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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Estruturas, vigas e goteiras

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.955 – 7 - Fevereiro de 2008

Conversas Soltas

Quando a casa se torna desconfortável porque o desgaste dos tempos, a falta de assistência, ou as obras feitas, sem critério, à pressa – os chamados enxertos – já não escondem a decadência do edifício, não adianta eliminar uma ou duas goteiras e querer que se acredite que limpando o algeroz, e mais isto, e mais aquilo, até a formiga branca que, vive minando e corrompendo os alicerces, vai passar a gostar de tomar banhos de sol...

Impõe-se verificar as estruturas, estudar se têm condições de dar suporte a novas vigas e, em caso de dúvida, prevenir piores males substituindo todo o telhado, para segurança e conforto dos moradores. Como nenhum edifício se reduz a um telhado, também é de boa prudência, vigiar as fundações e, escavar, escavar com tacto e competência como na arqueologia, para encontrar a origem, a matriz de males, por vezes já tão antigos, como perversos pois que até já se afiguram como padrões de normalidade ao cidadão comum, o que sempre constitui um grave risco.

Evidentemente que antes – sempre antes – há que cuidar que não fiquem ao relento os utentes do edifício durante o saneamento imprescindível.

Não se pode actuar como nos bairros de lata - que a televisão mostra a serem destruídos, por maquinaria, moderna, poderosa, como que de países bem apetrechados, desenvolvidos  e civilizados, com operários fardados com capacetes luzentes a manobrar com perícia tais mastodontes – indiferentes às mulheres fugindo com enxergas às costas e crianças a chorar apertando nas mãozinhas encardidas de mexer na terra brinquedos esfrangalhados, porque  tudo se deita a baixo, a eito – mesmo não tendo - casas de substituição para compensar toda a miséria que assim se expõe...

             

Método, aceite tão democraticamente que também foi usado com igual estrondo e impacto na implantação do novo “sistema de saúde” que, como qualquer eficiente escavadora, fez o arraso do que havia sem nada – capaz – deixar em troca, a não ser a esperança de cada qual decidir se deseja morrer em ambulância, à porta de casa esperando - horas - em vão, o INEM – como, há um ano, também aconteceu a gente minha – ou – sobre, ou, sob - o conforto de uma maca, em qualquer corredor de acaso de qualquer instituição onde o tempo de espera não se conta...

             

Hipóteses não faltam.

Tenho na minha frente a revista Sábado que traz na capa quatro cabeças com as verbas que receberam os seus donos, para sair dos seus poleiros.

Juntando-se-lhes o que deverão ter recebido para entrar, mais o necessário para lá terem permanecido, estarão encontradas razões mais do que suficientes para entender porque um dos poucos socialistas – autênticos - que ainda

                                            

sobrevivem, embora se chame Manuel Alegre,  não esconda que perdeu a alegria de viver, o Socialismo, “sui generis” deste “Jardim à Beira Mar Plantado!” onde uns tantos, vivem à tripa forra, e o povo  seca , espalmado pela injustiça, como o pichelim sobre os tabuleiros, expostos nos areais à vista do mar imenso onde a rede os apanhou.

 

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