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Contos de Espanto

Quarta-feira, 08.04.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.772 – 8 de Fevereiro de 1985

 

 

 

Uma revista de classe, num dos seus números, apresenta, com certo orgulho, aos seus leitores, uma reportagem sobre um iate de luxo.

    

A reportagem que é minuciosa, mostra além do proprietário do barco,Christina & Aristótles que possa com o à-vontade de quem costuma ser, a bordo, anfitrião de reis e príncipes – também a tripulação que, para além dos outros requisitos necessários – tem ainda a elegante aparência de modelos de profissão.

Completam o conjunto dois cães de raça, gordos e lustrosos, como convém ao cenário e, necessariamente a bonita amada do magnate!...

 

Tudo tão bem enquadrado no ambiente como as torneiras de ouro das casas de banho, e os marfins trazidos para adorno, de emocionantes safaris.

Estas, e outras tais coisas, que o comum dos mortais só por acaso sabe que existem!

-- Na televisão, têm aparecido com alguma frequência, reportagens sobre a fome na Etiópia e em outros submundos – deste mesmo nosso mundo!...

Mostram crianças secas de fome, como escalpes ou macabros amuletos.

                 (Margaret Aguirre/International Medical Corps/Reuters)

Crianças que de vivo só têm os olhos apavorados, acesos num espanto em brasa, a brilhar no fundo das orbitas negras e fundas cavernas de morte.

Crianças transformadas em esqueletos mirrados onde os ossos ainda estão nos lugares pelo amparo da pele retesada – escura – desidratada – curtida pela miséria como forros para baús!...

         

Visões de espanto e pavor, que nos ficam a dilacerar a consciência…

Dei comigo a relacionar estes factos com a frase, que tenho ouvido repetir, atribuída a Gandhi:

                     

“As riquezas da terra chegam para dar de comer a todos os homens … não chegam porém para satisfazer as suas ambições…”

Blog de ulysseslopes :Cárcere das Palavras, MORTE 

 

Frente ao mar que não domina

E ao céu – que não lhe obedece

O homem – reparte a terra

Reparte a terra e esquece

Que a morte à terra o devolve

Jacente e mais despojado –

(Inda que a pompa o disfarce)

-- Do que quando entra na Vida

Fraco e nu – como se nasce!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:39


13 comentários

De Adalgisa Alexandra a 08.04.2009 às 21:24

Uma realidade!
Gotei muito do seu texto.
A tia e mesmo uma pessoa especial, com um sentido
unico pela vida.
Gosto muito de si.

Beijinhos tia

Gisa

De Matias joão a 08.04.2009 às 21:28

Boa noite minha Senhora
Muitos Parabens por esta maravilha de texto, aliás
qualquer um dos seus textos são excelentes.
Gosto realmente da visão das coisas, da vida, desta
forma sublime de falar e entender a vida.

Muitos Parabens
Feliz Páscoa

Jõão Matias

De Maria josé a 11.04.2009 às 19:55

Para Matias João - num abraço a minha gratidão pela bondade do seu comentário
Deseja-lhe uma santa Páscoa a - maria josé rijo

De Xavier Martins a 08.04.2009 às 21:53

Gosto sim.
Gosto deste equilibrio entre as escolhas.
Gosto desta forma especial (como todos dizem) de
expor e comentar a ideia proposta.
Gosto Imenso da forma, desta sua forma sublime
de contar a vida.

Excelente texto.
Mais um de tantos .
Parabens e Feliz Pascoa

Xavier Martins

De Aristeu a 08.04.2009 às 21:58

Querida Tia
Que texto significativo. Um texto que nos dá um
excelente assunto para pensar, e não só pelo
coração.
Bem visto.

