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A comunicação

Terça-feira, 16.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.690 – 27- Dezembro-2002

Conversas Soltas

 

 

Está assente que tudo o que se sabe se deve às diferentes formas de comunicação; isto é: - tudo o que existe se conhece pelas diferentes formas de coordenar e expandir a informação.

Fazer este tipo de afirmações, parece um bocadinho retórico. Parece, mas não será tanto assim.

Parece, porque cada um de nós, ao ouvir falar em comunicação só lhe ocorre a ideia de comunicação social porque as notícias da última hora, as imagens em directo de guerras e desgraças, a exploração de toda e qualquer notícia de sensação, são o prato diário que, com o seu impacto, nos invade a mente e a alma em parangonas de jornais, noticiários de rádios, televisões e internetes...

Estamos todos de tal forma expostos a esta forma de comunicação, que já nem damos conta de como ela viola o nosso direito ao espaço para pensar, criar opinião própria, avaliar à luz do nosso bom senso, da nossa formação e educação, os sentimentos que qualquer acontecimento ou notícia provocam em nós.

Como povo latino que somos, não poderemos jamais fugir à nossa propensão para um certo sentimentalismo que nos põe a emoção, um pouco, à flor da pele.

        Assim que, aderimos, de pronto, emocionalmente, a qualquer mostra de sofrimento, injustiça, desgraça ou atropelo de que tenhamos conhecimento.

Fazemo-lo, quase sem pensar.

Isso é imperativo, em nós, com um instinto.

Pior, esquecemo-nos, muitas vezes de pensar...de aprofundar causas e motivos...

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Vemos lágrimas num rosto; escutamos queixas de lástimas que nos expõem, e, aí estamos nós, já engajados na defesa de uma causa que não chegamos a aprofundar devidamente, e, da qual acabamos, não raras vezes, por sair magoados.

È assim que, depois, ao sentirmos traída a nossa boa fé, passamos para a atitude oposta – o desinteresse!

Temos até, na sabedoria popular um bom suporte para amparar essa nova atitude!

–“ Á primeira cai qualquer, à segunda cai quem quer...”

Pensava nestas e, em outras coisas semelhantes frente aos noticiários que ultimamente, sem o mínimo constrangimento de espécie alguma, fazem a exploração despudorada, da notícia sensação do momento: - a pedofilia.

Pensava, na maneira orgulhosa, quase arrogante, com que alguns locutores anunciam vitoriosos, que as suas estações foram as primeiras a dar, esta ou aquela notícia sobre acontecimento tão doloroso.

Pensava, no ar ufano, presunçoso, como se anuncia o conhecimento do que nos diminui e envergonha como gente. Do que nos avilta, como pessoas, só porque pode ter acontecido...

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E, se é a informação – como li – “que junta ou separa as células conforme a instrução que recebem, e tudo o que existe se deve às várias opções de interacção entre os registos de informação dos elementos que dão assim origem à formação de matéria ou da não matéria...e, por esse processo se forma também o ser humano. Que a comunicação entre pessoas é muito importante, pois disso depende o bem-estar da família, duma cidade, dum país, dum continente e do mundo...”

À luz destes conhecimentos, temos que reconhecer, que nem sempre temos para oferecer a quem nasce, “esse tal equilíbrio de comunicação que uma vez quebrado, gera distúrbios irremediáveis na formação do indivíduo ”

Assim sendo, apontemos o erro, curem-se as chagas possíveis. Castiguem-se e tratem-se os prevaricadores, mas, não nos esqueçamos, também, de dar graças a Deus por não nos ter faltado no caminho a protecção do Amor que tantos não recebem, nem receberam nunca, ou jamais receberão.

E, aprendamos a tratar a dor sem a ostensiva leviandade que por aí se exibe, como se um sentimento se pudesse reduzir apenas à dimensão de notícia mais ou menos bombástica.

Tenhamos a coragem de assumir o pouco ou nada que fizemos para que as coisas fossem diferentes.

        Aceitemos com humildade que, quer no mal, quer no bem, temos todos a nossa quota de responsabilidade, e façamos com coragem a destrinça entre noticiar e expor...

O cão fareja, o porco chafurda.

Ambos procuram..., só que, de formas diferenciadas...

        Que a luminosa ternura do Natal, ilumine os nossos corações, e nos faça ajoelhar junto ao Presépio, frente à Vida.                                          

                                                           

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:35


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