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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

ORA BEM!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.906 – 22-Fevereiro-2007

Conversas Soltas

 

             Referendo sobre a regionalização divide Portugal em dois

Ora bem! De que havemos de falar nesta altura em qualquer conversa, senão dos resultados do referendo?!

E, como é meu hábito assumir o que penso, digo, ou faço, começo por afirmar que, votei – não – embora, confessa-lo, não fosse, de todo, em todo, necessário, mas...

“ Je dis tout, tant pis si je me ridiculise” -  ( Violette Leduc)

E, agora que os resultados já são conhecidos e, o Sim, venceu, embora de forma não concludente, como toda a gente viu, ainda me dá mais gosto assumir que não estou na lista dos ganhadores

 Devo no entanto confessar que a vitória do sim me abre horizontes, não direi de esperança, mas de expectativas bem lógicas e interessantes.

Vejamos:

se a chusma de abortos é tanta como rezam as crónicas, e o governo é tão solícito a ajudar nessa circunstância, nada mais natural que a Maternidade e Elvas reabra para não deixar ao desamparo as pacientes necessitadas. Até porque é evidente que a sua situação merece mais cuidado e carinho do que a das mulheres que levam a sua gestação até ao fim, e, em lugar de abortos têm crianças de tempo.

Reconhecida e apadrinhada pela lei, fica a necessidade de se poder fazer em Portugal, com toda a eficiência e profilaxia, o aborto. (o que não se contesta)

Reconhecida e apadrinhada também pela nossa lei, fica a necessidade de as grávidas irem parir a Espanha porque esse mesmo governo não lhes dá condições de terem os filhos na sua Pátria.

Como equilibrar as duas situações, não sei!

Cada qual, tem seu ponto de vista sobre cada situação. Depende dos seus gostos, tendências, ideais, vocações. Da sua formação...

Faz dia 22 deste mês, anos, nasceu, alguém que me foi muito querido, e, cuja dor de ausência, fará sempre parte de mim, a quem foi dado o nome de Rafael. Dividindo a minha alegria, quando ele nasceu, com um grupo de amigas, ouvi estas exclamações: - Rafael, o nome do anjo...

Rafael, como o grande pintor da Renascença...

                    Os anjos mais famosos da história da arte

Cada coração tem um eco diferente, e, sempre assim será.

Cada qual sonha à medida dos seus gostos, tendências e anseios. E, quem como eu, andou à escola, calçada e bem abrigada, entre crianças de pés nus cheios de frieiras, e mal agasalhadas, numa aldeia pobre do Baixo-Alentejo, não poderá jamais, aceitar coliseus, T.G.Ves, ou o que quer que seja de espectacular, enquanto, houver filas à porta dos Centros de Saúde, Hospitais sem médicos, Maternidades fechadas, pessoas chamadas para intervenções cirúrgicas depois de terem falecido, ambulâncias apetrechadas de tudo – MENOS - do seu equipamento  principal – médicos e enfermeiros!

             

Tenho no ouvido e na consciência as palavras responsáveis, generosas e humaníssimas de alguém que tem feito milagres a salvar vidas até de siameses – o Senhor Doutor Gentil Martins, que cito: – Se existem listas de espera de doentes com cancro no Serviço se Saúde, não se pode dar prioridade ao aborto”

Eu, não estou contra ninguém.

Estou a favor de tudo quanto represente JUSTIÇA SOCIAL acima de qualquer outra coisa, porque, para mim e, para muita gente mais, o essencial é o ser humano feito à imagem de Deus.

Esse estranho “bicho homem” que legisla para eliminar a ocultas, elementos da sua própria espécie, e fica tão feliz como o Senhor Primeiro Ministro que, com descontrolado entusiasmo, pavoneava a sua alegria como se houvera ganho meios para criar em condições dignas, os filhos que muitas Mães gostariam de ter tido se lhes tivessem dado possibilidades para tal, ou conseguido controlar a pobreza, a fome que grassa livre, os salários baixos, o angustiante nível de vida dos portugueses... a não ser que este seja um meio para ajudar a controlar o deficit...

               

Termino confessando ao “nosso” maior português de sempre, (no seu género, claro!) que: - não sou, nem intelectual, nem de meia tigela. Se o fora, pedinchava que me erguessem uma estátua, como qualquer tartufo, neste Carnaval da Vida.

              

       SOU NADA-. NADA por inteiro e, por isso, me vergo ante

Fernando Pessoa

Repetindo:

“ Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer deixar de ser nada.

E contudo tenho em mim todos

os sonhos do mundo”

 

Maria José Rijo

 

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