O seu coração é grande - já dizia a minha Mãe - e
eu desde sempre li isso no seu olhar.
Beijinhos tia

Aristeu

De Gustavo Frederich a 08.04.2009 às 22:05

Caminhos da verdade...
Este texto revela como a minha Tia consegue ( como
muitos não são capazes nem sequer de entender)
como a vida é cruel e dura.
Tem toda a razão. Tenho consciencia disso.
Eu, todos os anos faço inumeras doaçoes em
dinheiro e generos para as missões em diversas
partes do mundo.
Isso faz-me sentir melhor em saber que posso e
estou a ajudar pessoas que precisam muito - deste
pouco que posso eu oferecer.

Tia obrigado por ter este lindo blog.
É tão importante para mim poder ter acesso a
esta sua literatura.
Acredite, dá-me paz - faz-me bem.

Muitos beijinhos

Gus

De Flor do Cardo a 08.04.2009 às 22:40

17 anos...
que o meu Saudoso Amigo José Rijo partiu.
Hoje em sua homenagem e saudade fui ouvir uma
missa , com o meu amigo Américo.

Não me esqueci e nem poderia.
José Rijo foi um Homem excepcional, um Homem
que muita alegria me deu ter conhecido e de ter sido
meu amigo.

Sei o quanto sofre pela saudade que os anos,
só faz aumentar (falo por mim - pela saudade
crecente que tenho da minha amada esposa).

Hoje, neste dia especial onde tudo se revive dentro
de nós deixo-lhe um comovido abraço.

Deste amigo de sempre

Luciano

De Mari José a 11.04.2009 às 20:01

Meu Amigo - eu já dissera à Paulinha que o meu querido amigo se lembraria...
Adoça a vida ter quem esteja ao nosso lado na saudade.
Pela compnhia, pelas orações, pela amizade um abraço imenso que sinto chegará ao seu coração
Maria José

De Flor do Cardo a 08.04.2009 às 22:45

... é para dizer que este este está uma
maravilha porque a realidade em 1985
mantem-se HOJE talvez com maior ênfase.

O muito que me agrada nos seus textos - é
também - a actualidade de cada um deles.
Este é um exemplo do que acabei de dizer.

Parabens hoje e sempre.
A sua escrita continua a fazer as delicias de
muita gente .

Um abraço

Luciano

De Aristeu a 08.04.2009 às 22:50

Oh minha queridinha Tia
Voltei sim para deixar aqui um beijinho muito
especial para si - no dia de hoje.
Foi o meu Pai que acabou de me contar que hoje...
17 anos da partida...
Sinto muito que esteja triste, a saudade é um
espinho que fere e afunda em cada dia, no entanto
ao recordar... vive em si.

Nem sei o que digo...
Um grande beijinho tia

Aristeu

De Gustavo Frederich a 08.04.2009 às 23:02

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!

Um sino dobra em mim Ave-Maria!

Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,

Faz na vidraça rendas de Veneza ...



O vento desgrenhado chora e reza

Por alma dos que estão nas agonias!

E flocos de neve, aves brancas, frias,

Batem as asas pela Natureza ...



Chuva ... tenho tristeza! Mas porquê?!

Vento ... tenho saudades! Mas de quê?!

Ó neve que destino triste o nosso!



Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!

Gritem ao mundo inteiro esta amargura,

Digam isto que sinto que eu não posso!! ...
FLORBELA ESPANCA

----------------

Um beijinho especial - Hoje - pela SAUDADE
que o dia lhe deixa - no mais fundo do seu coração.







De Matilde Magalhães a 08.04.2009 às 23:07

Excelente este seu texto.
Está sempre de Parabens com este blog formidável.
Adoro todo ele - desde o primeiro dia até hoje...

Um grande beijinho
Desta sua leitora de todos os dias

Matilde Magalhães

De Maria josé a 11.04.2009 às 20:05

Matilde Magalhães
Deixo-lhe aqui um beijinho de amiga gratidão pela sua presença e pelo delicado comentário
Que tenha uma Santa Pascoa
é o meu desejo - grata a maria josé Rijo

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LIVROS PUBLICADOS:

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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