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Elvas com alguma rima e ... muito amor

Sábado, 06.03.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1750 – 31 de Agosto de 1984

Elvas com alguma rima e… muito amor

 

Evocar Elvas – nobre cidade antiga.

Tentar recreá-la, cantando-a de memória.

Tem muito que se lhe diga!

É como num mural pintar a sua história!

 

- Quantos verdes sombra de Oliveira - acastanhados do chão!

- Quantos tons quentes do florir  as Olaias, para dar o “toque” de alegria, que o povo cria – quando canta e dança as saias!

- Quantas referências ao Senhor Jesus da Piedade (onde a fé dá mais sementes do que o trigo duma herdade!)

E, para que ressaltasse do fundo de tom grave, antigo, toda a história viva da cidade como cabeça assomada a um postigo!

- Para que ficasse gravada em quem escuta, como fica o canto, a lenda, a voz…

- Para ficar presente como está o Aqueduto que veio de outros séculos até nós… - - Haveria de ser capaz – ser capaz e saber – de pintar as manhãs frias de mercado com o “brinhol” a inchar no azeite a ferver…

- Os cafés sorvidos de pé – o cigarro “cuspinhado”, o cheiro a aguardente nas falas do hortelão que esfrega, a amornar com o bafo, os dedos enregelados de uma e outra mão!...

- Para falar de Elvas a quem não conhece, quantas histórias de contrabando, roxas, sombrias com tiros noite dentro, fugas, medos, preces, que assombram a paz do correr dos dias…

 E, os heroísmos de outrora? Auroras de redenção? O 14 de Janeiro – celebrado num padrão!

- E as cores vivas das crenças – o tirar dos chapéus, os silêncios ajoelhados em comungada devoção quando, para anunciar um novo S. Mateus, os pendões passam à noitinha.

- As pernoitas dentro dos carros e carrinhas acampados no parque dos Olivais!

- E as mulheres, pelas manhãs, caras lavadas, o cabelo ao vento, solto e penteado, junto aos chafarizes entre ditos e risadas!

- E as refeições de garrafão ao lado, sentados ao ar livre pelo chão, com o gosto de viver, no trabalho amealhado, e agora – por merecido – saboreado, bebido em cada trago – mastigado com o pão!

- E onde encontraria os tons queimados dos trigais já ceifados e maduros?

- E os matizes, os cinzentos patinados, dos fortes, igrejas, muralhas, pedras, muros? (que mudam com a hora, o dia, o mês?!).

- E o jardim militar? – Cheirando a buxo e o laranjal.

- Quem seria capaz de tudo pintar a uma vez?

- E como poderia ficar neste mural desde o passado brumoso aos nossos dias que engrandeceu Elvas, quem a ama e faz viver?

- Por ser incapaz – qualquer desistiria e a sua mágoa ficaria a escorrer mansa e doce, como o Guadiana quando de “A Ajuda” o vamos ver…

- Ah! Mas se falar desta bela cidade alentejana a quem nela vive ou a tem no coração!

- Basta um piscar de olhos com cumplicidade…

- Um abanar de cabeça recheado de intenção…

 

E como António Sardinha – com simplicidade dizer: - “Esta Elvas! “Esta Elvas!” – Oh, então! Uma lágrima – um silêncio – um suspiro risonho porão Elvas inteira e viva à nossa frente evocada em Amor como num sonho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:33


6 comentários

De Flor do cardo a 06.03.2010 às 01:08

Novamente Parabens
Por esta maravilha de artigo.
este recordar das A LA Minute têm feito
as minhas delicias.

Parabens cara Maria José.
Desculpe a minha ausencia mas tenho que
lhe dizer que o nosso e querido julião e a
sua florzinha - já desapareceram deste
mundo.
Foi num tragico acidente de automovel.
Foi uma tragédia.

Sentimos imenso a sua falta. A falta de
ambos que enchiam esta casa de alegria.
agora a monotonia e a tristeza voltou.
O Aristeu continua no seu trabalho, a Mag
com a sua imensa barriga - daqui a pouco
temos cá a menininha - com o seu nome -
Se Deus quizer.

