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A Senha

Quarta-feira, 30.12.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1755 – 12 de Outubro de 1984

A Senha

 

Sou contra a violência. Sou contra a represália.

Sou contra toda e qualquer manifestação de vingança e ódio por mais encapotada que se nos apresente.

Envergonha-me o insulto e a arruaça.

Envergonha-me a bofetada e o murro “como argumento” para “convencer?” seja quem for… e, porque for…

Sou contra o álcool, a droga – tudo, quanto turve ou entorpeça o que o ser humano tem de mais nobre – a faculdade de pensar.

Julgo que quanto mais importante for a questão que se debate, maior terá que ser a delicadeza na sua abordagem, mais cuidada deverá ser a forma de a tratar.

Não ponho em discussão a firmeza que a aplicação da justiça exige.

Não!

Os pontos de discussão situam-se na procura dos meios mais certos para cobrar ou aplicar essa justiça.

elvas800wh6.jpg

Ora – é isso que, nós que somos Elvas – que não mendigamos, não insultamos, nem ameaçamos, porque Elvas é nobre de berço e berço de gente que no trabalho se tempera e enobrece, teremos que decidir.

Antes que inventem para a nossa cidade mais calamidades, temos que nos unir para tomar a posição correcta. Nós não somos subservientes nem arrogantes.

Temos a compostura e a honra que de sermos “portugueses de Elvas” nos advêm.

Elvas reconhece o que é de Elvas por justiça com serena lucidez.

Elvas exerce civicamente os seus deveres.

Elvas – defende Elvas – porque ao fazê-lo defende o nosso país.

Elvas, sente e sabe quanto vale, quanto merece e quanto lhe é devido – porque Elvas é Portugal – até ao limite de Portugal o ser.

Elvas nasceu fronteira.

Elvas é fronteira e fará fronteira entre o que pode, ou não, ceder para conservar o respeito por si própria e a integridade da Pátria de que é parte.

Nessa linha se define, delimita e segura da sua razão, se afirma e impõe à respeitosa admiração de todos como as suas muralhas, os seus fortes e o seu Aqueduto.

                      

 

Portugal mais se define

Onde a fronteira se traça

Pode partir, mas não dobra

Quem defende Pátria a Raça.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:06


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