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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Ponderemos

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.993 – 6 Novembro de 2008

Conversas Soltas

 

 Li com a maior atenção a entrevista que o Senhor Presidente da Câmara deu ao jornal Linhas de Elvas.

Li, e acredito que o mesmo terá acontecido com a maioria dos elvenses, e, como eles, fiz os meus juízos e tirei conclusões.

Nestas épocas em que se aproximam eleições é costume vigorar o - a mim – a mim - e mostrar-se cada qual de santo milagreiro, o que afinal nenhum de nós pode ser.

E, porque a época é de assinalável gravidade, manda-me o bom senso da minha já longa caminhada ponderar sobre o que li.

Não sou, nem me considero inimiga de ninguém, menos ainda do Senhor Presidente, a quem reconheço qualidades de liderança, raras pela determinação e coragem com que empreende e executa os seus desígnios.

Também sei a pouca importância que tem o meu parecer, porém, por dever de cidadania, não me escuso a torna-lo publico pois que não tendo eu compromisso com qualquer Partido, nem dependendo da Câmara a minha subsistência, nada me vincula a algo mais do que a liberdade de o fazer com consciência e respeito pela minha verdade, e pela verdade alheia.

Há “factos” indesmentíveis que na entrevista são apontados – a saber: - o saneamento financeiro, as infra-estruturas enumeradas, e muito mais que está à vista de todos.

O Senhor Presidente Rondão Almeida, deixa atrás de si vastas obras.

Só há um mas...qual a utilidade de algumas delas e, porque preço e, à custa de quê, e de quem, funcionam.

Quando o Senhor Presidente afirma com orgulho que não paga horas extra, não está esquecido que em publico confessou ter começado as suas poupanças – o fermento da sua fortuna - por esse meio...

Então! - é bom ? - Ou mau?

Nem sempre, nem nunca! – Seria o certo.

Todos sabemos à custa de quem funciona o seu Coliseu.

Mas, alguém sabe quanto custaria o seu funcionamento e manutenção normais? - E, será justo que - os funcionários do Município -  em dias de feriado, sábados e domingos, - cumprem 10 e mais horas de trabalho  “forçado”  sem receber, sequer, ajudas de custo – quando a Câmara oferece banquetes, por deita cá aquela palha, a meio mundo ?...

Havendo tanta abundância, porque está o centro histórico a cair? Então porque não há verba disponível para guardas que mostrem os monumentos – que continuam encerrados?

Porquê e para quê transferir para fora de portas toda a vida activa e deixar esboroar o castro?

Havendo tanto - porque foram precisas as mais valias dos empreiteiros que permitiram arrasar quintas, hortas e olivais com tão discutível critério!

Deve-se filiar nesse excesso o facto de ser apontado – como refere - aos seus mandatos o tal exagero de cimento armado.

Ouço, afirma-se à boca cheia, que a construção é tão exorbitante, que mau grado as falências, nos próximos 50 anos nada se necessita construir em Elvas – tal o exagero cometido.

Às vezes, muitas vezes, sempre, no meu caso, os reparos não são mais do que DOR por ver vulgarizar, banalizar, o que era nobre, austero, mas distinto, e teria podido continuar a sê-lo, se, se tivessem procurado outros meios para atingir fins que são legítimos - como é o progresso - que por vezes, não é atingido da melhor forma - como é evidente, quando a cura deixa mais cicatrizes do que a doença.

Não me admira que renegue o “tal laguinho”. Eu própria, quando o vi a substituir o magote de contentores de lixo que por ali “estacionavam” o saudei! Terá acontecido, a mais gente, outro tanto. Porém, depois de bem pensado - ambos reconhecemos  (como agora confessa) que aquilo  foi, e é, uma obra descabida!

O mal? – São as decisões em cima do joelho... na humaníssima ânsia de fazer tudo, de vencer, ser o melhor, de encantar...e esse é um respeitável intuito que se lhe reconhece com justiça.

Mas, aquele, é mesmo o lugar da fonte que de lá era, e é, desde que pela primeira vez nela correu a “água das amoreiras”...e se aguarda lá retorne,

(nem sei quem de lá a tirou!)

São as tais boas intenções...que se esquecem de levar em conta que, aquilo que gostámos de ver algures, pode não servir à nossa porta, mas, em nenhuma circunstância – justificam -  ameaças e perseguições pelo “crime” de opinião divergente.

Cada caso, é um caso e Elvas é única!

Em Elvas tudo tem de ter a perfeição do cinzelado, do requinte, da minúcia.

Prédios como o que substituiu o do Grémio da Lavoura, logo à entrada, frente às Portas de Olivença – não mais, por favor, se é que ainda se quer Elvas, reconhecida, como Património.

Nem as desajustadas fontes da Rua da Cadeia...nem...nem...nem...

Enumerar para quê?

Bem basta o que já é irrecuperável, e a todos doe.

Espero que se entenda que - não é a pessoa - que essa respeita-se e, até pela coragem e determinação se admira – o que está em causa - é  o preço a pagar pela atitude violadora dum futuro que assim se compromete - de um todo - que se queria harmonioso e puro e alguns arrebiques  descabidos  vão destruindo... Trata-se de ELVAS.

  Ás vezes, é melhor nada fazer, do que fazer obra atabalhoada de encher o olho, mas fora do contexto e atentatória de um formal equilíbrio que existia e, se perde irremediavelmente.

Creio que o Senhor Presidente, também se terá arrependido de outras coisitas mais...

Li algures que, em algumas cidades, se estão ligando por dentro pequenas casas contíguas, que modernizadas no seu interior propiciam espaço e conforto e, porque as obras não alteram as fachadas, não atentam contra o genuíno da época a que pertencem, assim se respeitando a sua clássica fisionomia.

Poderá ser uma solução! - talvez...quem sabe?...

Mas... o que aqui me trouxe foi, e é, a minha inquietação pelo Parque da Piedade e a pressão que, do que leio e ouço, verifico pesar sobre a Confraria.

Sempre os Irmãos zelaram com honra e brio pelo património à sua guarda. Sempre o cuidaram e engrandeceram através de gerações.

Não se puderam defender daquele “chapéu” de casario que puseram ao Santuário, – e o IPAR – já condenou, nem do “susto” de fealdade que é aquela escadaria...é certo!

Que os guarde Deus de perderem da memória o que foi e agora é a Quinta do Bispo, e mantenham o seu rumo com coragem, não vá o pavimento duma romaria secular - no campo, a céu aberto - –  virar calçada ou alcatrão...ou outras coisitas mais que depois serão irreversíveis...

Que se reflicta com bom senso, são os meus votos.

Que não haja braços de ferro, que esses não abraçam fraternalmente ninguém...e o Homem é irmão do Homem...

Elvas, merece o nosso amor e a nossa conscienciosa humildade

Ponderemos.                                       

 

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