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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Uma vez mais.

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.932 – 30 – Agosto – 2007

Conversas Soltas

 

 

Uma vez mais me sinto levada, por um doloroso sentimento de perda, a falar de alguém, que sendo de Elvas, e tendo que viver fora, sempre guardava Elvas no coração entre os seus mais profundos afectos.

 

Alguém que, através deste “Jornal”, a que sempre se referia como nosso - e ao referi-lo assim o queria significar como a voz da nossa cidade - muitas vezes, lá de Lisboa onde vivia, intervinha com a sua opinião nos acontecimentos que a sua sensibilidade, e a sua lúcida inteligência consideravam importantes para a história da sua terra.


Sofreu com as alterações da Praça onde se situa a sua casa de família. Nunca discutiu a forma ou qualidade das mudanças porque esse não era o seu âmbito, mas como elvense de raiz, perguntava-se como muitos de nós nos perguntamos, da necessidade ou inevitabilidade de certas transformações que o seu sentido artístico e o seu respeito pela história, repudiavam.
E, com a nobreza do seu carácter, pelo jornal, ou directamente, aos responsáveis, inquiria o porque” de cada coisa. Foi sempre interessada e interveniente e duma inigualável postura cívica quer nas suas opiniões e críticas, quer nos aplausos.

1510279-small.jpg
Trago, hoje, aqui a sua lembrança. Ela era
Maria José Mateus Lopes que, muito recentemente, faleceu no IPO para onde teve que ser levada nos seus últimos dias do seu tempo entre nós...
Toda o percurso da sua vida decorreu entre o culto dos seus amores. - A Família, os Amigos; e a Arte, em qualquer das suas mais nobres expressões.
Em todos esses vectores, a sua Vida foi exemplar.
Foi heróica e generosa na doença dando sempre graças a Deus por ser ela a atingida e, cuidando com coragem de não incomodar, de poupar sofrimento aos que muito amava.

15912621.jpg
Com os amigos, outro tanto. Era o telefonema, a carta, a oração, o apoio discreto e constante da palavra ou presença certa na hora triste ou de alegria que sabia partilhar com impar generosidade.
Tinha, também, imensos amigos no campo artístico, quer literário ou musical, ou até religioso. Entre outras actividades artísticas, Maria José foi ceramista de mérito. Fez várias exposições das suas obras, uma delas, também com muito êxito, em Elvas no extinto Museu Tomaz Pires, num mandato de João Carpinteiro.


Poderia enumerar um sem número de qualidades e factos que a faziam ser “aquela pessoa especial” com quem era enriquecedor conviver - poderia - mas eu trouxe esta notícia a público porque Elvas deve saber, deve anotar, que, com o seu desaparecimento, perdeu uma das suas filhas, que mais amavam e defendiam esta sua cidade berço, como aliás sempre foi tradição de seus ilustres Pais.


Assim que, como sua família e amigos, também Elvas está de luto.

 

Maria José Rijo

 

 

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