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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Só por esta vez !

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.880 – 24 – Agosto - 2006

Conversas Soltas

                 

 De quanto li no seu pedido de “direito de resposta”, Marco André (não sei se posso trata-lo assim) não vejo onde possam estar as “inverdades” a que alude.

Será que a sua indignação é porque o tratei por Rapaz?

Pois se, rapariga, você, não é, não enxergo a inverdade.

E, quando pelo telefone, a meu pedido me disseram a sua idade, ao situá-lo nessa faixa da juventude que, não sendo de homens feitos, também já não é propriamente de meninos, condescendi em responder à carta sem assinatura que me enviou.

                         carta-anonima.jpg

Magoá-lo nunca foi minha intenção. Peço-lhe que me desculpe, e creia que o retratinho do seu B.I., que apenas vi quando o jornal me chegou à mão, até me enterneceu.

O meu contacto com o Linhas, foi telefónico, e embora me caiba assumir, por ter acontecido “na minha rubrica, a omissão, não inverdade, que, muito justamente refere, do verso do seu B.I: ela, deve-se, por certo, à exiguidade do meu espaço e a nada mais. Todo o resto da sua carta me parece não vir ao caso. 

                     

De qualquer modo, é evidente que quando comecei o meu único mandato como vereadora ( na altura, sem remuneração)  no executivo elvense, o Marco ainda nem tinha nascido!

Nada credita a seu favor, falar de mim, nesse tempo, não vale a pena, até porque o Marco ao referir-se ao meu desempenho, que classifica como - Poder  -  está, ainda, falando uma linguagem diferente da minha.

Para mim, foi apenas e só, prestação de serviço, o que quer dizer: actividades em prol da cidade. Obediência aos deveres. Entrega. Nunca -  mando.

O tempo passa e, é bom – na minha idade - creia, que é verdade – pudermos olhar para traz com a consciência de que sempre procuramos ser rectos , justos até com quem de nós diverge,( como é evidente) e honestos.

È nessa linha que lhe estou respondendo como me pedia, e me parece certo. A gente nova tem ainda todos os caminhos abertos à sua frente e merece-me todo o respeito e todo o cuidado, embora, mercê da sua pouca idade sejam, muitas vezes, temerários, intolerantes e radicais.

Meu Pai – que foi homem de honra – dizia assim: - Quando falo a um jovem, faço-o sempre com ternura pelo que é e com respeito pelo que poderá vir a ser – É nessa senda que vou...

                        

Talvez o Marco faça parte da juventude socialista, como tal deve ter os seus ideais, lute por eles.

A generosidade o ardor da contestação são próprios dos jovens.

                 Gatos Norueguês da Floresta

A maturidade, faz evoluir e altera muita coisa em nós. Veja, como até a sua assinatura do B.I. já também difere da que fez na carta que nos enviou. Como, em 10 anos, não evoluiria o seu rosto!

Ter opinião própria, é um direito que resulta do privilégio de pensar. Fiquei com a impressão que a sua área é o Direito. É que se a sua primeira carta era bem ao estilo dos protestos públicos a que estamos habituados, esta segunda é num tom de cautela e prudência de quem conhece leis, parecendo de pessoas diferentes.

Como vê, também sou observadora.

           

Felicito-o por ter coragem de defender os seus ídolos, embora seja próprio da génese, deles, terem pés de barro.

Quando eu era rapariga, escrevi a Salazar, enaltecendo-o, e, hoje, veja, combato, com a mais veemente convicção, as ditaduras!

                   

E, porque se confessa atento à vida da nossa cidade, deixo-lhe aqui algumas referências, para que sinta como eu jamais estive contra alguém, mas sim – sempre -a favor de ELVAS

Experimente descer da Câmara em direcção à Polícia, e olhar à direita. Um pouco mais à frente olhe também à esquerda.

Claro que, ao terminar a descida, se olhar em frente verá um “tumor” a crescer nos telhados do antigo Hospital.

Pare um pouco para pensar no estado da Elvas histórica, no matagal que encobre o Aqueduto. etc. etc. etc.

É que, enquanto a “Rondónia” (passe a graça do Público) cresce, Elvas agoniza!

Volto a agradecer a sua contestação. Todas as coisas têm vários ângulos, e são passíveis de vários olhares.

Quem, como eu dá a cara e assina o que escreve, não pode furtar-se a ser contestado.

Claro, que a recíproca também é verdadeira.

E, se nem Jesus Cristo teve unanimidade...

 

Maria José Rijo

 

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