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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Reminiscência - nº 13

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.801 – 17-Fevereiro-2005

Conversas Soltas

Reminiscências - XIII - O Barbilho

 

                                

O vinte e cinco de Abril, foi em setenta e quatro. (no século passado, mas bem perto ainda.)

Talvez por isso, vira e volta por isto e por aquilo ou sem sequer vir a propósito se cita a lei da rolha que Salazar impunha à imprensa!

                 25 de Abril: Fraca consciência democrática pode pôr em causa a liberdade de imprensa

Falam e até têm razão porque o relato dos factos chega até nós por via testemunhal, e os maus feitos dessa época estavam tão descaradamente a descoberto que não dando o tempo distanciamento suficiente para falar com inteira isenção dum passado ainda tão recente – quero dizer: para fazer história –  quem viveu esses acontecimentos  permite-se, justamente, guardar deles lembranças , formular opiniões e intimamente fazer comparações, que por vezes libertam algumas reminiscências.

           

É o caso:

Lá no campo, onde cresci, quando as cabras saiam do curral, era costume o pastor recomendar aos seus “ajudas”: - nã dexem-nos chibos sair sem brabilhos por modo logo à tarde termos lête à farta p´ra atabafar p`ró quêjo!

        O genuino Chibo Alentejano por Manuel Faisco.

E, os cabritos lá iam ao lado das mães, berrando e espinoteando de alegria, que isto de sair de supetão do aprisco escuro e receber de frente o ar fresco, mesmo duma falsa liberdade, embebeda de prazer e aturde os sentidos de qualquer um, até mesmo irracional, na euforia desse primeiro impacto.

Porém, tal como escreveu Sebastião da Gama referindo o grilo aprisionado, que por estar na gaiola já não era preto, mas, estava, sim, de luto; também os jovens caprinos, descobriam logo, logo, que liberdade não é andar à solta!

– Liberdade é muito e bem mais do que isso.

E aprendiam que, um niquinho de um ramo de árvore aparado à navalha, até com arte, (que os pastores são, por via de regra, gente experiente, sabida, até sábia por vezes e habilidosa) posto de atravessado na boca e atado sem violência ao redor do pescoço, não é propriamente um elemento decorativo, um colar. Pode, como nesta circunstância ser o frágil disfarce que faz a diferença entre a possibilidade de cada elemento usar plenamente a sua condição de ser livre. É o estratagema que dá aos donos do rebanho o controlo da produção.

        

É a ténue, mas incontrolável fronteira entre a aparência e o ser, ou não ser livre de verdade.

Os donos dos rebanhos poderiam optar por ter gado mais gordo e mais feliz... mas sendo o prado vasto e muitos os pastores, cada qual costuma impor as suas regras e, com a desculpa do negócio do queijo, lá se vão usando os barbilhos que, não chegando a ser rolhas causam o mesmo efeito selectivo.

Se calhar eu deveria ter falado de flores...mas tem chovido tão pouco!

 – Está tudo tão seco, tão árido!

       

E, lembro-me de tantas coisas que acho que devo delas dar testemunho, nem que seja, só, para a história local.

E porque são pequenas minúcias que fazem parte das nossas raízes rurais, das nossas origens, não acho mal falar nelas.                           

Também poderia (?) falar de política, porém, achoSócrates terá assinado projectos de outras pessoas durante anos 80 Sócrates, tão palaciano, tão artificial, tão ardiloso que evocá-lo me assusta como a venenosa cicuta que matou o filósofo do mesmo nome.

Santana, (em quem ainda acredito) é demasiado honesto, humano, e transparente no que diz e no que faz, para não se tornar alvo de invejas e prato forte da astúcia dos adversários.

(veja-se que por idênticas razões soçobrou o socialista Guterres também entre os seus), e os que acreditamos em José Gil, um português considerado entre os 25 maiores pensadores do mundo, que afirma: “ em Portugal a INVEJA não é um sentimento, é um sistema”...teremos que meditar...

Portas é extremamente inteligente e, só com uma educação de igual quilate consegue aguentar tanta e tanta perfídia.

Loução, mostrou o que vale na entrevista repleta de insinuações dignas da melhor escola fascista, ao procurar rebaixar Portas, como pessoa, em lugar de arvorar – o que lhe era pedido -  sabedoria  política.

O novo secretário do partido comunista, vê-se nitidamente que é um homem sério, estruturado, honesto, mas serve a filosofia do seu decrépito partido.

 

 

 

 

 

Ora isto são coisas que toda a gente sabe e vê, portanto mais não direi.

 

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