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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Uma subtil diferença

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2019 – 1 de Dezembro de 1989

Uma subtil diferença

       

Anda por aí um anúncio de televisão que acho seriamente perturbante.

Faz-se com imagens, a meu ver “macro” crueldade, a propaganda que se pretende eficiente, aos fornos micro-ondas.

Estamos, ou andamos por aí todos tão preocupados com horários, impostos, subida de preços e mais mil e não sei quantas coisas que, por vezes, nos passam quase sem reparo outras, que olhadas e repensadas também se reconhecem preocupantes.

Refiro-me a alguns anúncios que nos entram casa dentro e que, se bem que os olhemos distraidamente, deixam qualquer coisa de incomodo, mal identificada, que se agarra a nossa consciência, mas que vai moendo, moendo, como uma dor ralinha que não se percebe bem de onde nasce e porquê, mas que incomoda e não nos da descanso.

É assim por vezes.

Agora, pelo menos, foi assim, outra vez.

Aparece um forno lustroso, bonito, maneirinho, prático e funcional, ao que se anuncia.

            

Económico em relação a tempo e a dinheiro, o que lhe acresce as virtudes. Porém, para realçar essas qualidades, usa-se um processo que repudio de tremendo mau gosto pela evidente crueldade de que se reveste.

       

Junta-se à imagem do forno nada mais, nada menos, do que as imagens de vida e felicidade de uma truta a nadar em águas cristalinas transparentes, um ganso branquinho e um leitão rosado como um peluche de trazer ao colo.

         

Assim, o forno de cozinhar alimentos, ganha foros de cadeira eléctrica ou qualquer outro invento de terror criado para suprimir vidas.

Convenhamos que não está certo.

Arrepia ver exibir tão pouco respeito pelos animais, embora todos saibamos que muitas vezes, eles são apenas criados para servirem de alimento.

              

Só que á vida em qualquer forma que ela se nos apresente é devida uma dignidade e um respeito próprios, e sempre que é necessário sacrificar animais, em nosso proveito, isso não poderá ser usado como quem conta uma anedota gratuita e solta uma gargalhada divertida.

Vida é sempre vida.

Aliás, todos podemos colher rosas, poderíamos até caminhar sobre elas – se o merecêssemos – mas… nunca espezinha-las.

É essa a subtil diferença.

 

Maria José Rijo

 

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