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Evidentemente...

Sábado, 22.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.901 – 18 – Janeiro – 2007

Conversas Soltas

.

 

Evidentemente que quando se ouve dizer, como eu ouvi, num noticiário da televisão, que os doentes que chegam subnutridos aos Hospitais são um problema porque custam muito dinheiro ao Estado...

Evidentemente que, enquanto se falar de subnutrição, avaliando-a – apenas - em termos económicos...sem fazer o seu estudo como enfermidade social da nossa responsabilidade...

Evidentemente que quando se consegue dar, como natural, sem pudor e sem vergonha, uma notícia destas traduzindo-a em custos, como se a Saúde ou a Vida, tivessem preços de saldo... 

           

Evidentemente que enquanto for seguida esta política de saúde, o aborto é um direito de escapatória às responsabilidades que – também – pode advir do exemplo de desresponsabilidade que o Estado a todos oferece.

Evidentemente, que o aborto, pode ser, infelizmente, tão necessário, como ter que amputar um membro para sobreviver, ou qualquer outra cirurgia que faça morrer qualquer parte do nosso corpo – para nos preservar a Vida.

Evidentemente!

Evidentemente que a lei actual, já pondera casos em que se justifica a sua prática

Mas...                       

Se assumimos que a escolha entre o sim e o não – generalizada - pode ser nossa através da oportunidade que nos dá esse acto cívico que é o referendo. Se assim o assumirmos...

                       

Recolhamo-nos ante a grandeza do Amor verdadeiro.

Do Amor responsabilidade.

Do Amor cumplicidade.

Do Amor sacrifício.

Do Amor devoção.

Do Amor compromisso.

E pensemos com humildade de consciência que valores queremos legar a quem tem que enfrentar no futuro as consequências das nossas decisões – de agora.

Não tratemos o desejo sexual como Amor.

Não confundamos sentimentos com instintos.

                     

O Amor é um sentimento imenso, profundo, não é uma atracção ligeira que se substitui a cada passo por outra.

 Se bem que o sexo, seja no amor uma forma de expressão de afecto, de comunhão de sentimentos, de entrega, O AMOR – é: (como escreveu RILKE em Cartas a um Poeta): “a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado para mais vastos horizontes.”

                 

Será, então, justo promover a idolatria do sexo onde o que importa é o prazer sem compromisso e sem responsabilidade?            

 Será lícito reduzir a mera pornografia a relação sexual entre o homem e mulher?

Será lícito o aborto como solução fácil, como borracha que apaga os efeitos, como fuga à responsabilidade? – Será?

Ou será moralmente mais coerente, e politicamente mais honesto criar leis que implementem a educação sexual, protejam as grávidas e co-responsabilizem também os pais, já que é -sempre- entre pai e mãe que o filho é gerado.

Será que já não é por demais evidente que o aborto, é e será sempre um caso de consciência, um problema individual, para o qual não pode haver leis exteriores? – Como não há para o suicídio. São decisões de foro íntimo, de sanidade ou insanidade mental, de integridade moral, de dignidade e de coragem ou de medo na assunção das consequências dos actos praticados.

“ Tremes carcassa vil; mais tremerias se soubesses onde vou levar-te!” disse a si próprio um rei que assim controlava o medo de ir para a guerra onde o dever o impelia a ir e , mesmo tremendo, foi.

The Ironworkers Noontime - Thomas Pollock 

Será que os economicistas que certamente já deitaram contas em dinheiro a quanto vai custar cada aborto, alguma vez pensaram quanto custa em sequelas psíquicas, em deformação psicológica, meter na rotina o aborto como um - licito - acto trivial?

Não seria mais lógico e mais humanamente honrado, em lugar de submeter as mulheres à trágica humilhação do aborto, “educar” um Estado, que promovesse a cultura da Vida e desse o exemplo da coerência e da responsabilidade?

Penso que sim.

               natal_anjos01.jpg

Tinha este apontamento escrito desde antes do Natal. Tinha, e ponderava a sua publicação, ou não.

Ontem, dia 13 de Janeiro de 2007, no noticiário das 20, vi o Dr. Jorge Coelho, e ouvi da sua boca, mais ou menos o seguinte, como argumento a ter em conta para o sim ao aborto:

“Não é justo que as mulheres que abortam sejam julgadas e a decisão de serem mandadas para a cadeia dependa da boa ou má disposição dos juizes!...”

