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Reminiscencia - 23

Terça-feira, 05.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.825 – 8-Agosto-2005

Conversas Soltas

Reminiscência – 23

 

Sabedoria popular

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Antes do evento da libertação feminina que permite a orgulhosa produção independente de filhos.

Quando ainda se acreditava que a melhor coisa para uma criança, era nascer tendo pai e mãe, e crescer, fruindo do amor e protecção de ambos...

Quando era impensável, meter, até no rol dos pesadelos, quanto mais no real! – Que se possa dar por destino a uma criança não lhes chamarei, um lar, mas a hipótese de crescer no reduto onde habitem parelhas quer, de homens, quer de mulheres, unidos por ligações sexuais...

                      

Quando estavam estabelecidos alguns valores, que embora, pudesse acontecer serem levados a um exagero quase acéfalo, serviam de referências morais que balizavam as condutas, tidas, então por correctas aconteciam situações, por vezes, engraçadas.

Ora é desses tempos a histórinha, picaresca, que hoje conto.

Todas as donzelas se queriam apresentar como virtuosas, porém, como já vem de longe no tempo a confusão entre virgindade e dignidade, era obrigatório esconder qualquer procedimento mais ousado, qualquer intimidade que se tivesse avançado.

Alguma, que por mais fogosa, chegasse ao casamento já grávida; escondia como se fora um crime, sem perdão, o resultado das suas aventuras proibidas.

E, se umas eram sinceras e corajosamente assumiam que se “haviam apressado”, outras, julgando-se mais espertas, mentiam, simulavam estratagemas vários para fazer crer que a pressa não fora delas e dos parceiros, mas sim dos nascituros que apareciam antes dos nove meses da praxe!

                

Nesses tempos, ninguém nascia em hospitais e eram as “comadres”, mulheres já velhas e cheias de experiência, nesses rotineiros tramites que exerciam as funções de parteiras.

Acontece, que certa dama, uma vez, precisando dos serviços de uma dessas comadres, pretendeu com arrogância fazer crer que com ela eram impossíveis, leves suspeitas, sequer, de que pudesse ter chegado ao casamento, já no seu estado interessante.

            

Então a velhota, do alto da sua sabedoria popular disse-lhe com complacência: - não se amofine a senhora.

 Não vale a pena!

A senhora tem toda a razão.

Quer ver? Casou em Março, não foi?

Conte lá comigo! – Março, mamarço e o mês de Março vão tres!

Abril, mabril, com o mês de Abril, dá seis...

Maio, mamaio, mais o mês de Maio, aqui tem a senhora os nove meses.

Vê, que não há engano! - as crianças, nascem sempre de tempo! A gente é que às vezes é que se distrai e conta mal.

 

Meu conto acabado, meu feito jurado.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:17


4 comentários

De Aristeu a 06.05.2009 às 00:15

Tia
As suas reminiscencias - São Lindas.
Todas e cada uma delas.
Fico sempre sem saber o que dizer...
a não ser que gostaria muito de fazer parte delas...
de estar numa delas...
... imaginação minha...

Muitos beijinhos

Aristeu

De Maria José a 07.05.2009 às 21:50

Meu querido Aristeu -ontem não consegui vir aqui para a conversa porque vim de Evora com dor de cabeça e, já se sabe que quando assim acontece, não é um dia só.
O tempo aqueceu de repente de modo que saír em dias assim pelas horas de calor resulta um pesadelo.
Mas, já passou.
Dia 12 voltarei para fazer novos exames e depois trei que tirar as cataratas, o que vai ser bom para voltar a ver melhor. Tenho esperança que depois a net não me canse tanto e possa ficar aqui muito mais tempo
na vossa companhia.
O Aristeu diz gostar de pensar que entra nas minhas reminiscências! - melhor do que isso - porque essas são passado e o meu querido sobrinho faz parte - da parte boa - desta minha vida onde amizades como as vossas são o meu apoio.
Muitos beijinhos para os tres e faz favor de lembrar ao meu amigo- seu Pai -que não dispenso a presença dele mesmo que seja para para me dizer o que eu muito bem sei : - somos velhotes .
Aguardo - Maria José

De Adalgisa Alexandra a 06.05.2009 às 00:23

Li e gostei.
Como sempre aqui só há maravilhas e quem não
goste nem precisa de cá entrar.
Muitos beijinhos Tia

Gisa

De Maria José a 07.05.2009 às 21:56

Querida Gisa nunca mais me falou dos seu amigos bichanos!
Muitas vezes apetecia-me poder voar e ir-vos visitar.
Será que não vos chegarei a conhecer? - que bom um dia dar-vos um abraço
Beijinhos tia Zé

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