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As expressões comezinhas

Segunda-feira, 02.02.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 245 – 28 – Janeiro – 2009

A Visita

                   Desenho-de-homem-de-oculos-lendo-jornal

Talvez os meus leitores, (se escrevo – e publico - é porque acredito que alguém lê) – talvez, esperassem de mim, agora, comentários de teor político já que as eleições andam no ar, com as consequentes competições e todas as intrigas mais ou menos soezes que cada qual inventa – anónimo, se lhe for possível – para enxovalhar os competidores.

Não vou por aí!

                                    José Régio

- Direi como Régio: - “sei que não vou por aí”

E, não vou, porque não quero ir, por aí

Não vou porque - não mereço – caminhos assim.

Sou gente. Sou pessoa. “Toda a gente é pessoa” e, como tal não quero descer abaixo do nível a que Deus colocou o ser humano na escala da criação.

Para quê ser gente se em lugar de argumentos copiar do burro, da besta - o coice.

                                         coice.jpg

Para quê ser gente se em lugar da palavra esclarecedora copiar do lacrau ou da víbora a ferroada venenosa…

                                        

Para quê ser gente se em lugar da ideia inteligente, pensada, copiar do papagaio a reprodução sonora da palavra a que não conhece o sentido...

                

Não! – Não vou por aí.

Enfrentar, sem afrontar – é ter coragem.

Não baixar a cabeça, nem o olhar e seguir o nosso rumo por nele acreditar -  é fazer caminho.

Avaliar os factos, as decisões, comenta-los à luz da nossa verdade – sim.

Mas, extrair daí, o direito de estigmatizar quem não pensa como nós – não.

                

É tempo, vai sendo tempo, de repensarmos a vida política em Portugal.

É tempo, vai sendo tempo de olhar ao todo – não mais ao interesse individual de cada um.

É tempo, vai sendo tempo, de serem repensadas as expressões comezinhas que a humanidade herdou e repete ao longo dos séculos sem já lhe saborear o sentido.

Repete-as como respira automaticamente.

“ dá cá a mão!”

“ agarra a minha mão !”

“ deu-lhe a mão!”

“ iam de mãos dadas”

“ pediu-lhe a mão”

“ segurou-o pela mão”

 

Tão simples! – Tão comezinho! – E que diferente seria se a jornada fosse feita de mãos dadas.

           

A roda poderia dar a volta ao mundo como um abraço envolvente.

 

Tão simples, tão comezinho!

Apenas de mãos dadas.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:19


1 comentário

De Xavier Martins a 03.02.2009 às 02:17

Muito bem visto
D. Maria José
Realmente tem - como sempre - toda a razão.

Um abraço por mais este belo texto.
Nem sei porque ainda me surpreendo - quando
sei que a sua prosa é FAntastica.
Muito boa gente gostaria de ser capaz de dizer e
escrever o que a Senhora diz - mas esses nem
pensar são capazes...
Tudo reside no ciume e isso gera inveja, mas
como a minha mulher diz - os cães ladram e a
caravana passa.
Adoro adagios, por vezes assentam como luvas!

Um abraço e parabens pelos 170.000
é um número impressionante.

Com imensa admiração


Xavier Martins

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