Claro que não reproduzo a frase “ipsis verbis”, porque interpretação de justiça tão “sui generis” me confundiu! - Porém, no seu todo, a citação está correcta.

Jorge Coelho, disse isto sorridente.

Seria humor? Se assim era, aconselho-o: - aprenda a fazer humor inteligente com “o Gato Fedorento”, e escolha temas capazes de fazer rir! - Porque, atrevo-me a pensar que – até, qualquer estátua da porta de qualquer tribunal de justiça, ficaria hirta de pedra, com a graçola, se já o não fosse...                   

Decidi então, publicar o que, há tempos, havia escrito.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:20


12 comentários

De Fisga a 22.11.2008 às 12:27

Olá Sra. Dona Maria José. Dou-lhe os meus Parabéns, pelo trabalho aqui exposto. Mas não posso ficar sem lhe dizer, que lamento muito que este trabalho não tenha vindo par público, na altura ou até antes de a terrífica lei ter sido aprovada. Quem sabe , se daria lugar a um movimento nacional, que fizesse os/as jorje coelhos/as, que há por este país todo a usarem a cabeça para pensar e não só para lhes servir de enfeite? Mas, Minha amiga, mais vale tarde que nunca. Um abraço e bom fim de semana. Eduardo.
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De Maria José a 23.11.2008 às 19:00

Amigo Eduardo - obrigada pelo interesse e compreenção com que lê os meus escritos.
Aqueles a quem a vida experimentou com alguma violência - e o Eduardo, sabe-o bem - julgam, e é o caso, às vezes, encontrar caminhos que poderiam poupar sofrimento a outros.
Um abraço - maria José

De Adalgisa Alexandra a 23.11.2008 às 00:01

A tia tem sempre rextos muito bons
digam lá o que disserem.
Acho que ninguém poderá dizer nada - isto é - que
podem não gostar de algum contúdo - mas a forma
como o diz é sempre de 5 estrelas.

É uma querida Tia.
Muitos Parabens pelo blog, pela forma linda como
escreve.

Obrigada por ter este cantinho nesta rede de redes
onde se encontra de tudo o que nem se imagina
poder encontrar.

Ainda bem que a encontrei a si.
Muitos beijinhos e um bom fim de semana

Sua sobrinha

Gisa

De Maria José a 23.11.2008 às 19:17

Querida Gisa
Não me agradeça o blog - não sou eu que o faço e, cada vez me assustam mais as velocidades e as "maravilhas" deste mundo misterioso da net.
Como sabe é a Paulinha a responsável por tudo, eu, já desisti da ideia de me desembaraçar neste meio.
Na minha idade tenho que me governar com o que mais ou menos tenho prática de fazer. Mais, não vale a pena porque aprendo e em seguida esqueço.
Paciência! é como com as estações do ano - cada qual com as suas características próprias.
graças a Deus pelo que temos!
Beijinhos - tia Zé

De Ana Maria Lourenço a 23.11.2008 às 00:13

A Senhora tem mesmo o dom para a escrita.
-
Disse o meu marido ao ler mais este texto seu e
eu concordo plenamente.
O seu blog é um paraiso da palavras, da forma
como a Senhora a trabalha, a faz valer ainda mais.

Eu concordo com a Gisa .
Parabens D. Maria José Rijo e por favor continue a
mostrar-nos aqui as suas maravilhas e já agora,
desculpe mas posso pedir-lhe (se poder atender)
um poeminha (mesmo pequenino) que seja - como
um raio de sol.
Se der tudo bem - se não der - também.

Um beijinho e bom fim de semana.

Ana Maria Lourenço



De Maria José a 23.11.2008 às 19:35

Enternece-me a sua atenção e de seu marido.Obrigada. Gostava de saber merecer tanto.
Se costuma ler os comentários sabe com certeza que alguns dos meus "sobrinhos" preferem poesia e, por vezes também pedem poemas. Acontece que tenho alguma papelada que por essa mesma razão já comecei a organizar porque nunca me pareceu valer a pena o que escrevia, mas já que tem destinatários
irei tratar disso, prometo.
Um beijinho - maria José

De Aristeu a 23.11.2008 às 01:30

Miha querida Tia
Hpje trago noticias fresquinhas o nosso Américo
já está em Portugal em Vila Viçosa porque lhe
morreu um parente atropelado e teve de partir
imediatamente, o que muito pena tivemos, mas a
vida é cheia de contratempos.
Voltará ... se não mudar de ideias...