E a Maria Jósé como se sente.
Espero que esteja em riba - as tristezas
atiram-nos para baixo e isso não ajuda
em nada.
temos de sorrir.

O Gilinho vai casar para brevemente.
Anunciou faz dias.
Não conhecemos a rapariga - mas diz que
virá cá a casa - qualquer dia.
Coisas do Gilinho.


Boa saude cara amiga.
A Primavera está a chegar e com ela as
Olaias vão florir.

Um abraço

Luciano

De Maria José a 11.03.2010 às 22:11

Meu amigo Luciano
Senti com surpresa e mágoa a morte dos vossos amigos. Acontece que, passado o primeiro impacto pensei que na idade deles e com a alegria que compartilhavam, com o companheirismo e cumplicidade com que se entregavam à vida, se calhar, eles próprios teriam desejado que fosse assim.
Partiram, como viviam. Não podendo ser numa apoteose fulgurante como um fogo de artifício,as suas almas, despojadas da sua humanidade devem ter subido ao céu com a leveza dos anjos.
Gostaria de os ter conhecido.
Sinto pelas suas palavras que se sente melhor. Isso conforta-me.
O "nosso" Gilinho sonha mais uma vez.
Ainda bem! Lá diz o poema de Gedeão que: - o sonho comanda a vida!
Que Deus o proteja.
E o bébé quando chega?
Um forte abraço - Maria José

De Dolores a 07.03.2010 às 14:35

Minha querida tia
Espero que esteja melhor de saude e que
tenha cuidado com as chuvas e os frios, não se
deixe constipar.

Nós por aqui cá vamos andando.
cada num no seu trabalho, a Magé está linda
já fala quase tudo - parece a minha filha.

Gostamos muito deste seu belo artigo.
Bem haja por nos mostrar estes textos tão
maravilhosos.
Muitos beijinhos tia

Dolores

De Maria José a 11.03.2010 às 22:28

Meus Queridos
Finalmente venho agradecer as vossas visitas e as vossas notícias que sempre me deixam feliz.
Ás vezes lembro-me que a Dolores me contou que iriam a um concurso de valsa, mas depois não mais falou em tal.Desistiram? - Deus quera que não porque é sinal que os vossos "ajudantes" não perturbam em nada as vossas vidas. E a Princezinha? como está? - não voltou a ter problemas de respiração? Penso que ela deve estar numa fase muito engraçada e que vos deve dar muita alegria ve-la crescer.
Hoje olhando as minhas orquideas pensei mais uma vez no Avelino. A que tenho do ano passado este ano ofereceu-me uma folhinha nova e deu-se por satisfeita. Vejam só a miséria!
Agora encomendei um gato. Ajuda a viver ter alguém ou alguma coisa que dependa de nós.
Vamos ver o que acontece!
Beijinhos e saudades tia Zé

De Manuel Sequeira a 07.03.2010 às 14:40

Muito boa tarde
Queria agradecer-lhe ter colocado - nos seus
blogs - informações sobre António Sardinha.
Ajudou-me imenso no trabalho que realizei
para a escola.

Muito obrigado e quero dizer-lhe que a minha
meta é escrever como a Senhora o faz.
Estou deliciado com a sua prosa e poesia.

Um beijinho

Manuel Sequeira

De Maria José a 11.03.2010 às 22:51

Manuel Sequeira
Obrigada pela atenção das suas palavras e pelo seu apreço pelo blog. Foi bom saber que "encontraram"por aqui algumas referências que vos foram úteis sobre António Sardinha. Ele continua, na minha humilde opinião a ser o escritor a quem se devem as mais belas páginas sobre Elvas quer em prosa quer em poesia.
Então o soneto " vesperal" delicia-me. Talvez até porque fui muito amiga de quem o inspirou - a senhora dona Ana Sardinha - "a senhora dona Gica" para os amigos.
Saúdo o Avô e a Neta
Um abraço grato - Maria José Rijo

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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