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É bom lembrar

Quinta-feira, 04.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº – 2.474 – 16- Outubro -1998

Conversas Soltas

        

 

 

(A propósito de um livro do Dr. Martinho Botelho)

 

Quando a pastelaria “FLOR” encerrou fui das poucas pessoas que nada disse sobre o facto. No entanto, o seu desaparecimento, atingiu-me com um sentimento de perda irreparável.

É que simultaneamente, com a mágoa, me agradava que tivessem sido os seus proprietários a tomar tal decisão sem que qualquer adversidade a tanto os tivesse impelido. Assim senti um misto de desilusão e conforto que me remeteu ao silêncio.

Para alem da excelente doçaria, do acolhimento de patrões e empregados, do ambiente de família que lá se desfrutava, para mim, e julgo que para muitos outros, a pastelaria “FLOR” era, também, a imagem de uma certa época em que o convívio não se alimentava de “copos” nas noitadas mas, da boa cavaqueira à luz do dia, com chazinho ou capilé e salsa parrilha, para não secar a garganta.

Estou a pensar naquele tempo em que José Tello se sentava invariavelmente à direita quando se entrava, numa mesa que lá estava, às vezes na companhia de sua mulher e, ali naquele cantinho, fazia sala aos seus amigos e admiradores que escutando-o sempre alguma coisa iam aprendendo de Elvas e das suas pessoas ilustres. Gente e histórias que ele conhecia e contava como mais ninguém.

                   

José Tello era um homem de personalidade forte, leal aos seus amigos e de convicções seguras, era um homem ilustre, senhor de uma invejável cultura e sabedoria.

                                                

Muitas vezes me falou de António Sardinha, que muito admirava, de quem foi amigo verdadeiro ao ponto de ter sido ele quem o amortalhou, segundo me contou sua mulher e minha querida amiga S.ª Dona Maria Vitória.

Não era demais que em Elvas se fizesse uma edição de muitos dos seus escritos que dormem esquecidos em arquivos de jornais.

Esta ideia foi lançada aqui, no Linhas de Elvas, pelo Senhor Dr. Martinho Botelho ainda em vida de José Tello, e sei que lhe foi grata.

            

Ao ler um livro (Apontamentos) sobre Campo Maior da autoria do Martinho Botelho - em edição do autor datada de 1996 - livro que durante algum tempo tive à cabeceira e que de vez em quando ainda vou relendo, sem quase dar por isso, associei os dois .

Homens sábios, a quem, por vezes, as suas próprias gentes não pagam como eles merecem a dedicação e a generosidade com que, quase esbanjando, partilham conhecimentos que no estudo e na inteligente observação e investigação foram acumulando sem mais pedirem do que a consolação intima de cumprir um dever. Ensinar, dar a conhecer, fazer amar as terras que lhe são berço é o objectivo que os guia.

                       Libri_books2

Confesso que gosto “de revisitar”, (como diz um grande amigo meu) de vez em quando, trabalhos como este do Dr. Martinho Botelho que num estilo coloquial, como quem conversa com os seus amigos, desbobina e liga histórias de pessoas, acontecimentos, circunstâncias, que no seu conjunto nos fazem descobrir as raízes dessa terra castiça e bonita que só quase é conhecida pela habilidade criativa com que a suas gente a veste de flores por altura das festas do povo.

povo

Homens destes, são memória viva, são história, são corações pesados de conhecimento a pulsar numa entrega abnegada aos outros homens. São os beneméritos da alma. Quase se escondem. Quase pedem perdão.do valor que têm e vão passando quase ignorados. Depois, quando um dia partem, então, pelo vazio que a sua ausência cria todos se apercebem de como foram notáveis e generosas as suas existências.

Com a consciência de que todas as horas de esquecimento podem ser por nós transformadas em horas de justiça; a dois anos de distância da sua publicação, cabe-me

pela negligencia, pedir desculpa ao autor de “Apontamentos” por só agora expressar publicamente o meu apreço e gratidão  pelos ensinamentos que do seu trabalho recolhi.

.Obrigada. Muito obrigada.

 

 

Maria José Rijo

 

Gato.jpg

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publicado por Maria José Rijo às 22:26


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