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Palavras, Contas e Bolinhas...

Segunda-feira, 15.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.552 – 21-Abril-2000

Conversas Soltas

.

( Relendo  Cesariny )

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Dizia minha Avó que as contas, só são contas, porque são furadas. Não fora essa circunstância e seriam apenas bolinhas.

Assim que, muito embora algumas vezes se possa afirmar: - conto fazer ou: - não conto fazer, – não deixe dúvidas a ninguém que: - conto – usado nessa acepção é apenas a confissão de um desejo, de um propósito, e nunca um compromisso de honra; liberdade que um: - não – e menos um: - nunca – ou, um – jamais – permitirão a quem quer que seja.

                                   Foto: Endividamento

As palavras deveriam ser pensadas e usadas com prudência e cautela. Com respeito. As palavras são armas de dois gumes. As palavras valem pelas intenções de quem as profere e valem pelo valor que lhes atribui quem as escuta, bem como pelo peso de consciência daqueles a quem são dirigidas.

                 

As palavras, porque com elas se exprimem sentimentos, podem encerrar em si toda a força que cabe no amor, no ódio, no desprezo, na indiferença, na raiva, na ternura, na bondade, na condescendência, na tolerância, na vingança, no perdão, na esperança, no medo, na dor...

Com palavras se fere e se consola.

Com palavras se ameaça.

Com palavras se enaltece, se denigre, se destrói, se louva, se acarinha, se ofende, se mente, se corrompe, se culpa e desculpa, se acusa, se julga, se amaldiçoa.

Com palavra se fala verdade, com palavras se esclarece, se confunde, se aconselha, dá alvitres, opiniões, com palavras se concorda ou discorda.

         

Com palavras se reza, se blasfema, se abençoa...

Com palavras se canta e chora...se esconjura...

Com palavras se escreve, se faz história, poesia, se passa testemunho Com palavras se insinua e se afirma. Com palavras se nega e, no entanto, com toda a força e poder que as palavras encerram sempre as palavras ficarão aquém do sentimento de que se querem imbuir.

Entre as palavras e a força interior que as gera estará sempre a pessoa que as pensa e as solta em nome do tumulto de emoções de onde germinaram.

Como entre a nuvem e a chuva em que ela se desfaz há o espaço entre céu e terra onde a água vem cair.

Nesse caminho se altera. Capta poeiras. Acusa as temperaturas. Torna-se bátega, chuva mansa, neve, granizo... Porém, sempre já alterada chegará ao solo que é seu destino.

E também aí se transmuda.

Charcos com ela reviverão. Rios com ela engrossarão seus caudais. A terra a beberá, e, no entanto, o que dá vida também pode causar morte. Enchentes destroem. Enchentes arrasam. Enchentes afogam. Enchentes assolam...

        http://lua.weblog.com.pt/arquivo/agua-thumb.jpg - 14 kb

E tudo provém da mesma raiz – a água – que, tal como a palavra, pode ser mansa e tranquila como um lago parado ou violenta, impetuosa, arrasadora, incontrolável...

Entre nós e as palavras que fique sempre atento o coração que as sopese e a luz da inteligência que as ilumine na voz que as profere.

A palavra recria.

A palavra é livre, mas é engajadora.

Porém, apesar dos riscos, e com todos eles, entre nós e as palavras ficará de pé, erecto, como de gente que somos o nosso inalienável dever e direito de falar.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:25


1 comentário

De Dolores e Avelino a 16.12.2008 às 19:13

Minha querida tia
Estou tão contente e sabe porquê - simplesmente
porque agora já tenho a minha casinha toda decorada
com fotos nas paredes e tudo.
O quartinho da magé está como nós sabiamos que a
nossa Luizinha iria fazer. Tem todos os quadros com
os poeminhas seus e desenhos que ela fez, com
muito gosto, as suas fotos (sim porque ela tinha um
quadro com fotos suas - das que mais gostava e
tirava da net. )
Agora a esta distancia - até parece que a Tia e ela
tinham uma enorme convivência porque ela escutava
tudo o que lhe dizia e tentava não se afastar do seu
pensamento.
Hoje - quero agradecer-lhe a ajuda que sempre nos
deu, mesmo nos dias mais desesperantes.
Estamos Gratos a esse seu carinho e amizade que
recebemos de si em todo este tempo.
Acredite que é muito importante nas nossas vidas.
Gostamos muito de si.

Beijinhos Tia querida.
DO LO RES
Avelino
e
Magé

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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