E a minha querida Tia e amiga como está?
Como se sente ? Bem de saúde?
Espero que sim e desejo que esteja muito bem, de
verdade que sim.
No outro dia o Gílio disse, muito sério, para mim e
para o meu Pai que se um dia tiver uma filha
mulher quer que se chame Maria José e que se for
Homem será Luciano - diz que não gosta de Aristeu
antes lhe chamaria Prometeu porque ele Adora -
imagine as coisas que este menino diz.
Prometeu (como deve saber)

Prometeu, em mitologia grega, (em grego, Προμηθεύς — "premeditação") é um titã grego,
filho do titã Jápeto e de Ásia, também chamada
de Clímene, (filha de Oceanus) (segundo alguns autores, sua mãe seria Témis) e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio.

É pai de Deucalião. Segundo uma outra tradição minoritária, Prometeu nasceu da união de Hera
e de seu amante, o gigante Eurimedon.

Foi o titã que criou os homens, com seu irmão Epimeteu, e que também roubou o fogo dos
deuses para presentear às suas criações.


Um grande beijinho Tia
Com grande amizade

Aristeu

De Maria José a 23.11.2008 às 20:05

Meu querido Aristeu
Começo por fazer notar que , tal como os meus queridos o tio Américo também vai ao Brasil e volta com mais facilidade do que eu vou a Juromenha.
Ainda eu estou a digerir a mágoa de não fazer parte do "concílio dos tios" e já a reunião terminou e todos se dispersaram.
Não fora a vocação de fazendeiro do "meu" Gilinho e eu diria com convicção que bom, mesmo bom, para reuniões é o adro da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Mas assim!- reconhecendo que o caminho é rumo ao futuro, fico derretida de ternura com as sugestões desse Menino e aquieto-me agradecendo a Deus amigos tão queridos.
No entanto não percebo porque mesmo com portador não chegam os prometidos retratinhos...
Sabe, Aristeu, embora eu sempre tivesse gostado de mitologia gostei imenso da achega que me deu.
Beijinhos para todos
Tia Zé

De Dolores e Avelino a 23.11.2008 às 01:44

Querida Tia
Por favor desculpe a nossa ausencia - dirá que
andamos perdidos entre passeios...
È verdade que também demos um pouco de espaço
ao sorriso, ao desvario...
A nossa menina - agora a nossa filhinha - está bem
melhor, recupera bem depressa e talvez para a
semana já a tenhamos connosco.
É um milagre que ficou de tanta dor. A nossa linda
magézinha.

Já vendemos e demos parte das nossas coisas, a
venda da casa está praticamente concluida e se
tudo se resolver rapidamente vamo-nos embora
deste pais e acho que não voltarei tão depressa...
É como fugir do passado mas levamos as cinzas
dos nossos queridos para descansarem em páz
proximo de nós - seja lá onde for que o nosso
ninha seja recomeçado....
Espero que Deus nos ajude e desta vez não nos desampare...

O Avelino quer partir e não quer.
Teme a nova vida, num pais diatante e que muito mal
nos entendemos com o idioma...
Mas tristeza por tristeza - que seja uma vida nova...
Deixe ver...

E a Tia como está?
SEnte-se bem?
Espero e desejo que sim.
Beijinhos

Dolores

De Maria José a 23.11.2008 às 20:21

Meus queridos
Ainda bem que estão a conseguir reorganizar as vossas vidas.
Admiro a vossa coragem e determinação. Se eu fosse mais jovém teria-vos pedido para virem para perto de mim. A família são, os amigos que Deus nos dà e os amigos são a família que nós escolhemos segundo a sabedoria tradicional - e ver crescer uma criança é uma benção sem paralelo.
Nesta altura da minha vida, permaneço em Elvas, onde não nasci, mas onde estou desde os 17 anos, sem cá ter, praticamente família. prendem-me os amigos que ainda restam e as recordações .
Que a felicidade seja a companheira das vossas vidas
Beijinhos - tia Zé

De Sonhadora a 23.11.2008 às 14:39

Parabéns por mais este texto tão sabiamente escrito ...sentido...
A Maria José é uma inspiração....invejo (sentimento feio...) a sua lucidez...e só espero manter-me assim quando os anos ultrapassarem o meu interior...
Obrigada por estar aqui minha querida senhora.

De Maria josé a 23.11.2008 às 21:48

que doçura de comentário!
Obrigada!
Sabe que ás vezes me sinto resingona!
Obrigada por estar connosco
um beijo - maria José

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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