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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

“…Sei lá…”

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.879 – 13 de Março de 1987

Á La Minute

 

Talvez que a proximidade das suas origens, seja o que me encanta em objectos de uso corrente, como colheres de pau, louças de barro, cestos e canastras.

Gosto da natureza, e entre a terra de barro dos campos, onde o trigo cresce e a panela grosseira, de asa, como braço à cintura, onde o pobre cozinha a sopa no lume de chão da chaminé do monte… quase só vai a distância de um amassar, tender e ir ao forno, como se de pão se tratasse.

Entre o pinheiro que tomba no desbaste do pinhal, que se quer frondoso, e a colher de pau que mexe o caldo – vão apenas uns golpes certeiros de enxó, dados até, quem sabe, pela mesma mão.

Também a canastra da hortaliça, o cesto da vindima ou o cabaz das compras andam perto da força descontrolada com que a Primavera faz rebentar, à maluca, a oliveira, o salgueiro, o souto ou o canavial da beira de água.

Talvez esta proximidade evidente entre a obra e a sua matriz lhe dê essa feição vigorosa de povo, esse jeito inocente e sábio de cada coisa útil… esse ar de pretável serventia… que me cativa e comove.

               

Talvez que, a sugestão que oferecem de pioneirismo, de ponto de partida, no caminho da descoberta de porcelanas, talhas arredondadas, relevos, caprichos entrelaçados de tapeçarias preciosas, talvez, me toque a sensibilidade como os passos indecisos da criança que ensaia a aventura de andar pelo seu pé.

                         suri_cruise_7

 Não sei se tudo isto, ou nada disto, me liga a tais coisas… porque me é muito difícil descobrir as raízes, que alimentam o florescer do respeito e encanto pelo que se conhece de cor e nos cativa.

Talvez seja apenas e ainda, o ecoar do espanto porque se descobriu, sentiu, ou pressentiu apenas, que as soluções simples, às vezes nos roçam, e as recusamos por demais evidentes e nos embrenhamos depois em labirintos, onde não raro, nos perdemos.

Pode ser, talvez, sei lá… a convicção de que o deslumbramento, a dor, a esperança, todos os sentimentos verdadeiros… são filhos de elaboração interior e têm tanto a ver com o correr natural da vida… manso ou atribulado… como o leito dum rio que fatalmente o conduz à foz.

 

Maria José Rijo

 

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