbacena não gostou!

Eu também me surpreendi com uma “entrevista” que não sabia que tinha dado e não gostei.

Esta vida é mesmo assim!

- Amarga e doce.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 09:20

Elitismo

Segunda-feira, 13.08.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.018 – 24 de Novembro de 1989

A La Minute

ELITISMO

 

Claro que tenho lido as entrevistas dos diferentes candidatos às próximas eleições autárquicas.

É mais fácil, para mim, do que ficar horas presa da rádio, e, dá-me para reler, que é como quem em conversa dissesse:

- espera lá! – espera lá!  -repete isso outra vez!

Logicamente vou formando a minha opinião, tirando conclusões como é a atitude normal de qualquer cidadão comum.

A cada coisa – por certo – de acordo com a própria formação – dará – qualquer de nós o valor que lhe parecer justo.

Assim, se me disserem, que às sextas-feiras, à meia-noite, passa à minha porta uma bruxa a voar montada numa vassoura acreditarei ou não, conforme a capacidade que eu tiver de separar a ficção da realidade, a miragem e a ilusão da verdade palpável.

Sempre entre o que se diz e o que se ouve, houve e haverá a qualidade de quem conta e de quem escuta, como condição fundamental para se fazer uma boa história ou – apenas – o que agora importa: a História.

Não querendo, nem pretendendo, meter-me em debates partidários, nos quais não estou interessada; não me parece justo que só por temor às pedradas que se entrecruzam nos ares, me acomode ao silêncio que permite propagar informações infundadas, que não beneficiam ninguém.

Chamar de elitista um Grupo Coral de composição bem heterogénea, onde, desde o Maestro aos componentes ninguém ganha e que “paga” com o desconforto de deixar a braseira no Inverno e o passeio descansado à fresca, no Verão, as horas de disciplina a que se submete – sem outro lucro – que não seja o gosto de cantar e o brio de engrandecer a sua terra – era – parecia-me impensável.

Dizer que o faz a expensas da Câmara só porque esta lhe empresta o espaço para ensaiar (porque ao contrário de todas as outras instituições – nem tem sede própria!) – parece, além de imprevisível, quase maquiavélico.

Que estas informações saiam a público na presença de um vereador da nossa Câmara – recuso-me a classificar – porque ele sabe como é lamentável que o tenha permitido, sem contestar, sabendo a verdade, como sabe.

Achar elitista uma Escola de Música, contestá-la e querer negar-lhe o direito de vida e mérito porque a cidade tem uma banda e um rancho! – isto é apenas linearmente – falta de senso!

Valha-nos Deus!

Daqui a pouco quererão exigir que se escolha entre infantários e Universidades como se fossem valores semelhantes correspondendo às mesmas necessidades.

Cada coisa tem o seu lugar na vida, a sua oportunidade no tempo e as suas funções específicas.

Enquanto toda e qualquer espécie de ensino não for obrigatoriamente gratuito por se considerar o acesso ao saber um direito tão fundamental, como o direito à saúde e ao trabalho, teremos que optar pela solução pontual dos problemas locais.

Quando candidatos a uma Câmara confundem essas situações e em lugar de questionar as falhas do sistema lamentam apenas, por lhes parecer desnecessário o que se gasta na promoção de Cultura – então eu digo com eles:

“Elvas merece melhor”

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:12

Reportagem

Terça-feira, 07.08.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.049 – 29 de Junho de 1990

A La Minute

REPORTAGEM…

 

Estive na exposição do Palácio da Ajuda. Ainda bem que lá fui, porque, vale a pena não perder.

Durante um certo tempo segui a guia. Depois, aborreci-me.

Há uma grande diferença entre olhar, ver e sentir.

Isto, é isto – aquilo, é aquilo – não chega para perceber o mundo em que nos deslocamos.

Cada objecto tem que ser “namorado” até ser entendido. Este, não outro, porquê?

Que ligação há entre umas coisas e outras?

Não me parece, que seja preciso ver todos, como quem verifica um rol. Mais importante é encontrar o fio condutor da meada e fazer um percurso pensado de identificação.

Trata-se de D. Luís. Depois de jornais, revistas e televisão terem, com artigos e reportagens, mostrado e falado quase sobre tudo, estava criado o clima, e ir lá, era para mim a oportunidade de entrar na fila para o beija-mão real.

Era apenas ir ao encontro da sensação, respirar o ambiente e, assim foi.

Lá estavam brinquedos e jóias, colecções e pinturas, objectos de uso, desde toalhas de rosto a prosaicos móveis criados para esconder utensílios de higiene mais íntimos.

Espólios de vidas – de homens que foram reis – de crianças que nasceram príncipes – de rainhas que foram mães e mulheres bem ou mal amadas.

É, como sempre nestes casos, uma exposição bela e triste.

Tão triste como será guardar o brinquedo preferido da criança que partiu para viagem sem regresso.

E tem que ser criança porque a desesperança só cresce onde a esperança morrer. Mas, isto é outra coisa!

O que eu queria contar era a breve conversa entre dois elementos da excurção que contratara a guia.

Estavam juntos e parados frente à vitrine com a colecção dos cachimbos de D. Luís, acabados de ver pratas, louças e cristais na mesma sala.

Então, uma voz azeda e irónica elevou-se – não! – Elevou-se não é o termo, espetou o silêncio a dizer:

- Juntavam fortunas os reis – tal era isso!...

Logo calmamente com segurança alguém respondeu:

- “Não levaram nada p’ra casa – o que juntaram está aqui – é o recheio dos nossos palácios…”

Indiferente, a cicerone continuou: - este é de todos os tectos do palácio da Ajuda o mais conseguido. Como já devem ter reparado as pinturas imitam o céu, é aquilo a que os franceses chamam: “trompe – L’oeil”.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:30





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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