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Terça-feira, 03.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº 3007 - de 12 de Fevereiro de 2009

 

 

A locutora, era jovem e simpática. Tinha aquele encanto de presença 'fabricado' a preceito para a circunstância de ter que estar frente a um público que repudia o velho e o feio.
Falava descontraída, à vontade, focando assuntos de interesse, num português fluente e escorreito, agradável de ouvir.
Foi então que, referindo-se directamente ao entrevistado o tratou, embora ele tivesse idade para ser seu avô, pelo nome próprio, como se tratam, entre si, tu cá, tu lá, os companheiros de escola. Soou-me, como que uma nota discordante, qualquer coisa de desafinado.
Foi como que um quebrar de encanto.
Um certo invencível e incomodo mau estar.

            
Fora também convidado a participar na conversa alguém de outra geração. Alguém com idade intermédia entre os dois intervenientes em causa, alguém com idade para ser pai da jovem locutora, que começou a sua intervenção, saudando:
- Boa noite, Senhor Professor!
E, manteve a respeitosa cortesia ao longo da conversa.
Foi inevitável a comparação.
Um pormenor apenas - coisa pouca, mas que faz a diferença.
A idade também é um posto - mais, ainda, quando a ela se soma o reconhecido mérito.
À porta do supermercado uma figura simpática, arrosta a chuva e estende uma folha de papel solicitando assinaturas para a reeleição de um candidato político.
Porque somos conhecidas cumprimentamo-nos.
Não me pede que assine e esclarece que 'sabe' que eu não gosto do indivíduo proposto.

Registo como é fácil rotular as pessoas.

Registo como se LÊ dissidência política no código simplista das 'ditaduras - mesmo, quando, ditas democráticas..'. [a frase que cito,não é de minha autoria, mas, subscrevo-a].
Impossível, não fazer a comparação com a ideia que se tem de liberdade e autenticidade...
Será que é tão difícil entender a diferença entre dissidência política e ódios ou simpatias pessoais?
Se essa percepção escapa a quem manda, que justiça se pode esperar!!!

             
Conhecidas as causas - comparando - temem-se os efeitos.
Acompanho, como todos os portugueses, creio, os infelizes acontecimentos que todos os meios de comunicação propagam, a toda a hora.
Era bom não se passar da notícia documentada para as suposições. O diz--se - não tem cotação de honra na bolsa de valores morais.
Quanto mais melindrosos são os assuntos mais rigor deve haver no que se solta ao vento.

Os políticos podem até ser bonitos, ou feios, bem parecidos, simpáticos, vestir bem, ou mal, usar só gravatas italianas de seda natural ou andar de gola alta e tudo mais que lhes apetecer.

        
Ninguém tem nada com isso!
Aos países o que interessa e é passível de julgamento político, ético ou moral são os respectivos procedimentos em relação à causa pública.
Mas, esse juízo não pode assentar em atoardas propagadas com toda a convicção como se fossem dogmas.
Os políticos, todos roubam! - Garantia em conversa alguém, que assinara uma lista, com digna convicção, para quem quisesse ouvir, frente à prateleira, onde, com duas acompanhantes, escolhia produtos, [no tal super mercado].
Ao menos este, ou aquele - rouba, mas faz obra!

                       
Quando a corrupção é aceite como moeda de troca quem resiste à comparação com os valores em que acredita, pelos quais luta e pelos quais tantos sofreram, deram as vidas e morreram, como mártires tantas vezes...

Ou alguém duvida que os Santos e Mártires procuravam e defendiam a justiça e a fraternidade pela força da Fé!?
Vive-se comparando.
Queiramos ou não...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11


4 comentários

De Xavier Martins a 03.03.2009 às 22:50

Mais um dos seus excelentes textos.
Concordo consigo, claro que sim.
Realmente el há com cada uma que parecem duas.
Os meus Parabens por este artigo.
Gosto imenso da forma como aborda os temas e
como com a sua lucidez faz estas maravilhas.

Com muita admiração
Xavier Martins

De Adalgisa Alexandra a 04.03.2009 às 00:08

Muitos beijinhos Tia querida
Cá estou eu para deixar o meu comentario
como todas as noites.
A tia está bem?
A chuva voltou de novo e não me apetecia
mas então...

Até amanhã
Fique bem.
Gisa

De Amilcar Martins a 04.03.2009 às 00:20

Excelente.
Mais um texto magnifico, que pena que estes
textos não sejam publicados em jornais da capital.
Os seus artigos de opinião mereciam um Jornal
maior, melhor porque artigos destes, desta qualidade
deveriam estar num leque maior de leitores para
levar longe a sua palavra.
O blog é um bom caminho - pois pelo que li no
contador reparei que muitissima gente passa e lê
certamente os seus artigos.
Muitos Parabens por tudo e queria dizer também
que concordo que tenha comentarios moderados
porque muito boa gente adora sujar o trabalho
dos outros só porque tem uma visão diferente, que
por vezes nem é a mais certa.

Adoro o seu blog.
Com amizade

Amilcar Martins

De Dina a 05.03.2009 às 21:39

Eu não fui!!
Está estipulado que numa entrevista não se utilizem os graus académicos Sr.Dr ., Sr. Eng. e claro Sr. Prof.) mas tem que ser igual para todos.
Já agora se um era professor o outro era o quê?? Varredor? Cantoneiro? Coveiro? Sim que nesses casos muita gente tem tendência a fazer distinções sociais sobretudo em meios mais pequenos.
Enfim...

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