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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Diz-se: - quem não aparece esquece

Jornal O DESPERTADOR

Nº 198 – 22 – Novembro – 2006

A visita – 5

Pintarroxo (Carduelis cannabina) por xicorreia. 

Diz-se que: - “quem não aparece, esquece”, mas nem sempre, mesmo tratando-se de um apotegma, a realidade o confirma.

Nem eu esqueci os meus fiéis leitores, nem por eles fui esquecida.

Para o confirmar, aqui estou de novo e, ao agradecer todas as provas de estima e apreço que me têm sido dispensadas, testemunho essa reciprocidade.

Lamento, apenas, não nos ter sido ainda possível organizar uma boa tertúlia onde todos nos conhecêssemos – ou reconhecêssemos – para que, apeada do pedestal onde me colocam e que não mereço, nem posso aceitar (e me constrange) para todos fossem patentes, as minhas dúvidas, hesitações, e tudo o mais que é comum a quem – porque - acredita que cada qual tem um caminho, o  seu, procura....

       

Entretanto, vamos tentar falar do que ultimamente nos tem unido - o nosso “Despertador”, que na sua edição de Quarta Feira, 25/10,  publicou um espectacular artigo da autoria de Mafalda Serrano, elvense de raiz, que de visita à nossa cidade fez da  evolução encontrada, na sua terra, um balanço, corajoso, honesto, e de uma lucidez, para nós, bem dolorosa, porque, irrefutável.

Bem gostaria que este juízo crítico não tivesse sido possível. Era sinal de que muitos dos atropelos cometidos não tinham acontecido.

Porém, quando penso na campanha que se fez para alertar sobre a morte da “galinha dos ovos de ouro” em relação ao turismo, que aconteceria com o desmantelamento da “Quinta do Bispo” – viu-se o descaso que a Câmara dele fez e a inutilidade de qualquer opinião que premiasse a qualidade em lugar da majestática ostentação e “pesporrência”, como classifica um senhor Ministro do nosso controverso Governo, as atitudes de um seu adversário político…

E, agora, está bem patente o resultado. É lícito pensar que por muito fabulosos que tenham sido os lucros, da venda dos terrenos, que podem ter levado a autarquia a apostar no desmantelamento do plano de salvaguarda de tão precioso património -  a todos os níveis –nada, agora, compense  o fracasso final.

Eurico Gama, Joaquim Tomaz Pereira, homens notáveis desta cidade, ao longo dos tempos bem preconizaram, a inteligente utilização da Quinta, mas, inutilmente.

Uma das piores consequências da decisão escolhida, foi o isolamento, “da funcionalidade,” do Forte de Santa Luzia, cuja obra – inteiramente projectada no mandato de 86//89 – o interligava à revitalização da Quinta e a outros projectos – que, assim, se perderam.

Mas... adiante, já que o estrago é irremediável.

 

Neste momento, depois de portas antigas de carvalho, de guarda - ventos e outras com vidros de cores e datas históricas gravadas, terem sido colocadas para o lixo, encostadas à parede exterior da “Secular Biblioteca”- como todos puderam ver!...

 - Depois de terem sido escavacados azulejos dos séculos XVII/XVIII – (no edifício do Colégio) – para alterar as dimensões de uma entrada aconchegante e bela de proporções equilibradas, nobre e sóbria que funcionava como um eixo de onde toda a vida do edifício irradiava...

- Depois...Depois...Depois... de em nome da Cultura se destruírem os seus testemunhos - os sinais com que ela se escreve - e a história a regista - como se para remodelar e ampliar, ( o que é altamente louvável) fosse necessário devastar...   

Deixo aqui uma interrogação: - o que é feito da “Sala Eurico Gama” – sabendo Elvas, em peso, que o ilustre escritor e historiador, deixou todo o seu espólio à cidade na condição – única – de que ele ficasse junto, numa sala, onde ele queria incluída uma estante, oferecida, ainda em vida, por ele próprio – com o nome de sua mulher?

...Onde está?

Sabendo-se que no seu lugar estão agora os elevadores???

 

Ai, “esta Elvas, esta Elvas”, que cultiva as aparências de grandeza e despreza as minudências com que se tecem as almas...

Interessante e de aplaudir a criação - por esta Câmara - dos marcadores, que dão a conhecer objectos valiosos do património museológico elvense. 

Quando foi lançada, a criação, no mandato de 86/89, de: “o compositor do mês”, o livro do mês, o facto histórico do mês, o objecto do mês etc. etc. (com colaboração de ilustres Filhos de Elvas) que ofereceram trabalhos seus para o efeito, incluído no programa: “levar a freguesia à cidade e a cidade à freguesia na procura de identificação e diferenças...”como está patente no programa cultural dessa época, a lembrança, dos marcadores - que aqui saúdo -  a ninguém , então, ocorreu.

Registo o facto porque é de elementar justiça, dar o seu a seu dono, e, o património das ideias não deixa de ser tanto ou mais respeitável do que outros, até porque as suas fronteiras não são delimitadas nem por muros nem por “lindas” ou arames farpados, mas, apenas, por rigor de consciências...

 

 

Maria José Rijo.

 

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