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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Quero ver a Deus

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.837 – 27 – Outubro - 2005

Conversas Soltas

 

“Quero ver a Deus”

 

Nos dias 14 e 15 deste mês de Outubro realizou-se na Paróquia de Sta. Luzia a festa de Santa Teresa de Jesus.

Constou de várias cerimónias religiosas e a Eucaristia do dia 15 – dia de Santa Teresa - teve a presença do senhor Bispo D. Amândio Tomás.

Encerraram estas comemorações com um jantar convívio e um Concerto Orante, no museu de fotografia.

Trazer à colação a lembrança de uma festa, que já aconteceu há mais de uma semana e parece semelhante a outras festas de caris religioso pode, até parecer trabalho escusado. Afinal, a festa já aconteceu! – Já passou!

Mas não é assim, porque nunca é demais lembrar aqueles que pela sua grandeza de alma e, pelo seu exemplo, ficam na história da humanidade como marcos de luz e santidade.

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila – Espanha, a 28 de Março de 1515 e faleceu no Carmelo de Alba de Tormes em 4 de Outubro de 1582.

Tinha 67 anos.

Santa Teresa de Jesus dirigiu todos os passos da sua caminhada nesta vida sob o desígnio do mais alto ideal do ser humano que ela soube sintetizar numa pequena frase –“ Quero ver a Deus”

Ver a Deus, parece uma frase simples, quase uma interjeição, um desabafo, um suspiro, e, no entanto com ela se anuncia o desejo de santidade, o anseio do regresso ao Pai que vive, às vezes oculto, mas latente, na alma de cada um de nós.Com ela se anuncia o desejo de nos despojarmos do que é acessório, do que é supérfluo, “da bagagem inútil” que tantas e tantas vezes carregamos sem nos dar conta.

“ Omnia mecum porto” respondeu o filósofo Bias que viajava sem bagagem....

        Assim por certo o terá pensado e sentido Santa Teresa quando em 1560, então com 45 anos auxiliada por S. João da Cruz, promove a reforma do Carmelo, onde vivia desde os 20 anos e professara aos 22, e, onde, em seu entender a vida corria demasiado fácil. Funda então as Carmelitas descalças e, ao morrer tinha fundado 17 mosteiros femininos e 15 masculinos.

Santa Teresa é uma das figuras cimeiras tanto da reforma católica como da literatura espanhola. Autodidacta, a sua produção literária reveste-se de valor excepcional, não só pela linguagem castiça e tom coloquial mas também pela densidade ideológica. No campo da teologia espiritual é considerada mestra da oração

Vida – Caminho de Perfeição – As moradas – Fundações – etc... etc... são títulos de obras que nos deixou.

 

Em 27 de Setembro de 1970, na Basílica Vaticana –  Santa Teresa,

Foi declarada pelo papa PauloVI “Doutora da Igreja Universal” confirmando a sua doutrina como pertencente ao tesouro espiritual da Igreja, e não apenas da Ordem Carmelita.

 

Os seus pensamentos, são verdadeiras rotas do caminho que seguiu e, cujo exemplo nos propõe.

 

“Deus não atende tanto `grandeza das obras como ao amor com que se fazem”

 

“ que os vossos pensamentos sejam sempre de muita coragem, pois disso depende que sejam as obras”

 

“A humildade é andar na verdade”

                               

Acção de Graças

Nada te perturbe. Nada te espante

Quem a Deus tem. Nada lhe falta

Nada te perturbe. Nada te espante

Nada te espante. Só Deus basta

 

Assim que sentindo-se

“Nas mãos de Deus”

nos deixa como guia

Dois versos que pedem guarida no

 coração de todos nós

 

Vossa sou, para vós nasci,

Que mandais fazer de mim?

 

 

Maria José Rijo

 

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