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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.704 – 4 - Abril - 2003

Conversas Soltas

 

 

       escrita

Escrevo para este Jornal há tantos anos que por vezes receio recontar algumas histórias.

É que hoje, e, penso que pela última vez, vou voltar ao assunto da Praça da Republica e não queria que me julgassem tão teimosa como a mulher do «piolhoso» (cuja odisseia, não me lembro se já contei) e que o “dito” deitou ao poço saturado de ela assim lhe chamar, mas, que, ao afogar-se, manteve as mãos fora de água até que pode, fazendo com os polegares o gesto de matar os parasitas que originaram o conflito.

É que não se trata, aqui, de um caso de teimosia.

Trata-se de um caso de convicção.

Trata-se de saber, e sentir que adversário, não é inimigo.

Inimigo, é quem nos quer mal, nos odeia, nos prejudica.

Adversário, é apenas: opositor.

Assim é no futebol, e em todos os desportos.

Trata-se de ter a consciência, plena, de que os adversários fazem parte da solução dos problemas

Porque adversário é aquele que contrapõe ideias.

É quem nos obriga a pensar que há mais soluções, e mais possibilidades de resolução, que não, a nossa.

É quem nos abre hipóteses de escolha.

É quem respeita a nossa inteligência e bom senso e acha que não é perda de tempo dividir connosco o resultado da sua própria experiência, e, muito principalmente, do que se ausculta – às vezes- daqueles que por dependerem de nós  se calam, por medo, na nossa frente.

Esses, por condição de vida são os mais fracos, são as vítimas dessa violência, disfarçada, que resulta do abuso do exercício do poder.

São os que se remetem ao silêncio temendo represálias.

Não consigo ver o Poder, senão como uma forma de servir. Jamais como uma forma de coagir.

Deus me livre que me respeitem, ou me escutem, apenas pela minha idade, aliás, só usa essa desculpa como argumento, quem tem consciência de que lhe faltam razões, e, portanto utiliza esse chavão, a meu ver, desonestamente, para fingir uma educação, superioridade e delicadeza, de que, não dispõe.

Rezo para que me escutem, por apresentar as minhas convicções com bom senso, correcção de forma e respeito pelos meus adversários ou, por acharem que são razoáveis as propostas que defendo.

                     

Rezo para que se perceba que, dentro do meu critério, só assim, assumo as minhas responsabilidades de munícipe.

Nem idade, nem poder, dão razão a quem quer que seja, se não a tiver.

Quem entender de forma diferente abusa de circunstâncias que lhe são favoráveis, mas, age com prepotência.

Ora, todo este prólogo porquê?

Porque muita gente me pede que fale no parque para automóveis em projecto para a nossa Praça Maior.

Por coincidência de opiniões, com tais alvitres, já duas vezes fiz tais referências.

Agora, porém, surgiu um dado novo.

Pessoa respeitável, alvitrou-me que sugerisse à Câmara para que consultasse a opinião pública para a execução de projecto tão controverso.

Lembrou-me que outras Câmaras já o fizeram a propósito de situações como esta, em que a dúvida sobre alterações tão radicais, dividem os munícipes.

Nomeadamente em Tavira.

      

Penso que vale a pena.

Até porque tudo o que pacifique os ânimos não é para desprezar.

É que a Paz, resulta da nossa conversão íntima à não-violência, mesmo verbal. (não é minha a frase!)

Tudo o que nos é imposto, é indiscutivelmente um acto violador da nossa Paz interior.

Um atropelo aos nossos direitos de cidadania.

 

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