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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Evidentemente...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.901 – 18 – Janeiro – 2007

Conversas Soltas

.

 

Evidentemente que quando se ouve dizer, como eu ouvi, num noticiário da televisão, que os doentes que chegam subnutridos aos Hospitais são um problema porque custam muito dinheiro ao Estado...

Evidentemente que, enquanto se falar de subnutrição, avaliando-a – apenas - em termos económicos...sem fazer o seu estudo como enfermidade social da nossa responsabilidade...

Evidentemente que quando se consegue dar, como natural, sem pudor e sem vergonha, uma notícia destas traduzindo-a em custos, como se a Saúde ou a Vida, tivessem preços de saldo... 

           

Evidentemente que enquanto for seguida esta política de saúde, o aborto é um direito de escapatória às responsabilidades que – também – pode advir do exemplo de desresponsabilidade que o Estado a todos oferece.

Evidentemente, que o aborto, pode ser, infelizmente, tão necessário, como ter que amputar um membro para sobreviver, ou qualquer outra cirurgia que faça morrer qualquer parte do nosso corpo – para nos preservar a Vida.

Evidentemente!

Evidentemente que a lei actual, já pondera casos em que se justifica a sua prática

Mas...                       

Se assumimos que a escolha entre o sim e o não – generalizada - pode ser nossa através da oportunidade que nos dá esse acto cívico que é o referendo. Se assim o assumirmos...

                       

Recolhamo-nos ante a grandeza do Amor verdadeiro.

Do Amor responsabilidade.

Do Amor cumplicidade.

Do Amor sacrifício.

Do Amor devoção.

Do Amor compromisso.

E pensemos com humildade de consciência que valores queremos legar a quem tem que enfrentar no futuro as consequências das nossas decisões – de agora.

Não tratemos o desejo sexual como Amor.

Não confundamos sentimentos com instintos.

                     

O Amor é um sentimento imenso, profundo, não é uma atracção ligeira que se substitui a cada passo por outra.

 Se bem que o sexo, seja no amor uma forma de expressão de afecto, de comunhão de sentimentos, de entrega, O AMOR – é: (como escreveu RILKE em Cartas a um Poeta): “a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado para mais vastos horizontes.”

                 

Será, então, justo promover a idolatria do sexo onde o que importa é o prazer sem compromisso e sem responsabilidade?            

 Será lícito reduzir a mera pornografia a relação sexual entre o homem e mulher?

Será lícito o aborto como solução fácil, como borracha que apaga os efeitos, como fuga à responsabilidade? – Será?

Ou será moralmente mais coerente, e politicamente mais honesto criar leis que implementem a educação sexual, protejam as grávidas e co-responsabilizem também os pais, já que é -sempre- entre pai e mãe que o filho é gerado.

Será que já não é por demais evidente que o aborto, é e será sempre um caso de consciência, um problema individual, para o qual não pode haver leis exteriores? – Como não há para o suicídio. São decisões de foro íntimo, de sanidade ou insanidade mental, de integridade moral, de dignidade e de coragem ou de medo na assunção das consequências dos actos praticados.

“ Tremes carcassa vil; mais tremerias se soubesses onde vou levar-te!” disse a si próprio um rei que assim controlava o medo de ir para a guerra onde o dever o impelia a ir e , mesmo tremendo, foi.

The Ironworkers Noontime - Thomas Pollock 

Será que os economicistas que certamente já deitaram contas em dinheiro a quanto vai custar cada aborto, alguma vez pensaram quanto custa em sequelas psíquicas, em deformação psicológica, meter na rotina o aborto como um - licito - acto trivial?

Não seria mais lógico e mais humanamente honrado, em lugar de submeter as mulheres à trágica humilhação do aborto, “educar” um Estado, que promovesse a cultura da Vida e desse o exemplo da coerência e da responsabilidade?

Penso que sim.

               natal_anjos01.jpg

Tinha este apontamento escrito desde antes do Natal. Tinha, e ponderava a sua publicação, ou não.

Ontem, dia 13 de Janeiro de 2007, no noticiário das 20, vi o Dr. Jorge Coelho, e ouvi da sua boca, mais ou menos o seguinte, como argumento a ter em conta para o sim ao aborto:

“Não é justo que as mulheres que abortam sejam julgadas e a decisão de serem mandadas para a cadeia dependa da boa ou má disposição dos juizes!...”

Claro que não reproduzo a frase “ipsis verbis”, porque interpretação de justiça tão “sui generis” me confundiu! - Porém, no seu todo, a citação está correcta.

Jorge Coelho, disse isto sorridente.

Seria humor? Se assim era, aconselho-o: - aprenda a fazer humor inteligente com “o Gato Fedorento”, e escolha temas capazes de fazer rir! - Porque, atrevo-me a pensar que – até, qualquer estátua da porta de qualquer tribunal de justiça, ficaria hirta de pedra, com a graçola, se já o não fosse...                   

Decidi então, publicar o que, há tempos, havia escrito.

 

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