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Elitismo

Segunda-feira, 13.08.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.018 – 24 de Novembro de 1989

A La Minute

ELITISMO

 

Claro que tenho lido as entrevistas dos diferentes candidatos às próximas eleições autárquicas.

É mais fácil, para mim, do que ficar horas presa da rádio, e, dá-me para reler, que é como quem em conversa dissesse:

- espera lá! – espera lá!  -repete isso outra vez!

Logicamente vou formando a minha opinião, tirando conclusões como é a atitude normal de qualquer cidadão comum.

A cada coisa – por certo – de acordo com a própria formação – dará – qualquer de nós o valor que lhe parecer justo.

Assim, se me disserem, que às sextas-feiras, à meia-noite, passa à minha porta uma bruxa a voar montada numa vassoura acreditarei ou não, conforme a capacidade que eu tiver de separar a ficção da realidade, a miragem e a ilusão da verdade palpável.

Sempre entre o que se diz e o que se ouve, houve e haverá a qualidade de quem conta e de quem escuta, como condição fundamental para se fazer uma boa história ou – apenas – o que agora importa: a História.

Não querendo, nem pretendendo, meter-me em debates partidários, nos quais não estou interessada; não me parece justo que só por temor às pedradas que se entrecruzam nos ares, me acomode ao silêncio que permite propagar informações infundadas, que não beneficiam ninguém.

Chamar de elitista um Grupo Coral de composição bem heterogénea, onde, desde o Maestro aos componentes ninguém ganha e que “paga” com o desconforto de deixar a braseira no Inverno e o passeio descansado à fresca, no Verão, as horas de disciplina a que se submete – sem outro lucro – que não seja o gosto de cantar e o brio de engrandecer a sua terra – era – parecia-me impensável.

Dizer que o faz a expensas da Câmara só porque esta lhe empresta o espaço para ensaiar (porque ao contrário de todas as outras instituições – nem tem sede própria!) – parece, além de imprevisível, quase maquiavélico.

Que estas informações saiam a público na presença de um vereador da nossa Câmara – recuso-me a classificar – porque ele sabe como é lamentável que o tenha permitido, sem contestar, sabendo a verdade, como sabe.

Achar elitista uma Escola de Música, contestá-la e querer negar-lhe o direito de vida e mérito porque a cidade tem uma banda e um rancho! – isto é apenas linearmente – falta de senso!

Valha-nos Deus!

Daqui a pouco quererão exigir que se escolha entre infantários e Universidades como se fossem valores semelhantes correspondendo às mesmas necessidades.

Cada coisa tem o seu lugar na vida, a sua oportunidade no tempo e as suas funções específicas.

Enquanto toda e qualquer espécie de ensino não for obrigatoriamente gratuito por se considerar o acesso ao saber um direito tão fundamental, como o direito à saúde e ao trabalho, teremos que optar pela solução pontual dos problemas locais.

Quando candidatos a uma Câmara confundem essas situações e em lugar de questionar as falhas do sistema lamentam apenas, por lhes parecer desnecessário o que se gasta na promoção de Cultura – então eu digo com eles:

“Elvas merece melhor”

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:12





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