Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
PRESENÇAS
Jornal Linhas de Elvas
Nº 3.000 – 23 de Dezembro de 2008
Conversas Soltas
Enquanto que na infância e na juventude as distâncias entre as datas de festas e aniversários se nos afiguram substanciais, imensas, passadas essas épocas, das nossas vidas, temos cada vez mais a consciência de, como tendo, embora, a mesma cadência no tempo se nos afiguram tão próximas umas das outras, que quase parecem contínuas.

É exagero, eu sei, mas, enquanto a criança exclama: - Tanto!
Quando a esclarecemos do que terá que esperar por outro Natal; o adulto dá consigo a dizer; - Já! – Quando compulsa o calendário…
Rememorava estas e outras ideias fazendo a distribuição das minhas tarefas obrigatórias pelos escassos dias que faltam para a celebração do Natal, neste tremendamente difícil ano de 2008.
Então, dei-me conta das ausências que o meu coração já regista quando toca a reunir para este ritual de afecto entre a família e amigos. Dei-me conta e comecei a apurar essa contabilidade.

Percebi então que cada um dos presentes tem um lugar que ocupa.
Que é o seu.
Destina-se-lhe a cadeira, que se coloca no local mais privilegiado para se lhe dar conforto, prazer, para que se sinta querido – amado, respeitado, insubstituível…
Escolhe-se-lhe a prendinha do seu agrado.
Mas é esse apenas o espaço da sua presença física, que é visível para todos, tão visível, que se identifica ao olhar.
Já assim não é com os ausentes.
Porque desses, é todo o espaço, a todas as horas.
Não precisam de cadeira, de prato, para que as suas ausências ocupem toda a alma de quem os recordar.
Pode o Natal reunir famílias, amigos, parentes.
Pode o tilintar dos copos fazer a música das saudações, dos bons augúrios que se trocam entre emoções, risos ou lágrimas que tanto ou mais do que os presentes, o Natal é também a sublimação da saudade que faz que os ausentes, sem estarem visíveis ocupem até os lugares de cujas almas são pertença.

Natal, com presenças!
Natal com ausências!
Natal de coração cheio – de ambas as coisas – mas, ainda e sempre Natal – com Fé – com Esperança – com Fraternidade…

Que o sentimento de que o outro é nosso irmão preencha os nossos corações e, que seja – como uma oração sentida – o simples desejo que se repete:
BOAS FESTAS!
FELIZ NATAL!
Maria José Rijo




