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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Parece de propósito...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.701 – 14 - Março - 2003

Conversas Soltas

Parece de propósito...

 

Não resistindo ao impulso do meu coração, ainda há bem pouco tempo, atrevi-me a erguer a minha voz, aqui neste espaço, em defesa da integridade da nossa Praça mais nobre.

Salta à vista que toda ela, funciona como se fora um adro grandioso, com a Sé entronizada no topo superior. Daí se pode usufruir num olhar abrangente todo o movimento citadino em seu redor. É a vista do casario, o acoitar da passarada nas árvores à noitinha, o eco das vozes dos transeuntes, o olhar apelativo de atenção dos mais velhos, que, sentados, nos bancos, ao sol aquecem corpo e alma como espectadores duma realidade de vida de onde a idade e a reforma já os afastou.

São os quiosques circundados de cadeiras abarrotando de gente nos dias bonitos, os táxis enfileirados à espera dos fregueses... Tudo isso, com alterações não muito significativas, compõe um cenário, que desde há mais de meio século, faz o palpitar daquele espaço, a que bem poderemos chamar de:- o coração da cidade.

E, porque é um espaço aberto, amplo, buliçoso e limpo, nos dá a consoladora impressão de que a poluição ainda lá não assentou arraiais de forma definitiva...

Elvas Praça da Republica  por FelixBenavi.

Porém, recentemente, alguém, não importa quem! – Teve a ideia peregrina de alterar tudo para, com gastos e meios espalhafatosos, arranjar forma de levar para aquele –( quase santuário de paz – atendendo ao desconforto do transito no centro de algumas cidades – assim se lhe poderia chamar )- local  o fulcro capaz de lá criar a máxima poluição possível.

Um pouco a medo, dei a minha modesta opinião, só para não me sentir cúmplice do desvario...

Big Ben Picture

Porém, escutando hoje, como em Londres, se tenta desesperadamente, afastar a poluição do centro da cidade, e, em Lisboa, mesmo timidamente já se está lutando também para afastar o mesmo flagelo de alguns bairros, cabe aqui perguntar quem estará certo, e quem estará errado!

Ainda é tempo.

Melhor, ainda seria tempo se...fosse impensável acreditar que há frases tão destituídas de critério de justiça, de bom senso, civismo, respeito pelas instituições e mais considerações que me recuso a formular – que só pudessem ser contadas como anedotas de mau gosto...mas que, por vergonha e desgraça nossa, e para descrédito de pessoas e instituições são ditas em órgãos de decisão política, e correspondem ao comportamento real e à formação (?) de quem as profere.

     

Não é difícil inferir que, com tal gente, é impensável acatar pareceres, que não os próprios.

Daí que possa dizer-se:

Se o intento é mesmo deixar o Zé de boca aberta de espanto e queixo caído, já se conseguiu a mesma finalidade pensando na diferença de critérios com que comparativamente se tomam decisões tão opostas para o bem das cidades.

Numas, afasta-se o flagelo da poluição do centro, noutras promove-se como bandeira de progresso esse mal que todos querem esconjurar.

Esta é mais “uma gota de água”, que como outras igualmente bem intencionadas, irá cair em cesto roto...

Mas, por onde passar, embora pouco, há-de molhar...

Confiemos...

Pessoa muito respeitável e amiga, alertou-me para um intervenção na rádio, de que não dei conta, em que o Dr. João Carpinteiro terá feito simpáticas referências ao meu trabalho na Câmara, quando fiz parte do seu elenco. Venho, também publicamente agradecer-lhe, não as referências, como tal, mas o sentido de justiça e amizade que o faz não duvidar da total lealdade com que, servindo a Cidade, o tenha servido, também a ele, o melhor que sabia. Obrigada. 

E, para terminar, nesta mesma onda, um aceno de comovida gratidão para um leitor, que gostaria de conhecer, Helder Sabino, que gosta e, de uma forma geral concorda com o sentido das minhas crónicas. Pois fique ciente que o que me vai ainda dando força para remar contra a maré, é acreditar que há muita generosidade em corações como o seu, e que vale a pena partilhar com gente assim, a nossa fé na Vida e no ser humano, apesar dos pesares...

 

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