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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Evidências

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.636 – 14-Dezembro-2001

Conversas Soltas

 

 1 de abril pinoquio

Qualquer pessoa reconhece sem dificuldade que o comportamento do político, em campanha, lembra muito a do vendedor da banha da cobra.

Tal como o charlatão que tem pomadas mágicas que saram todos os males, desde tirar os calos até fazer crescer o cabelo, também os políticos têm a receita da poção milagrosa que resolve, num piscar de olhos, todos os problemas do mundo.

Qualquer ambicioso, astuto, conhecedor de um pouco da psicologia humana, se transforma num ser iluminado pela habilidade com que manipula a boa fé dos mais desprotegidos, e se compromete e envolve com os mais influentes.

                

Claro que há excepções.

Há políticos que exercem as suas funções durante anos e voltam à vida privada limpos de consciência. Com situações económicas idênticas àquelas de que fruíam no início das suas carreiras, e, há os outros, para quem a política é o trampolim de onde, de salto, em salto se vão projectando cada vez para mais alto, não importa à custa de quê.

Há quem sirva com isenção.

Há quem sirva, servindo-se.

Há de tudo.

Nesta altura de eleições, muita coisa se descobre, e se destapa.

Percebe-se perfeitamente que, se mais não se denuncia, é porque os denunciantes, algumas vezes, também têm o rabo preso – como costuma dizer-se...

Agora, o escândalo, em foco, é o caso da ponte Vasco da Gama.

Não gosto da classe política – de uma maneira geral – é evidente.

Todos nós sonhamos com a democracia.

Alguns, por ela lutamos. Por ela sofremos.

Falo com conhecimento de causa.

E, dela, do sonho de liberdade, de justiça, o que resta?

Alguém terá dito que a Democracia é (se tornou) - “a ditadura da maioria”. Sou levada a pensar, que a definição está bem encontrada.

Por quase todos os lados, choveram pequenos ditadores, para quem a Democracia, é apenas a obrigação que a todos é imposta de obediência aos seus desígnios – sem excepção!

SUCESSO

Não posso crer que seja no clima ao rubro dos comícios que se tomem as decisões mais certas...

Também, não me convenço que, com as dificuldades e privações que muitos suportam no dia a dia - de trabalho precário - tantas vezes, as pessoas disponham de tempo para avaliar, outros problemas, que não os seus, e estejam preparadas para um juízo esclarecido que possa conduzir a um voto em função da causa colectiva.

                      

Assim que, quem dispõe de poder, para martelar os seus desideratos até fazer uma completa lavagem de cérebro aos incautos pacientes acaba sempre, como nos contos de vigário, conseguindo os seus fins.

Vale tudo! Caravanas, festivais, excursões, carnavais, jantaradas, panfletos, o cão ao colo para ladrar, o gato para miar! Enfim: - tudo o que possa ser credenciado a favor dos mandantes, nem que seja em termos de maior volume de poluição sonora...

Engrossando os cortejos, uma legião de gente, dependente dos humores dos líderes pelos contratos a prazo, que os mantêm em equilíbrio de funâmbulos...

Pela irregularidade das benesses recebidas...

Devia ser obrigatório, nestas faenas, a música, aliás linda de:” o circo desceu à cidade.”

Porque de circo se trata, onde não faltam ilusionistas, malabaristas, equilibristas na corda bamba, e por aí fora...

A aposta maior, dos políticos, tinha que ser na formação de novas mentalidades, na educação, na justiça social, – no elemento mais importante, - o  ser humano...

Só que essa sementeira é lenta, não dá dividendos imediatos...

Então! – Aposta-se no exterior... no brilharete, na aparência...

                  

O que mais se avista por Portugal inteiro é o reino do betão que desfigura, aleija, fere de morte a nobre sobriedade do que era belo de raiz.

Felizmente que a vaidade bronca dos seus promotores os faz identificar com lápides as proezas cometidas... como se fossem feitos históricos.

Assim, pelo menos, não pagará o justo pelo pecador.

Valha-nos isso!

 

 

 

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