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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Cartas na mesa

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.872 – 29 – Junho - 2006

Conversa Soltas

 

Disse um dia André Malraux:

“Os homens devem unir a força e o sonho e fazer que

a força seja digna do sonho.”

 

Quando assim não é – quando a força só esmaga porque sendo força julga poder prescindir do sonho - o mundo não pára, não pára - porque recua...

                               

Há um pequeno poema, de Morellett, intitulado: Ronde – que traduzo assim:

“ Se todos os maus do mundo pudessem ameaçar-nos com os punhos, poderiam eles quebrar a ronda que lhes barra o caminho?

Não! Todos os maus do mundo são menos fortes sobre os caminhos do que o Homem arrebatador que na ronda tem o coração nas mãos.”

 

Estas são coisas em que eu acredito. Que tive a sorte de “encontrar” e me sinto no dever de repartir em acção de graças por a Vida as ter posto no meu caminho, mas que eu identifico como pertença dos caminhos da consciência da humanidade.

            África Berço da Humanidade

Li, li já sem espanto, mas com profunda mágoa, com vergonha até, um comunicado emitido nesta cidade tentando devastar e demolir a credibilidade de o jornal “Linhas de Elvas”, porque, não está funcionando, como as rádios locais, ao gosto dos políticos do momento.

O próprio Salazar – multava – censurava – mas não intrigava.

Até para ser Ditador, é preciso ter dimensão!

Um jornal não é um boletim, nem pode ser um panfleto! Não pode fazer as vezes de um vulgar comunicado de propaganda seja de quem for.

Um jornal, para merecer esse nome, tem que dar voz à pluralidade de pareceres dentro das suas directrizes morais e ideológicas.

Tem que ser aberto democraticamente a toda uma comunidade responsável, que o saiba usar com respeito por ele, pelos outros e por si própria, porque um jornal, rege-se por princípios éticos.

                       

E, ninguém poderá jamais deixar de reconhecer esse mérito e essa honra ao jornal Linhas de Elvas.

É só recordar:

Estou neste jornal desde antes de o seu actual Director ter nascido! (... vão todos os anos que o Jornal já conta...)

Sei que ele me estima e respeita, no que há reciprocidade - no entanto – várias vezes até com sublinhados foram nele publicadas cartas emanadas da Câmara, “no seu estilo peculiar” onde nada de simpático ou, cortês pode ser lido a meu respeito!...

Devo confessar, que sempre achei que assim deveria ser, e que a minha opinião, foi sempre a mesma: - publique-se!

           

Porque – no meu entender – só tem direito a receber louvores, sem se considerar bajulado e alvo de falsas lisonjas, quem tiver a coragem de aceitar críticas ainda que as possa achar injustas, e lhe doam.

De qualquer forma a crítica é sempre a outra face da moeda. Mesmo oculta ninguém dúvida – porque é inegável – que ela existe...

              

Há, sim, que encontrar humildade para a aceitar e coragem para a ponderar, à luz do nosso entendimento.

Ninguém pode ter a estultícia de querer agradar a toda a gente!

Nem todos temos os mesmos credos. Mas todos poderemos ter igual sentido de dignidade.

 

O Senhor Comendador Nabeiro, por exemplo: - para falar de alguém que todos conhecem -  é socialista e estando eu ao serviço da Cidade sob e égide duma Câmara PSD ajudou – sem hesitações - na fundação da Escola de Música de Elvas como, com a sua visão de cidadão do mundo e inteligência - sabe fazer - indiferente a tricas de comadres - porque ele é daqueles que, como outros portugueses esclarecidos, sabem fazer que a força seja digna do sonho.

 

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