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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Será que?!!

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.300 19 de Maio de 1995

 Será que?!!

 

Fechada aqui no meu canto – o eco da vida da cidade – chega-me, quase exclusivamente, pelo Linhas de Elvas em cada sexta-feira.

Ora, nesta semana, vi, com a maior surpresa e indignação, que ainda não terminou, nem serenou, sequer, a infeliz campanha que, por deita cá aquela palha, despudoradamente se reacende contra João Carpinteiro.

 

Conto mais de cinquenta anos de vida em Elvas. Toda a minha idade adulta foi passada aqui e nunca vi, nem me consta que ao longo deste tempo; - (mais de meio século, repito) – alguma vez tenha por cá acontecido coisa igual ou semelhante.

Será que os promotores desta campanha têm consciência que estão a orquestrar o linchamento moral de alguém que nada fez para merecer tantas injúrias?!

Será que se perdeu das consciências a noção de solidariedade que obriga ao respeito pelo próximo?!

 

  

                           

Receio bem que esse sentimento que Michael Quoist tão bem definiu dizendo “ Eu sou o outro” seja uma vaga reminiscência em que jamais se pensa.

Vale a pena responder:

              

“O outro é aquele

Por Deus se exprime

Por quem Deus te convida

Por quem Deus te enriquece

Por quem Deus mede o teu amor

(…)

O outro chama-se João, Maria, José,

Luísa, a D. Felismina, o Sr. António

mora na mesma casa que tu

trabalha na mesma repartição

toma o mesmo autocarro

senta-se ao teu lado no cinema…

O outro chama-se Jesus Cristo”

 

Tenhamos em conta que o outro és tu, sou eu, somos nós todos igualmente expostos à mesma inconsciência, à fúria acéfala das turbas…

Não tenho procuração de quem quer que seja para tomar a defesa de, seja lá quem for…

Não tenho pretensões a arvorar-me em Madre Teresa de Calcutá…

          

Mas – tenho a viva consciência dos meus deveres como pessoa de bem que me obrigam a não querer, pelo silêncio, aceitar a cumplicidade de injustiças que nos envergonham a todos – envergonham uma cidade.

Não haverá mais nada para fazer presentemente na nossa terra do que perseguir um Homem de Bem – que naturalmente tem defeitos e cometeu erros como todos cometemos mas não deixou por isso de ser estimável e pessoa de bem?!

Terá qualquer de nós a veleidade de afirmar que é impecável e perfeito?!

                       

     

Estarão em cheiro de santidade os “anjos” vingadores que tão levianamente propagandeiam e fazem alarde de faltas e defeitos de outros sem que primeiro – pelo menos – tenham a decência de testar a verdade das suas afirmações.

Não merecerá a nossa cidade mais do que isto?

Penso que a mesma legião de aduladores que explorou as naturais e humaníssimas fraquezas de João Carpinteiro bajulando-o para dele se servir incensa agora, com igual intento, outros deuses.

Mas Deus não dorme – diz a sabedoria popular e, atrás de tempos vêm…

E, a não ser que tivesse havido epidemia em Elvas e tivessem falecido todos – e eram tantos! Tantos – era altura de aparecerem.

Até porque eles – esses – que pela sua falta de lealdade e coragem para exercerem o seu direito de criticar com verdade e honestidade – são os maiores responsáveis por tudo quanto se passa agora.

Sou. Sempre fui amiga de João Carpinteiro. Conheci-o de berço.

Vi-o crescer, como os meus sobrinhos que são quase todos, da sua geração.

Quero-lhe bem

Não lhe devo benesses.

 

Politicamente até, dele me afastei, por desacordo.

Mas – isso não denigre o meu respeito por esse Homem – que vi lutar, sempre, pelo bem da cidade e do seu concelho.

João Carpinteiro – serviu a cidade de Elvas.

Não se serviu da cidade em seu proveito.

O seu trabalho não esteve isento de falhas, porém, isso não o torna numa pessoa execrável a quem todos apedrejam.

Está a abrir-se um perigoso precedente na vida política de Elvas.

Será que não é a hora certa para alertar que:

“O outro é aquele que te faz crescer, é um presente que o amor de Cristo te deu”

Viremos o dedo acusador para nós próprios que nos acobardamos deixando correr… e, só depois, se formos capazes, deveremos pensar se ainda vale a pena acusar “O outro”.

 

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