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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Elvas com alguma rima e ... muito amor

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1750 – 31 de Agosto de 1984

Elvas com alguma rima e… muito amor

 

Evocar Elvas – nobre cidade antiga.

Tentar recreá-la, cantando-a de memória.

Tem muito que se lhe diga!

É como num mural pintar a sua história!

 

- Quantos verdes sombra de Oliveira - acastanhados do chão!

- Quantos tons quentes do florir  as Olaias, para dar o “toque” de alegria, que o povo cria – quando canta e dança as saias!

- Quantas referências ao Senhor Jesus da Piedade (onde a fé dá mais sementes do que o trigo duma herdade!)

E, para que ressaltasse do fundo de tom grave, antigo, toda a história viva da cidade como cabeça assomada a um postigo!

- Para que ficasse gravada em quem escuta, como fica o canto, a lenda, a voz…

- Para ficar presente como está o Aqueduto que veio de outros séculos até nós… - - Haveria de ser capaz – ser capaz e saber – de pintar as manhãs frias de mercado com o “brinhol” a inchar no azeite a ferver…

- Os cafés sorvidos de pé – o cigarro “cuspinhado”, o cheiro a aguardente nas falas do hortelão que esfrega, a amornar com o bafo, os dedos enregelados de uma e outra mão!...

- Para falar de Elvas a quem não conhece, quantas histórias de contrabando, roxas, sombrias com tiros noite dentro, fugas, medos, preces, que assombram a paz do correr dos dias…

 E, os heroísmos de outrora? Auroras de redenção? O 14 de Janeiro – celebrado num padrão!

- E as cores vivas das crenças – o tirar dos chapéus, os silêncios ajoelhados em comungada devoção quando, para anunciar um novo S. Mateus, os pendões passam à noitinha.

- As pernoitas dentro dos carros e carrinhas acampados no parque dos Olivais!

- E as mulheres, pelas manhãs, caras lavadas, o cabelo ao vento, solto e penteado, junto aos chafarizes entre ditos e risadas!

- E as refeições de garrafão ao lado, sentados ao ar livre pelo chão, com o gosto de viver, no trabalho amealhado, e agora – por merecido – saboreado, bebido em cada trago – mastigado com o pão!

- E onde encontraria os tons queimados dos trigais já ceifados e maduros?

- E os matizes, os cinzentos patinados, dos fortes, igrejas, muralhas, pedras, muros? (que mudam com a hora, o dia, o mês?!).

- E o jardim militar? – Cheirando a buxo e o laranjal.

- Quem seria capaz de tudo pintar a uma vez?

- E como poderia ficar neste mural desde o passado brumoso aos nossos dias que engrandeceu Elvas, quem a ama e faz viver?

- Por ser incapaz – qualquer desistiria e a sua mágoa ficaria a escorrer mansa e doce, como o Guadiana quando de “A Ajuda” o vamos ver…

- Ah! Mas se falar desta bela cidade alentejana a quem nela vive ou a tem no coração!

- Basta um piscar de olhos com cumplicidade…

- Um abanar de cabeça recheado de intenção…

 

E como António Sardinha – com simplicidade dizer: - “Esta Elvas! “Esta Elvas!” – Oh, então! Uma lágrima – um silêncio – um suspiro risonho porão Elvas inteira e viva à nossa frente evocada em Amor como num sonho.

 

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