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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Conversas Soltas

Nº 3007 - de 12 de Fevereiro de 2009

 

 

A locutora, era jovem e simpática. Tinha aquele encanto de presença 'fabricado' a preceito para a circunstância de ter que estar frente a um público que repudia o velho e o feio.
Falava descontraída, à vontade, focando assuntos de interesse, num português fluente e escorreito, agradável de ouvir.
Foi então que, referindo-se directamente ao entrevistado o tratou, embora ele tivesse idade para ser seu avô, pelo nome próprio, como se tratam, entre si, tu cá, tu lá, os companheiros de escola. Soou-me, como que uma nota discordante, qualquer coisa de desafinado.
Foi como que um quebrar de encanto.
Um certo invencível e incomodo mau estar.

            
Fora também convidado a participar na conversa alguém de outra geração. Alguém com idade intermédia entre os dois intervenientes em causa, alguém com idade para ser pai da jovem locutora, que começou a sua intervenção, saudando:
- Boa noite, Senhor Professor!
E, manteve a respeitosa cortesia ao longo da conversa.
Foi inevitável a comparação.
Um pormenor apenas - coisa pouca, mas que faz a diferença.
A idade também é um posto - mais, ainda, quando a ela se soma o reconhecido mérito.
À porta do supermercado uma figura simpática, arrosta a chuva e estende uma folha de papel solicitando assinaturas para a reeleição de um candidato político.
Porque somos conhecidas cumprimentamo-nos.
Não me pede que assine e esclarece que 'sabe' que eu não gosto do indivíduo proposto.

Registo como é fácil rotular as pessoas.

Registo como se LÊ dissidência política no código simplista das 'ditaduras - mesmo, quando, ditas democráticas..'. [a frase que cito,não é de minha autoria, mas, subscrevo-a].
Impossível, não fazer a comparação com a ideia que se tem de liberdade e autenticidade...
Será que é tão difícil entender a diferença entre dissidência política e ódios ou simpatias pessoais?
Se essa percepção escapa a quem manda, que justiça se pode esperar!!!

             
Conhecidas as causas - comparando - temem-se os efeitos.
Acompanho, como todos os portugueses, creio, os infelizes acontecimentos que todos os meios de comunicação propagam, a toda a hora.
Era bom não se passar da notícia documentada para as suposições. O diz--se - não tem cotação de honra na bolsa de valores morais.
Quanto mais melindrosos são os assuntos mais rigor deve haver no que se solta ao vento.

Os políticos podem até ser bonitos, ou feios, bem parecidos, simpáticos, vestir bem, ou mal, usar só gravatas italianas de seda natural ou andar de gola alta e tudo mais que lhes apetecer.

        
Ninguém tem nada com isso!
Aos países o que interessa e é passível de julgamento político, ético ou moral são os respectivos procedimentos em relação à causa pública.
Mas, esse juízo não pode assentar em atoardas propagadas com toda a convicção como se fossem dogmas.
Os políticos, todos roubam! - Garantia em conversa alguém, que assinara uma lista, com digna convicção, para quem quisesse ouvir, frente à prateleira, onde, com duas acompanhantes, escolhia produtos, [no tal super mercado].
Ao menos este, ou aquele - rouba, mas faz obra!

                       
Quando a corrupção é aceite como moeda de troca quem resiste à comparação com os valores em que acredita, pelos quais luta e pelos quais tantos sofreram, deram as vidas e morreram, como mártires tantas vezes...

Ou alguém duvida que os Santos e Mártires procuravam e defendiam a justiça e a fraternidade pela força da Fé!?
Vive-se comparando.
Queiramos ou não...

 

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