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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Tem uma certa graça...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.960 – 13 de Março de 2008

Conversas Soltas

 

 

Pelo menos, a mim pareceu-me engraçado tornar pública uma velha fotografia que, não emparelhando com qualquer outra, sobrou, e guardei como se guarda o calhau da beira mar, o bilhete do circo, a flor seca – sem razão especial – mas guarda-se.

Um velho amigo, o Dr. Falcato pediu-nos certa vez, à Paula e a mim, ajuda para organizar álbuns com as fotografias que guardava, aos montes em caixas meio desconjuntadas.

Conhecendo algumas particularidades da sua vida que lhe tinham proporcionado amizades e convívios interessantes, aceitamos a incumbência, com curiosidade.

Foi divertidíssima a empreitada.

                        

Eram bispos, eram antigos primeiros-ministros, eram figuras femininas de grande destaque intelectual ou político. Eram recordações de inaugurações e eventos de toda a espécie a que estivera ligado, quer como jornalista, quer como assessor de um membro de um governo.

A certa altura eram tantas as repetições dos mesmos personagens embora em acontecimentos diversos que já nos riamos procurando os montes das Marias, dos Almeidas Santos, dos Zenhas, dos Veigas Simão, identificando-os sem perguntar.

Eis que nos surge um retrato com duas crianças e uma senhora ainda jovem que não pertencia a nenhum dos montinhos.

Separamo-la para indagar, quando fosse possível, a que circunstância se referia.

              

Foi então, que, com surpresa nossa, ficamos a saber que se tratara de uma visita ao palácio de Vila Viçosa, que fora proporcionada aos pequenos Príncipes do Mónaco, quando em visita ao nosso País.

 

É pois Carolina do Mónaco quem está de costas e seu irmão, o príncipe Alberto, de frente, com sua dama de companhia, estando todo o grupo interessado nas explicações do Dr. Falcato, o cicerone, na circunstância.

Sem mais a que se pudesse juntar, e sem álbum onde fizesse parte da história, para enviar de presente aos retratados, como aos outros, aconteceu – aqui ficou esquecida, aconchegada entre outros documentos que se conservam, quase por acaso.

Lendo recentemente e ouvindo na tele, bisbilhotices sobre figuras da sociedade em foco, tomei conhecimento de que Alberto do Mónaco vai casar, mudar de noiva, ou coisa semelhante. Apercebi-me que, nas colunas sociais, para além de o avaliarem como “partido” também discutem a sua figura. Bonito, feio, assim, assim...divergem os pareceres.

Escalpelam-lhe a vida, até ao número dos sapatos...

Porém, ninguém deu opinião sobre o seu carácter.

A sua forma de estar entre os demais.

                  

Do seu relacionamento ou respeito pelas mulheres – apenas que tem filhos de duas - que, para sentar no trono não estão à altura da sua real condição! - Isto contado como quem relata a mudança das poltronas lá de casa...

Pareceu-me que para quem faz, um certo tipo de revistas, um príncipe ainda é uma criação de contos de fadas, e, não, um ser humano, com deveres e direitos como todos os mortais, e lamentei de coração que estes assuntos sejam tratados em cor de rosa, com marchas nupciais em fundo.

 

Sendo hoje o “dia mundial da mulher” pensei mostra-lo como a criança, que foi, idêntico, então, também, a todas as crianças.

Tenho a certeza que, neste parecer, haverá unanimidade.

 

Maria José Rijo  

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