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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Um ar que lhe deu!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.678 – 4 de Outubro de 2002

Conversas Soltas

       

Luís de Sttau Monteiro foi um escritor, e mais do que tudo um dramaturgo, daqueles que deixam o nome ligado a uma obra que a posteridade não pode esquecer.

Se fosse vivo teria agora setenta e seis anos, pois nasceu em 1926.

Julgo, que não há ninguém, minimamente informado nestas lides de livros e escritores que não tenha ouvido referências, lido ou visto representar: - “Felizmente há Luar” ou,

“Todos os Anos pela Primavera”etc...etc...etc...peças de teatro que ficaram nos anais da literatura portuguesa.

Aliás, Sttau Monteiro, aparecia com alguma frequência na televisão, em júris de concursos literários, pelo que a sua imagem era bem conhecida do grande público.

Mas... ao que vem esta evocação? – Pode perguntar-se.

É que Sttau Monteiro, – durante anos, talvez, – teve uma participação, salvo erro, no “Diário de Lisboa” que deliciava o país inteiro.

Eram as redacções da Guidinha.

Era uma prosa falsamente ingénua, construída com mão de mestre, como se fora de uma criança do ensino primário, em que fazia o balanço semanal da vida política portuguesa.

Lembrei-me desta circunstância ao ler no “Linhas” a participação de uma nova colaboradora.

É que, também, as suas redacções são falsamente ingénuas, só que não fazem rir.

Fazem pasmar e reflectir.

Como pode uma pessoa tratar de forma tão despicienda a inteligência de outra que tanto admira?

Ou será que ninguém reparou que aquele tom maternalista com que se pretende levar os “ignorantes munícipes” a ler por uma só cartilha, é desprimoroso para todos nós? E, não engrandece a imagem da pessoa que nos quer impor?

Não se vê que – “Por Elvas”- na circunstância, soa a falso?

Não vê que é o gato escondido com o rabo de fora?

Não se reparou que um Presidente de Câmara não se engrandece por ter comprado mil vassouras ou outros tantos contentores de lixo?

Que o mérito não está aí.

O mérito, estaria, ou está, sim, no programa que criou essas necessidades, no planeamento dessas acções, e, na sua correcta e oportuna execução.

            

Inúteis minúcias já vêm descritas até à exaustão no Boletim Municipal, onde esses relatórios podem ter, mais ou menos, cabimento.

Por muito verdadeiras que sejam as afirmações proferidas, não se me afigura coerente com o nível intelectual que se costuma atribuir a pessoas com grau académico aquela indisfarçada tentativa de catequizar tolos e parolos, que parece acreditar sermos todos nós.

Claro, que se têm feito coisas certas.

Ninguém de bom senso o negaria, e não são precisas dissimulações, atitudes melífluas nem palavrinhas mansas para o reconhecer ou afirmar

É evidente.

Que se seja frontal, que se fale bem do que se acha bem.

Que se faça com convicção, abertamente, o que se acha dever ser feito.

É justo que se defendam, a nossas opiniões, as nossas ideias, e que se louvem as pessoas que admiramos.

Isso respeita-se, e é legítimo.

Mas, escrever em jeito subserviente, como quem faz recados visando alertar mentecaptos, pondo o ramo num lado e vendendo noutro... não vale a pena.

É triste e é feio.

Pela parte que me toca, registei com admiração a eternidade que o plástico e o vidro levam a decompor-se.

Em contrapartida o encanto, o equilíbrio e a nobre austeridade do Centro Histórico, como se sabe: foi um ar que lhe deu!

                 

Esta é a resposta que me ocorre à pergunta formulada em “por Elvas” de 20 de Setembro p. p., depois de reflectir, como nos era recomendado.

 

 

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