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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Sorrir, porque não?

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.731 – 17 - Outubro - 2003

Conversas Soltas

  

           

Porque será que todos conhecemos tão bem os deveres dos outros e, conseguimos descurar tão repetidamente os nossos?

A vítima mais recente, e também mais surpreendente, desta vaga de sabedoria colectiva, do que cada um deve fazer, é, nem mais, nem menos, do que o Santo Padre!

Cruzam-se pelo mundo inteiro as sentenciosas opiniões que lhe são destinadas, e quase todas convergem na obrigação que lhe atribuem de resignar.

Que conste, julgo que a história não regista dúvidas, Jesus Cristo carregou a sua cruz até ao Calvário.

             

Não desistiu a meio.

Não deitou a cruz ao chão, para se deitar sobre ela e descansar.

Porque não faria o Papa outro tanto se é em Cristo, – que representa, na terra, – que ele pousa o seu olhar?

     

Penso que todos aqueles que cultivam o bem da oração em vez de alvitrar isto ou aquilo para o caminho de Vida de João Paulo II, poderiam rezar para que ele, lhe não falte a coragem de levar o seu desígnio até ao fim.

O Papa foi bem explícito, quando afirmou que governa a Igreja com a cabeça, não com as pernas.

Pensando, mercê da minha idade, na pesada problemática da velhice, muitas vezes, agora, escuto e escuto o que aos idosos concerne.

                                     image001.jpg

Cada vez a esperança de vida das pessoas se alarga mais.

Cada vez a longevidade aparece mais como um factor comum e essa conquista tem, para quem já não for jovem, tanto de promissor como de aterrador.

   

Se até o Santo Padre, não consegue ser poupado à forma como os outros pensam que deve ser o seu comportamento; pode imaginar-se, como na intimidade de uma família, ou na própria sociedade, qualquer idoso se vê condicionado a uma obediência forçada a vontades alheias.

Queixam-se os jovens, e não serei eu a discutir as suas razões, de que não são compreendidas pelas gerações que os antecederam!

                

Será então que o percurso da distância que os separa só tem um sentido?

Será que esse caminho de não entendimento, é percorrido – também – de forma a ir ao encontro daqueles que já arrastam os pés, se deslocam em cadeiras de rodas, mas ainda dispondo da sua perfeita lucidez, se sentem humilhados a serem conduzidos como tolos e imbecis?

Cada época da vida do homem tem o seu ritmo próprio.

À árvore que se plantou, oferece-se o apoio dum tutor para que cresça erecta e perfeita…

À criança que ensaia os primeiros passos, dá-se-lhe a mão, para que se encoraje e estendem-se-lhes os braços para amparar se hesita ou cai…

À árvore feita, goza-se-lhe da sombra, dos frutos, da beleza, e não nos nega…

Do homem feito, na pujança da Vida, - recebem-se os frutos da alma: - exemplo, trabalho, palavra, obra…

         papa.jpg

Aos velhos, deixemos os tempos serenos da reflexão, e os espaços abertos para os seus passos lentos, mas entendamos que nem sempre por essa aparência se pode medir a sua capacidade de pensar e decidir.

Qualquer árvore dá sombra até cair…

       

   

Saibamos compreender o ritmo e os compassos do tempo…

É que também a vida (como na igreja) se governa com a cabeça!

 

Maria José Rijo

 

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