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Dia da Criança - 1989

Segunda-feira, 01.06.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.994 – 9 de Junho de 1989

Dia da Criança

 

Deixou-me o carteiro notícias, da minha infância distante, com uma carta de amigos perdidos no tempo há muitos anos.

Casa-lhes a filha única e, quiseram repartir essa alegria com aqueles da sua geração ao lado de quem brincaram, estudaram e sonharam futuro.

             

“Sou da minha infância como de um país”

 escreveu St.Exupéry.

 

Logo me ocorreu a lembrança da frase que nos ensina a identificar a nossa segunda pátria.

Evoca-se, vida fora, mais do que a terra onde se nasceu, a infância vivida onde quer que fosse: mais do que ruas e paisagens, a lembrança que cada um transportará sempre dentro de si, é a do “espaço de amor” onde cresceu e lhe ensinou a confiar e a crer, lhe deu segurança para caminhar, ou a falta dele. Doce ou amarga a infância é sempre a raiz de onde se provém e onde se esboça a nossa qualidade de gente: a fonte, o país de origem da nossa maneira de ser e estar entre os demais.

Por alguma razão se nasce tão pequenino que se cabe inteiro num abraço que tem que ser apertado para nos acolher a segurar, e se depende dum coração que nos tenha desejado ou nos perfilhe e aceite.

Dia da Criança, quase se poderia ou deveria dizer – dia da sementeira – ou dia do pão, como se chama neste nosso bendito Alentejo, à seara de onde se tira o sustento de cada dia.

      espiga[1].jpg

A diferença é que o “Pão” rega-o a chuva, cria-o o ar, o vento, o sol que do céu nos vem.

Para as crianças – pão do futuro – somos nós o sol, a chuva, o bom e o mau tempo que as forma ou deforma , que, presente do céu – são elas – nós, apenas terra de amor ou indiferença – país de infância, a que jamais fugirão.

“Sou da minha infância como de um pais..”

… Escreveu-me uma amiga desse “país” distante, tantos anos volvidos.

Ninguém esquece ninguém que lhe toque o coração para o bem ou para o mal.

Permanece-se, sem que disso nos demos conta, na textura da sensibilidade de muitos por quem passamos distraídos ou indiferentes, quando por nós esperavam.

Deve ser esse o maior risco da aventura de viver – passar sem ver!

É nossa a hora!

A obra é nossa.

Por uma única vez – da única forma possível: - definitivamente – saibamos construir esse país da infância - a que sempre pertencerão as crianças de hoje, as que de nós dependem.

 

Se for esse o nosso desejo mais sincero nas extremidades frágeis dos nossos gestos imperfeitos – hão-de nascer flores.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:41


1 comentário

De Xavier Martins a 01.06.2009 às 23:04

Que fotos de CRIANÇAS LINDAS
tem aqui nos seus posts.

É uma beleza poder ler os seus artigos.
Sempre tão actuais.

Um abraço
Cumprimentos

Xavier Martins

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