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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Não aceito mas agradeço !

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.879 – 17 de Agosto de 2006

Conversas Soltas

 

              

Como é sabido, recebi de: Marco André Lourenço Matroca, uma carta com data de 31 de Julho.

Carta, essa, que é cópia de uma outra que fora enviada ao jornal Linhas de Elvas solicitando publicação; pretensão que o Jornal – por justiça de critério – democraticamente, não deferiu.

Essa tal missiva que me foi endereçada, pretende esclarecer a minha ignorância com a extensa lista de “graças” que a cidade de Elvas deve ao seu actual Presidente, e aproveita para me elucidar que a perda da maternidade, quartéis etc (factos que, aliás, nem citei, nem referi) são perdas irrelevantes a que a presidência da Câmara é alheia.

Proporciona-me depois uma lição de história com o desbobinar da biografia de Rondão Almeida, enquanto ilustre cidadão e, também como Presidente da edilidade elvense, que é, ( na opinião do cronista) apresentado como a pessoa que tudo tem feito e  pago em Elvas.(Do seu bolso, depreende-se!)

(Vou pedir que a carta, que refiro, seja colocada na internet) porque é um documento em que vale a pena meditar, e é injusto que alguém possa ter a veleidade de pensar que as obras na nossa terra são pagas com dinheiro dos nossos impostos, subsídios da C.E. e, por aí fora, quando é sua Excelência que tudo nos oferece!

Eu pensara não me referir mais a esta carta; porém, acabo de receber um papelinho para me inscrever, se o desejar, nos passeios que a Câmara proporciona.

Não aceito, mas venho agradecer publicamente, porque receio que depois me venham explicar que a oferta é do Senhor Presidente, e que eu, por forçada gratidão me veja na contingência de ter que lhe agradecer com votos, ou subscrevendo palavras que outros bestuntos congeminam, o que, por honestidade, coragem de postura, coerência e sentido de dignidade, me sinto incapaz de fazer. 

Também gostava de entender porque a Ex.ª Câmara em lugar de dirigir a sua reacção de desagrado à carta de Vasco Pulido Valente – ao próprio – que a escreveu - a tivessem silenciado sem protestos, com tão recatado decoro, e tivessem feito tão má digestão dos meus modestos comentários ao facto!!!

Merecerei eu mais importância do que ele?

Ou : - é que o rato não é violento para o gato porque sabe que é sempre comido?”

 

Li, que –Kant Kant- escreveu os seus melhores textos aos setenta e quatro anos.

Verdi  - compôs a sua Ave-maria aos oitenta e cinco.

Goethe - completou o Fausto aos oitenta e dois.

Rubenstein - aos oitenta e quatro era admirado por gente de todas as idades.

Ticiano – pintou o seu mais célebre quadro aos noventa e oito!

 Eu, ainda, só tenho oitenta e já - a excelentíssima Câmara – acaba de me consagrar - num panfleto de rua ( amarelo, como bílis) que Rondão de Almeida , também pagou – certamente – dando-me a honra de afirmar que : - escrevo bem!

Rendida a tão alto sentido de justiça que do poder instituído emana, resta-me, extasiada, exclamar:

Já posso morrer, a posteridade aguarda-me!

Obrigada!

Muito obrigada!

 

Maria José Rijo

 

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