Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Memorias
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.998 – 11 de Dezembro de 2008
Conversas Soltas
Outro dia, nem já sei precisar quando, encontrei na televisão, por mero acaso, um programa de memórias que fiquei a ver durante um bom tempo, com um sorriso enternecido pelo confronto mental que estabelecia entre as imagens das pessoas que – ao tempo o faziam e – a sua imagem actual, eram o Carlos Cruz, o Raul Solnado e o saudoso Fialho Gouveia.

Todos magros desembaraçados de gestos, desenvoltos, enfim, como naturalmente se é aos vinte /trinta anos.
Prestavam homenagem pública a figuras destacadas da música e da canção dessas épocas. Coisas de há perto de cinquenta anos, por certo.
Naquele dia distinguiam Belo Marques.

actual evocou, cantando-os, alguns êxitos.
Foi então que me recordei de um episódio acontecido a meu marido e a mim, à conta da semelhança física que me era atribuída em relação a essa cançonetista – coisa a que jamais tínhamos feito reparo.
Estávamos em Lisboa, por uns dias, e, naquela tarde resolvemos passear no Chiado.

A certo passo reparamos que estávamos a ser seguidos por algumas pessoas. Logo, logo, meu marido comentou, na paródia, que as alentejanas até faziam sucesso em Lisboa e mais meia dúzia de graças porque era muito brincalhão e descontraído.

Porém, a certo passo, tanto ele como eu começamos a ficar constrangidos sem perceber o que se passava e, resolvemos entrar numa pastelaria para lanchar e ver se acabávamos com o pequeno cortejo de cinco ou seis jovens que nos seguia.
Foi então, aí, que se desfez o equivoco quando o empregado que nos servia me pediu um autógrafo e me felicitou pelo noivo, tratando-me por Júlia Barroso.
Nesta época em que tão pouco há que nos faça sorrir, sabe bem evocar estas memórias que nada mais pretendem do que isso – fazer sorrir ou dar uma gostosa gargalhada.
Maria José Rijo

