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Ministros

Sexta-feira, 17.04.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.749 – 24 Agosto de 1984

Nº 2.867 – 25 Maio 2006

Conversas Soltas

Por essa altura, vão passados 22 anos publicou este jornal um:

 “A lá Minute, (assim se chamava por esse tempo o meu espaço) em que parafraseando um programa de televisão de origem britânica – “Sim, Senhor Ministro!” - me foi dado comentar uma situação muito parecida com a que atravessamos agora.

Devo dizer que ninguém me “esconjurou”, embora até o Manuel Carvalho, o tivesse lido aos microfones da Rádio Elvas.

Ninguém teve dúvidas de que não estou, nunca estive contra quem quer que seja, mas apenas, agora e sempre com todos os que se batem por Elvas.

Dada a explicação, repito o texto que me parece, vem a propósito!

Sim, Senhor Ministro!

Li!

Li, sim Senhor Ministro!

Elvas inteira leu.

Leu, sim Senhor Ministro!

Leu e pasmou.

Lemos e pasmamos! Pasmamos, sim Senhor Ministro!

Pasmamos com a sua “série...” de razões

Pasmamos porque as razões de tal série, dão que pensar – não dão para rir.

Perdoe. Perdoe, sim Senhor Ministro se há alguma confusão por razões de outra... série. Temos motivos para estar confusos. Temos sim, Senhor Ministro!

       

A Santa Casa da Misericórdia de Elvas (hoje Hospital Distrital) foi criada aí por 1502 -1505!!!

Sabia Senhor Ministro?

E sabe Senhor Ministro o que significa para uma população cortar à sua cidade raízes desse tempo?

Eu sei, Senhor Ministro, eu sei.

           

Veja que vivendo em Angra do Heroísmo quando do terramoto vi cair a cidade. Vi cair a Sé.

A Sé era quinhentista como é a Misericórdia de Elvas.

Sabe o que é ver cair a nossos pés raízes portuguesas que vêm de tão fundo no tempo?

Não sabe? – Então não queira saber.

O chão treme. Tudo oscila. Tudo vacila.

É o caos. Acredite.

Não brinque aos Deuses, não brinque Senhor Ministro.

A história dará testemunho da nossa razão.

Dará, sim Senhor Ministro!

Ou quererá o Senhor Ministro reeditar a ideia do tempo do Dr. Salazar, (que Deus haja!) quando “poupou” na instrução criando “regentes em lugar de professores e “postos” em lugar de escolas?

                 OliveiraSalazar.PNG

Ou é que ao reconhecer a importância evidente da cidade de Badajoz está “por gentileza” sugerindo que vivamos como seu subúrbio, com a mesma magnanimidade régia com que Olivença foi oferecida a Espanha?

     

Há maneiras tão subtis de destruir que é preciso que se saiba que não é apenas com bombas que se fazem “Guernicas”...

Pense em Elvas. Pense sim, Senhor Ministro!

Não como uma cidade a espoliar para engrandecer outras.

Não como uma cidade a humilhar.

Pense em nós – reconhecendo-nos o direito de crescer e progredir com a ajuda de todo e qualquer governo – até o seu – o seu, sim Senhor Ministro.

                          lesmas.jpg

Se não o sabe fazer – demita-se! – e deixe o seu lugar a quem tenha da justiça que se deve às populações uma visão mais realista e mais humana,

Faça-nos esse favor.

Faça, sim Senhor Ministro!

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:14


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