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Requiem pelos bons costumes

Sexta-feira, 22.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.742 – 29 de Junho de 1984

 Requiem pelos bons costumes

 

Tudo muda.

Basta olhar em redor e ver como tudo se transforma e se recria com as estações do ano.

Despem-se e vestem-se árvores. Secam e brotam fontes. Amarelecem e reverdecem campos. Flores tornam-se frutos. Mudam as marés, as fases da lua, os equinócios e os solstícios… dias seguem-se a noites e por cada poente há sempre a promessa duma aurora a suceder-lhe!

Tudo muda – mas há constantes – ritmos conhecidos!

Os usos e costumes também variam conforme os países, os climas, abundâncias, carências…

Através dos tempos quantas mudanças no vestuário, transportes, utensílios domésticos, em tudo…

-- Entre a roda do convento onde embiocada, na calada da noite, a mulher solteira deixava a criança “mal nascida” e o triunfo do direito à maternidade sob a óptica dos nossos dias – há uma ponte de séculos…

      

-- Entre o arriscar da vida em duelo por uma qualquer ninharia presunçosa e a coragem assumida de quem tripula uma nave espacial – há orbitais distanciais…

            

-- Entre as guerras de combates corpo a corpo ou de ardilosos “cavalos de Tróia”, e a crueldade cientificamente determinada de bombas bacteriológicas ou de hidrogénio – há apocalípticos genocídios de fronteira…

         4-cavalos-do-apocalipse

Enfim! – por aí fora, tudo é susceptível de mudar para melhor, ou para pior…

Vai longe no tempo o hábito deferente de “O Senhor meu Pai” “A Senhora minha Mãe” com vénia e joelho em terra!

Assim como se despojaram das emproadas cabeleiras postiças de fatiotas peraltas, de atavios pretensiosos – se ganhou a ligeireza nos costumes e velocidade nos transportes – assim se despojou a linguagem de enfáticos empolamentos!

Mas, há constantes!

Podem simplificar-se as formas de invocar Pai e Mãe, mas, todos teremos que honrar Pai e Mãe – que há na vida hierarquias indestrutíveis.

                      

 -- Se deixarmos perder de vez o respeito mútuo que equilibra o convívio entre pessoas, soçobrando sob a onda de “velhos”, “velhas”, “gajos porreiros”, “coiros”, “tipo porreiro”, “gente bestial”, que, com a melhor das intenções, é a forma usada pelos adolescentes de hoje ao referirem – Pais, Avós, Professores…

                

-- Se deixarmos que em lugar de conhecer, conviver, convidar… “engatem”…

       

Só nos restará rezar um requiem pelos bons costumes que não soubemos defender da erosão dos tempos e deixamos resvalar para abissais distanciais das constantes desejáveis…

             

Bem e mal – certo e errado

São verdades sempre opostas

São como a noite e o dia

Chega um – outro dá costas

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:20


10 comentários

De artesaoocioso a 23.05.2009 às 00:11

Completamente de acordo mas como?
O Ocidente está em crise profunda, material e moral, desde o topo até à base elementar da família.
Tudo indica que estamos a caminhar ao contrário.
Cumprimentos

De Maria José a 23.05.2009 às 21:58

Tem muita razão, meu amigo!
Muito do que se tem andado, tem sido para trás
Um abraço
maria josé

De Adalgisa Alexandra a 23.05.2009 às 00:29

Minha querida Tia
Adoro os seus textos e sempre a forma como os
apresenta aqui.
Ficam sempre mais interessantes e tão mais fáceis
para se ler.
Adoro todos e cada um deles.

Obrigado tia.
Muitos beijinhos e bom fim de semana
Gosto mesmo muito de si

Gisa

De Maria José a 23.05.2009 às 22:03

Querida Gisa - eu também penso que a Paulinha consegue uma escrita paralela com as imagens que ilustram os textos.
Beijinos pela sua querida presença
Tia Zé

De Aristeu a 23.05.2009 às 01:07

Mais um...
das suas dos seus belos textos minha Tia.
Obrigado pelo seu comentario para mim, é tão
bom haver este contacto.
Parabens por ter esta maravilha de blog mas eu
continuo a achar que deveria ter também um
site.
Tem material para isso e merece.
Isso sim. Merece mesmo.

beijinhos e bom fim de semana.

Do seu sobrinho

Aristeu

De Maria José a 23.05.2009 às 22:15

meu querido Sobrinho - sabe que a Paulinha também anda a falar num site?
Se não fosse a amizade daquela menina e a sua inesgotável paciência, toda a minha papelada morreria nas gavetas onde a acomodei
Acredita que ás vezes - embora me agrade que o faça - é mais pelo entusiasmo dela que me alegro?
Olhe lá querido Aristeu, onde anda o Gilinho?
Beijinhos para os três da Tia Zé

De Dolores Maria a 23.05.2009 às 01:12

Tia
mas que bom que recebeu uma cesta de cerejas.
Fiquei tão contente de saber que as recebeu.
Esse anjo leu os meus pensamentos e fe-los
realidade.
Posso então pensar que o meu desejo se
realizou.
Que bom tia.
Fico Feliz se a tia também estiver.

Por aqui vamos andando com o trabalho, a criação
e todo o resto.
Amanhã vou assar a Julinho que está no ponto
para um almoço de amigos.

A magé está muito bonita.
Beijinhos tia e bom fim de semana.
Gostamos muito de si

Dolores

De Maria José a 23.05.2009 às 22:35

Meus queridos
Tenho-me esquecido de contar que no ano passado a Paulinha me ofereceu um vasinho com um pé de orquideas. Tinha oito flores cor de rosa muito bonitas.
Acontece que neste momento tem trinta e três abertas e ainda tem um botão.
Nunca as olho - e tenho-as aqui ao meu lado, perto da janela - que não me lembre de vós. Vou pedir que ela tire uma fotografia para vo-la mostrar.
Beijinhos -tia Zé

De Gustavo Frederich a 23.05.2009 às 01:28

Que bom tia.
MAis uma belissima opinião.
São sempre muito interessantes e como já tantas vezes
tenho dito e até repetido da grande qualidade e
a originalidade dos temas.
Parabens por mais esta maravilha de texto.

E eu cá vou na minha mudança, vou sentir falta
deste meu amigo padre - mas a vida tem destas
coisas...
Quem procura um dia encontra - eu só me sinto
um pouco sem rumo...
Nem sei mais - mas faz-me falta a minha floresta
negra.

Beijinhos Tia
e eternamente grato pelas suas palavras sempre
tão agradaveis e sensiveis.
Gosto mesmo muito de si.

Beijinhos tia querida

Gus

De maria José a 23.05.2009 às 22:49

Meu sobrinho querido
Pareceu-me senti-lo triste.Como se as suas palavras sempre delicadas, estivessem desta vez, envoltas numa certa nostalgia.
Qualqur mudança tem seus custos nas separações, mas quando voltar a cavalgar na "sua" floresta o reencontro com os cheiros da terra e das árvores irá envolvê- lo de tal forma que o compensará das perdas que agora sofre, e, o Padre Anton, não o esquecerá.
Pode até ser que cumpra a "ameaça"que outro dia me fez, estando mais perto...
Beijinhos
Tia Zé

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