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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Impossível não saudar...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.733 – 31 - Outubro - 2003

Conversas Soltas

 

 

Li com o maior interesse as cartas que Marco Sequeira – que julgo nem conhecer – dirigiu aos representantes do Poder Local.

Também já li uma resposta ao assunto explicitado.

Não venho entrar em polémica sobre as opiniões de qualquer das partes.

Não.

Não é nada disso.

Nem sequer conheço, ou estou suficientemente informada sobre o problema em questão, para, com consciência, poder intervir em apoio de qualquer das partes envolvidas.

È muito mais, muito mais importante do que isso.

            

Venho saudar a coragem, a dignidade e a admirável postura cívica de um Homem, que apenas em seu nome – o que significa sem “as costas quentes”, como na circunstância tem o representante do Poder Local, não se furta ao desconforto de erguer a sua voz, e expressar, sem temores nem cobardia a sua opinião.

Foi para gente, e com gente desta têmpera, que se fez a revolução.

O que depois aconteceu, nada tem que ver com o sonho que o Povo aceitou de cravos na mão.

O que depois aconteceu, é isso que se vive – agora.

É a acomodação.

É, o:- desde que eu esteja governado os outros que vão “passear”!...

Por esta razão, quando uma voz, uma só que seja, fura a inércia, e arrisca comodidade e bem-estar para lutar e defender, aquilo em que acredita e que acha justo, todos nós estamos de parabéns.

             Imagem

Quando o Homem chegou à lua – toda humanidade se enriqueceu.

Quando o homem descobre vacinas e curas para o sofrimento do seu semelhante, toda a humanidade se enriquece.

Quero dizer, - que o procedimento de um só Homem , pode enobrecer ou aviltar a nossa condição humana.

Assim, sempre que um homem mostra contra tudo e contra todos que nada o obriga a ser submisso como um verme rastejante,, e fica de pé enfrentando – pela força da sua consciência – os que detêm a força e o poder, essa nobreza também nos cabe, embora nem sempre a saibamos merecer.

Se outros mais, disto, tivessem consciência, ou nisto acreditassem, e, por isso frontalmente se expusessem, quantas injustiças se poderiam evitar, ou ter evitado e de quantos atropelos irremediáveis nos teríamos livrado...

Vivemos a era do prazer.

                   

Do vício das drogas que matam, mas oferecem uns instantes de emoções fortes, conseguidas com aparente facilidade...

Se estivesse “em moda” o culto da honra, da coragem, e do dever, quem procura emoções, ficaria surpreendido com a saudável alegria, com a paz de consciência, com o êxtase interior que nos invade quando mesmo através do desconforto se vence o medo e se aceitam os contratempos para seguir a linha de procedimento de honra e civismo que tenhamos escolhido.

                          

Vão longe os tempos da cavalaria, e das cruzadas onde a juventude de então consumia a sua sede de ideais em nome de princípios de valentia e de nobreza.

Não acredito que o caminho da procura do sentido da Vida se faça pelas drogas e pelos copos.

Daí, impossível ficar indiferente quando a coragem e a dignidade se nos impõe no comportamento de um Homem.

Assim se alimenta a esperança...

                 

 

Maria José Rijo

 

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