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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Assumo!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.826 – 11 – Agosto - 2005

Conversas Soltas

 

Assumo e não me envergonho de o dizer, que chorei ao ver o resultado das obras na Praça da Republica.

                      Praça da República

Dormi mal e tive pesadelos com aqueles volumes estranhos deslocados naquele contexto como um balde com esfregona estaria à porta da Sé, pretendendo ser decorativo...

 

Juro por Deus que é verdade.

Só me lembro de viver emoção igual, quando em Angra do Heroísmo assisti ao terramoto e vi a Sé desmoronada por terra.

Não ouso, nunca ousaria faze-lo – comentar a obra em si que penso será de grande qualidade, e digna até dos mais rasgados elogios. Creio mesmo que do ponto de vista da engenharia ela é um êxito.

Não falo do que não entendo.

Mas como a maior parte das pessoas desta cidade, continuo a pensar, e, agora, mais do que antes, que não era aquele o local para tal realização.

 

Desta vez, ainda bem que com o parque logo nasceu mais uma placa.

 É bom que fique bem claro o nome de quem destruiu o sóbrio equilíbrio daquele nobre espaço, o inutilizou como sala de visitas que era, desde o Senhor rei D. Manuel o Venturoso,  quem privou a cidade de Elvas da possibilidade que teve durante séculos de fruir com deleite os passeios em noites de Verão pelo tabuleiro da praça, ou de se sentar nos bancos circundantes, em paz e silêncio vendo o luar pratear o casario antigo .

Eu sei, já todos perceberam que em seu lugar, ganharam um escorrega gigante, “uma enorme glissagem” para o ski sem gelo nem patins!...

Não estou a escrever estes comentários porque muita gente mo tivesse pedido, embora telefonemas e algumas cartas que tenho recebido a isso me pudessem induzir.

Uma delas, (que aqui agradeço) particularmente bem escrita e, até com um humor bem justamente sarcástico, envia-me em verso aquilo que designa por:

“Retrato de um urbanicida que tem assassinado o centro da nossa cidade” 

Outros pedem que não lhes cite os nomes, com receio de represálias, etc. etc. etc. o que como é evidente nunca faria, porque a Câmara, confessam, (se bem que com o nosso dinheiro de contribuintes) é que dá os passeios, os almoços, os empregos, as benesses.

No entanto, também quero referir que uma pessoa, houve que me disse ter gostado.

Disse-me que a praça, cito: “ está engraçadinha”!

Se as pessoas que estão de acordo com tais estragos acham a obra “engraçadinha”, também deverão, por força de igual critério, achar que a Sé tem piada, e o Aqueduto parece bordado de ilhós porque tem muitos buraquinhos!

 

Quando aos espaços, ou às obras, não se reconhece, valor histórico, imponência, majestade, nobreza, estilo, beleza ou grandiosidade que nos encantem e comovam!..

Quando o nosso coração, a nossa sensibilidade, a nossa alma não vibram sentindo-as...

 Quando uma praça – única - no coração de uma cidade,- da cidade que mais peso teve na independência do nosso país - é transformada em zona de serviços...

Mal vai o país que assim se deixa governar...

Quando a Sé caiu, em Angra, muita gente, como eu, se abraçou chorando, ao olhá-la.

A gente nasce e vive sabendo que a morte nos levará; e aceita - é a lei da Vida.

Porém, quando se vê destruído, ou irremediavelmente adulterado um testemunho da história – sofre-se – com a dor da perda do futuro que se empobrece, com os nossos erros, as nossas vaidades, as nossas insaciáveis ambições...

    cuidando de nossa casa comum, a terra

Cuidado! – a terra não é nossa...temo-la de empréstimo...é bom não esquecer.

E, que Deus nos possa perdoar tanto ultraje já consumado a um bem - de que somos apenas fieis depositários, mas responsáveis  perante a história - a nossa Cidade.

 

 Maria José Rijo

 

Elvas Praça da Republica  por FelixBenavi.

 

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